“O objetivo é cantar a fé”

A Xana, a Carlota, o padre Juan e o Francisco formam o “Projeto Akustica”

O “Projeto Akustica” é um projeto de divulgação de música de mensagem cristã criado em agosto de 2020. Com uma guitarra, um cajón, duas vozes, uma flauta e um piano, o grupo procura “cantar a fé” e levar a alegria do evangelho aos jovens.

Uma breve apresentação dos membros do “Projeto Akustica”…

Padre Juan – Sou o padre Juan, tenho 48 anos, sou sacerdote dehoniano e estou a trabalhar no Colégio Missionário. Este ano faço 20 anos de padre e trabalho com a pastoral juvenil e vocacional e dou Aulas de Educação Moral na Apel. 

Carlota – Sou a Carlota Tem Tem, sou estudante, estou a terminar o mestrado em Educação pré-escolar e Ensino do primeiro ciclo. Sou catequista em Santa Luzia, faço parte da pastoral do Ensino Superior e tenho 25 anos. 

Xana – Sou a Xana, sou da paróquia da Camacha e tenho 27 anos. Neste momento sou professora de Educação musical, catequista na paróquia, e faço parte do grupo de jovens da Camacha. Fiz uma experiência com as irmãs franciscanas quando estive a estudar em Bragança. 

Francisco – Sou o Francisco, tenho 56 anos e tenho tocado com vários grupos. Tenho estado com o grupo de jovens da Nazaré e faço parte do grupo que canta algumas missas do parto. A minha missão é levar alegria às pessoas.

Queria começar por perguntar como nasceu o “Projeto Akustica”?

Padre Juan – Em agosto de 2020, no contexto de pandemia, ouvi uma canção que gostava muito e quis fazer uma versão. Como conhecia o Francisco, perguntei-lhe se podia contar com ele para tocar cajon. Faltava uma voz. O Francisco conhecia a Carlota e convocou-a e foi assim que começou este projeto. Entretanto, apareceu a oportunidade de animarmos uma vigília pelas missões no Colégio Missionário, depois em dezembro do ano passado, em Santa Luzia, animámos uma oração de Taizé e organizamos um pequeno concerto de Natal. Havia necessidade de fazer crescer este projeto. Eu já conhecia a Xana e soube que ela estava cá e lançámos-lhe o desafio e ela aceitou, e a partir de março o grupo ganhou mais forma. Fizemos também um concerto vocacional em Machico, num contexto do “Embarca”. 

É um projeto, como diz o nome, assente na acústica, sobretudo baseado em instrumentos acústicos: a guitarra, o cajon, o piano, a flauta e a voz. O objetivo é cantar a fé. 

Foto: Jornal da Madeira

Pedras Vivas 11 de julho de 2021 (A4)

Pedras Vivas 11 de julho de 2021 (A3)

Qual o objetivo do “Projeto Akustica”?  

Xana: Acho que não temos uma linha muito concreta. Como diz a música: “onde Deus nos levar”. É um projeto de música cristã e música católica. Como diz Santo Agostinho: “cantar é rezar duas vezes”. Primeiro temos de ser católicos, temos de acreditar em Cristo, não é só gostar de música. 

Carlota: É rezar a fé, com qualidade.  

Padre Juan – Uma das vertentes é chegar aos jovens através da música. O repertório é muito variado, ainda estamos a iniciar. 

Francisco – Ao mesmo tempo que queremos chamar a juventude através da música, também chegamos aos adultos e às pessoas com alguma idade, pois também elas sentem falta de alegria.

Qual é a importância da música na sua vida?

Carlota – Para mim, a música dá-me alegria. Gosto muito de cantar. Em contexto religioso, quando eu canto, sinto que rezo. Às vezes, o rezar de forma tradicional não me chama tanto à atenção, enquanto que se for a cantar, faz-me muito mais sentido e se forem com músicas com que eu me identifico, músicas que o nosso grupo tem vindo a tocar, faz-me sentir que estou com Ele (Cristo) e que Ele está connosco. Nós através da música, através daquilo que cantamos, através daquilo que tocamos, podemos chamar outras pessoas a estarem connosco nas nossas dinâmicas na Igreja e nas dinâmicas propostas pela Diocese. 

Vejo nas vossas T-shirts o logo do “Projeto Akustica”. Podem explicar?

Xana – Eu fiz o logo com a ideia de todos. Fiz várias maquetes. A Carlota fez um desenho e peguei nisso. Temos a nossa abreviatura que é PAK, de “Projeto Akustica”, a cruz que faz todo o sentido, porque somos um projeto católico e a clave de sol que simboliza a música. 

A música pode ser veículo de espiritualidade? 

Padre Juan – A música é uma forma de chegarmos não só aqueles que estão dentro da igreja, que são acompanhados mais de perto, mas até a jovens que estão, se calhar, mais afastados, porque a música, se é bem executada, bem tocada, com simplicidade, é uma forma de congregar. 

Xana – No último concerto que fizemos eu tenho pelo menos duas, três pessoas, que se dizem católicos não praticantes, mas que são músicos e apreciaram imenso a qualidade musical. Acredito que Cristo vai pondo sementes. 

Padre Juan – A música é um dos veículos de transmissão de espiritualidade ricos que nós temos, e que muitas vezes podemos não aproveitar. Há sempre qualquer coisa que fica. 

Francisco – Uma missionária disse-me que uma das formas de trazer os jovens à igreja é a música. Às vezes vamos à Missa, a homilia foi muito boa e os cânticos bem cantados, mas nota-se que as pessoas saem com uma tristeza da igreja, não saíram com o coração cheio. Nos concertos tentamos transmitir a alegria.

Padre Juan – Partilho uma curiosidade.  Em março eu estive ligado a um projeto que se chama “God Tellers”, em Gaia. É um grupo de jovens de Canelas que prepara, há vários anos, um festival de música cristã em que participam grupos católicos e grupos evangélicos. Quando estava no continente, participei duas vezes nesse evento. Preparam um grande palco na rua. É um evento público. 

Xana – Uma coisa que nos complica, penso que todos os grupos sentem isso, é que temos os nossos trabalhos, temos as nossas vidas. Isso limita-nos muito nesta entrega que queremos fazer. Queremos dar tanto e não conseguimos. Não somos perfeccionistas, mas queremos fazer as coisas com qualidade. Nós podemos querer fazer várias coisas, mas se sabemos que não temos capacidade para o fazermos, não nos metemos. Para fazer um concerto é preciso 10, 20 ensaios. É preciso muita logística, conciliar os nossos horários. Mas com força de vontade e com a ajuda de Deus, tudo é possível. 

Como é que a música pode colaborar na transmissão da “alegria do Evangelho” como diz o Papa Francisco? 

Francisco – Ao participar nalgumas missas, às vezes vejo uma tristeza na cara das pessoas que cantam nos coros. Aquilo que cantamos e tocamos, as pessoas percebem como nos sentimos. Sabemos que para haver qualidade, tem de haver ensaios. Acima de tudo as pessoas têm que se dar bem. Há dias falava com um colega que ensaia um coro paroquial. Ele dizia que está cada vez mais difícil lidar com as pessoas porque A não canta com B, porque não gosta de B e B não canta com C, e passamos a ter um coro que não se entende. A mensagem bonita que deveria ser transmitida acaba por não se conseguir transmitir. 

O vosso grupo tem músicas originais?

Xana – Eu escrevi uma música. Uma delas foi para a Semana de Oração pelas Vocações, a nível nacional. Na altura eu estava na diocese de Bragança e pediram-me para escrever uma música e correu bem. A música está bonita. Mas não fui eu, foi o Espírito Santo que desceu sobre mim. Porque eu não me sinto capaz de escrever uma música. Quando alguma coisa sai de bom, eu acredito que foi o Espírito Santo. 

Padre Juan – Acho também que é um processo que estamos a fazer, conforme as coisas forem correndo, vamos encontrar a forma de fazer alguns temas originais. Eu tenho alguns temas que foram feitos para coisas específicas, com a guitarra na mão. Para mim a maior dificuldade são as letras. 

Para além do talento e da vontade o que é preciso para passar a mensagem? 

Padre Juan – A fé é fundamental. Posso ser um grande músico, mas sobretudo neste estilo de música, é importante.

Xana – Falta-nos um bocadinho de oportunidade. Nós próprios darmo-nos a conhecer mais, e as pessoas conhecerem quem é o “Projeto Akustica”. É necessário usar mais as redes sociais, contacto pessoal com os senhores padres, catequeses. 

Francisco – Este ano não temos arraiais. Poderia ser boa ideia, no fim de uma celebração festiva, fazer um concerto. Era uma boa sugestão. Penso que as pessoas iam gostar. Era uma oportunidade das pessoas nos conhecerem. 

Padre Juan – No grupo que tinha no continente, a uma certa altura, nós tínhamos muitos convites de comissões de festas, para fazer um concerto ou outro, mesmo integrado nas festas. A questão de nós irmos às paróquias vai da sensibilidade das pessoas que estão a organizar as festas. 

Qual a importância das redes sociais no “Projeto Akustica”? 

Carlota – Acho que as redes sociais são importantes. Quando a Xana entrou, começamos a ter mais visibilidade. Ela gosta de fazer os vídeos. Isso é bom para partilharmos. E até costumamos partilhar nas nossas páginas pessoais. Vai chegando a mais pessoas. Por acaso aconteceu, quando foi o concerto Mariano, tínhamos publicado na nossa página o cartaz e eu fui passando pelos meus amigos. Depois recebi mensagens sobre o concerto: “Quando é? Como posso ir?”. As redes sociais dão visibilidade ao nosso grupo. 

Padre Juan – Através das redes sociais também podemos fazer chegar a mensagem, se calhar, a muitos que não estão aqui na Madeira, e que assim podem ser evangelizados.

Qual é o vosso contacto? 

Xana: Temos o projetoakustica no Facebook, no YouTube e no Instagram, e temos o email: projetoakustica@gmail.com. São as formas mais fáceis de nos contactarem, de conhecerem o nosso trabalho e verem o que estamos a fazer.