São Sebastião: Confraria conta a história em livro e D. Nuno deseja que exemplo seja seguido por outras

Foto: Duarte Gomes

Foi apresentado na passada sexta-feira, dia 18 de junho, na Igreja de São Sebastião, em Câmara de Lobos, o ‘Livro da Confraria do Mártir São Sebastião’.

Trata-se de uma obra da autoria de Sónia Silva Franco, editada pela empresa ‘Arteleia’, Produção de Conteúdos Literários, que segundo o bispo do Funchal “tem muitas qualidades”. Uma delas, explicou, é a de “olhar para a história de São Sebastião”, outra a de “olhar para a história da Confraria de São Sebastião” e uma terceira é a de “apresentar testemunhos dos irmãos e tudo isto entrelaçado, ou seja, não temos uma secção para cada coisa. Tradição, passado, presente e futuro está tudo ali interligado”.

“Tomara que todas as confrarias da nossa ilha fossem capazes de fazer um livro como este, porque verdadeiramente está aqui um manancial que nos recorda o passado, que é testemunho vivo do presente e de como hoje a fé é importante e é essencial e que nós queremos legar àqueles que hão-de vir depois de nós”.

Depois de uma intervenção em que falou sobre São Sebastião, que “tem uma grande presença na vida da fé”, sobre a devoção do povo de Câmara de Lobos a este santo e sobre as confrarias e a sua importância a vários níveis, nomeadamente na passagem do testemunho cristão, D. Nuno Brás terminou dizendo que tem “esperança de que este bom exemplo possa ser seguido por muitas outras confrarias da nossa ilha, e quase todas as paróquias têm uma, quanto mais não seja para mostrar o quão importantes foram e são as confrarias aqui na ilha, na entreajuda na vida cristã” e para mostrar que “a fé é, de facto, um modo de sermos uma sociedade melhor”.

Já Sónia Silva Franco referiu que “ao aceitar o desafio lançado pelo Jorge Filipe Freitas para elaborarmos este livro, ficou bem claro desde o início que havia que perpetuar a memória não só das pessoas que deram o seu testemunho, como também cuidar da preservação das tradições e da história do mártir São Sebastião”.

Depois de agradecer a confiança depositada na ‘Arteleia’ por parte da direção da Confraria do Glorioso Mártir de São Sebastião, Sónia Silva Franco agradeceu aos confrades e demais fiéis que “ajudaram, com os seus testemunhos, a dar alma a este livro” que, disse, levou quase dois anos a fazer. Agradecimentos extensivos às entidades que apoiaram a Confraria na concretização desta obra e à equipa que com ela trabalha.

Jorge Filipe Freitas, presidente da confraria explicou por sua vez que este livro é “um resumo das memórias da confraria, das memórias da nossa paróquia, das memórias dos nossos irmãos da confraria e de todos aqueles que, nos últimos 50, 60 anos têm memória daquilo que eram as festas e a comemoração do São Sebastião aqui na nossa paróquia”.

E foi com a intenção de “preservar essas memórias” que a confraria “pôs mãos à obra para que este livro visse a luz do dia”. Um livro que deveria ter sido apresentado no passado dia 20 de Janeiro, Dia de São Sebastião, o que acabou por não acontecer devido à pandemia”.

Com chancela da ‘Arteleia’ esta é, frisou ainda Filipe Freitas uma obra que pretende “lembrar o passado, compreender o presente e preparar o futuro através da história, da oração e da reflexão para os dias de amanhã”.

Já o presidente da câmara, Pedro Coelho, sublinhou a importância do livro agora lançado, referindo que o mesmo “retrata as nossas memórias, as nossas tradições e sobretudo o papel que as confrarias têm na comunidade”. Um papel que “não se limita à preparação da festa em honra de São Sebastião”, mas que abrange também “um conjunto de iniciativas de índole social que ao longo do ano vai promovendo junto da comunidade”.

Pedro Coelho frisou ainda que “esta confraria tem sabido inovar”, abrindo as portas também às mulheres, o que acontece desde 2017, e acolhendo entre os seus 30 elementos pessoas que representam a comunidade desde estudantes a funcionários públicos, passando por pescadores e comerciantes. Uma “multiplicidade muito importante porque enriquece a nossa confraria, o nosso espírito e a nossa paróquia”, disse o autarca que lembrou ainda os que fizeram parte da confraria e que já não estão entre nós.

Celso Bettencourt, presidente da junta de freguesia, deu os parabéns à confraria e à ‘Arteleia’ por este livro que “vem dar importância, e registar para memória futura, aquilo que é uma paróquia que vem dos primórdios da povoação”. Os camaralobenses, disse, são um “povo com identidade e São Sebastião demonstra o que é essa identidade de um povo que nunca renegou a sua fé e que mesmo nas adversidades sempre lutou pelos seus direitos passa aqui uma mensagem importante da fé como forma de sermos uma sociedade melhor”. Por tudo isto, “a junta de freguesia não podia deixar de se associar e apoiar este livro que agora é lançado” e que “passa para o papel aquilo que foram muitos séculos desta paróquia e da Confraria de São Sebatião”.

Quanto ao anfitrião desta cerimónia, Pe. Marcos Pinto, disse que este livro é “um bocadinho daquilo que foi uma parte da história desta igreja”. Um levantamento iniciado muito antes do sacerdote ter sido nomeado pároco, mas que ficará guardado para memória futura num espaço que a paróquia possui junto à zona de acolhimento e cartório zona essa que foi alvo de obras que tornaram o espaço, benzido pelo bispo nesta sua deslocação, mais funcional e aprazível.