Dia de São João: D. Nuno Brás visitou Calhau da Lapa e presidiu a Eucaristia 

Foto: Duarte Gomes

As Insígnias do Espírito Santo visitaram esta quinta-feira, dia 24 de junho, o Calhau da Lapa, no Campanário. Até aqui nada de novo. Aliás, manda a tradição que assim aconteça – só o último foi exceção por causa da pandemia – neste dia de São João.

Depois da Missa das oito da manhã, na Igreja de São Brás, as insígnias desceram em direção ao mar, mas não sem antes passarem pela escola Básica do Campanário, pela a Associação Desportiva Campanário e pela Escola Secundária.

Uma vez mais o relato nada tem de novo, bem sabemos. Mas se lhe juntarmos a presença de D. Nuno Brás já temos novidade e novidade e digna de registo, tanto mais que esta foi a primeira vez na história que um bispo visitou aquela zona.

Depois de uma viagem de mais ou menos dez minutos, o tempo necessário para percorrer a distância que separa o Calhau do Cais da Ribeira Brava, onde embarcou no ‘Calais e Ilda’, o prelado chegava ao cais do Calhau.

D. Nuno Brás era aguardado por inúmeras pessoas que o saudaram com aplausos, num sinal claro de satisfação pela sua presença. Enquanto se dirigia para uma zona mais central do espaço, onde se celebraria depois a Missa, D. Nuno Brás foi retribuindo os cumprimentos e agradecendo as boas-vindas.

Coube depois a Luís Drumond, presidente da Associação Desportiva do Campanário que tem uma ligação privilegiada com aquele espaço, onde gere as chamadas ‘Casinhas do Calhau’, relatar ao bispo diocesano a história do local e referir que esta foi “uma visita histórica” e de “uma grande dimensão espiritual”.

Ajudarmo-nos uns aos outros

Na homilia da Eucaristia a que presidiu, D. Nuno Brás refletiu sobre as leituras começando pela primeira que, disse, “nos ajudava a perceber a figura de São João Baptista e a sua missão, mas também e sobretudo a nossa figura e a nossa missão”.

No referido texto, o profeta Isaías dizia que o Senhor o tinha chamado desde o ventre materno o que “significa que Deus pensou em nós, em cada um de nós antes mesmo de nós nascermos”.

Quer dizer, “assim como os pais e as mães sonham que o filho que há de nascer vai ser médico, engenheiro, futebolista como o Ronaldo, Deus também tem um sonho para todos nós, para cada um de nós”. Ele “ama-nos ainda antes de nós nascermos e o amor de Deus é uma realidade que está antes de tudo aquilo que nós possamos ser ou fazer”. Um “amor incondicional, que dá vida, que cria”.

Quanto ao que Deus quer para nós, D. Nuno Brás explicou que “é uma realidade muito simples”. Quer que “nós sejamos capazes de viver com Ele, que sejamos capazes de o ter na nossa vida, que aquilo que fazemos, pensamos e sejamos não seja a partir de nós, mas seja construído e vivido com Deus”. Ou seja, precisamos “aceitar que Deus quer viver connosco, quer partilhar a sua vida connosco, porque é isso que é a felicidade, a felicidade consiste em termos Deus na nossa vida”.

Por outro lado, explicou o prelado, não basta vivermos apenas para nós, egoisticamente à procura da nossa felicidade. Enquanto cristãos, temos “a missão de ajudar os outros a serem felizes, que o mesmo é dizer, temos de nos ajudar uns aos outros a viver com Deus, de nos ajudar uns aos outros a caminharmos para a felicidade”.

“Foi precisamente isso que aconteceu aqui, o que aqui vemos é sinal disso. Contaram-me que a igreja do Campanário foi feita à conta da iniciativa do povo de vir aqui buscar material, de se ajudarem uns aos outros para construir a igreja”, disse ainda o prelado para logo referir que “essa era também a missão de São João Baptista”. Ele que “foi pensado por Deus, ainda antes de Isabel e Zacarias o conceberem” e em quem “Deus encontrou alguém que o escutava, alguém que anunciava que Jesus Cristo estava para chegar e que preparava os caminhos do Senhor”.

Agradeçamos ao Senhor porque Deus nos ama, agradeçamos ao Senhor porque ele nos ama e peçamos ao Senhor esta graça de encontrarmos nele a nossa felicidade, de sermos cada um e todos verdadeiramente felizes e de nos ajudarmos uns aos outros nesse caminho da felicidade”, concluiu.

No final da celebração, solenizada pelo grupo da Universidade Sénior da Ribeira Brava, o Pe. Adelino Macedo, pároco do Campanário, agradeceu a presença de D. Nuno Brás e de todos os que participaram nesta Eucaristia, cuja postura o sacerdote enalteceu, desejando que “o Senhor a todos recompense e abençoe”.

Seguiu-se a bênção das embarcações que se encontravam fundeadas nas imediações do cais e a visita a mais algumas das casas e furnas ali existentes. Era nestes últimos espaços, escavados na escarpa íngreme, que os pescadores e os comerciantes guardavam os seus utensílios e também as mercadorias.

Depois do almoço, peixe como não podia deixar de ser, D. Nuno rumou até à Fajã dos Padres. Ali, o prelado foi recebido pelo proprietário do espaço, Mário Jardim Fernandes, que conduziu o bispo ao restaurante ali existente. Uma vez mais houve bênção, mas desta vez deste espaço que dá apoio aos visitantes, que foram sendo ‘presenteados’ aqui e ali com uma cantiga entoada pela saloia e pelo tocador de acordeão que a acompanhava.

No fim da visita, em vez de regressar ao ponto de partida, isto é, ao cais da Ribeira Brava, D. Nuno subiu de teleférico que, para além do mar, é a outra porta de entrada na fajã.

Em jeito de balanço, o bispo do Funchal disse ao Jornal da Madeira que este foi um “dia muito bem passado” e que é “sempre muito bom poder estar com as pessoas”.

Por outro lado, frisou, é nestes momentos que se percebe as “dificuldades que as pessoas tiveram de ultrapassar” e a “tenacidade” com que o fizeram. “Hoje estes espaços são espaços turísticos, de lazer, mas nem sempre foi assim”, lembrou D. Nuno Brás.