São José: D. Nuno desafiou crismados a perceber Jesus ressuscitado nas suas vidas

Foto: Duarte Gomes

No domingo, dia 20 de junho, D. Nuno Brás ministrou o Sacramento do Crisma a 84 jovens, sendo que 39 eram da Paróquia de São Roque e 45 da Paróquia de São José, as quais têm como pároco o Pe. José Luís Rodrigues.

Na celebração em São José, aquela em que o Jornal da Madeira esteve presente, o bispo do Funchal, centrou a sua homilia numa reflexão sobre o Evangelho de São Marcos (Mc 4,35-41), que nos relatava o episódio em que Jesus seguia na barca de Pedro e mandava acalmar o mar e o vento que prontamente lhe obedeceram, o que deixou os apóstolos admirados. Admiração essa que nos remete para a falta de fé e para as dúvidas que tiveram os próprios discípulos relativamente à pessoa de Jesus.

Uma situação que, frisou, nós compreendemos muito bem até porque, muitas vezes, também nós “temos dificuldade na fé”.  Por outras palavras, também nós nos interrogamos sobre quem é Jesus, aquele homem que morreu na cruz, que ressuscitou e que nos oferece a vida eterna e sobre o que Ele significa para cada um de nós.

Interrogamo-nos sobre o que é ser cristão, sobre o que faz de nós cristãos, sendo que a resposta está no Espírito Santo, quer dizer, “no espírito de Jesus que toma conta daqueles apóstolos, daqueles pescadores analfabetos cheios de medo da Galileia e os faz ir pelo mundo fora, anunciar”.

A propósito, D. Nuno Brás disse ainda que ser cristão é “quando o Espírito Santo vem à nossa vida, vem até nós e nos transforma e nos faz um com Jesus Cristo”, mostrando que Jesus Cristo não é “uma ideia”, alguém “que diz coisas bonitas”, já não é “simplesmente um homem”, mas “alguém vivo, que faz parte da minha vida, que está presente”. 

E é por isso que o cristão “não pode deixar de falar, não pode deixar de mostrar”. E isto acontece connosco “no batismo, no crisma quando celebramos um sacramento”, disse o prelado, para logo frisar que é esse mesmo “espírito de Jesus ressuscitado, que ajuda aqueles que são crismados a não terem medo de falar de Jesus e a ter forças para serem cristãos”.

Numa breve referência à 2ª leitura, D. Nuno explicou ainda que tal como dizia São Paulo, “quem vive com Cristo é uma nova criatura” que assume “um novo modo de viver, um novo modo de ser humano, de olhar para a realidade, de olhar para a nossa vida, um novo modo de olhar para aquilo que fazemos e aquilo que somos”. 

D. Nuno Brás terminou a sua intervenção apelando aos jovens que iam ser crismados e à restante assembleia que, num minuto de silêncio mostrassem que “o Senhor pode contar connosco” e que “para cada um de nós Ele já não é um homem distante que viveu há dois mil anos, um homem que falou e disse coisas bonitas, mas é alguém que nós percebemos que está presente na nossa vida, vivo, ressuscitado a dar uma nova força, um novo vigor, um novo entusiasmo àquilo que vivemos e àquilo que somos”.

No início desta celebração, coube ao Pe. José Luís Rodrigues agradecer a presença do bispo diocesano na paróquia. Depois de sublinhar que “estamos num tempo especial que a nossa geração nunca tinha experimentado”, o pároco de São José disse que é neste contexto que temos de viver, porque “o desafio é sempre esse: continuarmos a vida”. 

De resto, “talvez este contexto seja o contexto propício para procurarmos através dos sacramentos nos inspirarmos, ganharmos coragem, ganharmos força, consistência interior dos valores desta dimensão espiritual que nos constitui, porque afinal, se nos reduzirmos à materialidade ficamos muito pobres”.  Daí, prosseguiu, “temos de procurar elementos que nos enriqueçam por dentro, porque essa é a verdadeira fortuna que Deus quer que nós cultivemos, a da interioridade”. 

O Sacramento do Crisma que pediu para os jovens, disse, é “procurar essa interioridade essa espiritualidade para ganhar força, perder os medos e estar na vida, no mundo na sociedade para serem cidadãos e futuramente responsáveis por famílias, esse elemento tão essencial e tão importante para a construção do mundo, para a construção da humanidade”.

“Que este momento de chegada, através da caminhada da catequese, seja agora como que uma rampa de lançamento para a vida, para continuarem a vossa história, para fazerem as vossas opções, inspirados pelos dons do Espírito Santo”, disse o sacerdote, já quase no final da celebração.

Já D. Nuno aproveitou a sua última intervenção antes da bênção final para, como é seu hábito nestas celebrações pedir três coisas aos jovens crismados. A primeira é que “sigam o Espírito Santo, a segunda que o abordem caso o prelado passe por eles e não os reconheça e a terceira que sempre que se lembrem rezem uma Avé Maria pelo bispo, mesmo que seja a correr.