O pequeno Noah

D.R.

A notícia do aparecimento do pequeno Noah fez respirar de alívio o nosso país, que acompanhava todas as informações sobre a criança de dois anos que na madrugada de quarta-feira tinha desaparecido da sua residência em Proença-a-Velha.

Quem pode imaginar a angustia de um pai e de uma mãe que não sabe onde está o seu filho, e que imaginam os piores cenários. Talvez por isso uma das imagens que mais me tocou foi o emocionante momento do reencontro de Noah com o seu pai. A felicidade que emana do rosto do pai e do menino não deixam ninguém indiferente.

Nos cafés que acompanhavam as notícias pela televisão ouviram-se aplausos e gritos de contentamento quando a criança foi encontrada por populares, pelas 20 horas de quinta-feira, numa zona florestal a cerca de dez quilómetros de distância da sua casa.

É natural questionar: como é possível que uma criança de 2 anos tenha conseguido caminhar 36 horas num ambiente hostil, cheio de mato e arame farpado, tenha atravessando uma ribeira e passado a noite ao relento? Alguns consideram “muita sorte”, outros um “milagre”, ou ainda “um mistério com final feliz”.

Nesta operação estiveram envolvidos 127 elementos, entre GNR, sapadores florestais, bombeiros, proteção civil, judiciária, equipas cinotécnicas, drones e mergulhadores que vistoriaram as linhas de água e os poços. Também participaram dezenas de voluntários.

As imagens transmitidas pelos noticiários, desta corrente de inter-ajuda à procura do menino Noah, recordaram-me o provérbio africano que diz: “É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança”. Sabemos que estas situações são uma corrida contra o tempo. Não há dúvidas que a colaboração de todos foi essencial para o bom desenlace desta história que tocou o nosso coração. Foi preciso uma aldeia inteira para encontrar esta criança.

Tânia Ribas de Oliveira escreveu nas redes sociais: “Voltou e cheio de vida, o Noah. Um bebé abraçado por todos, porque poderia ser um dos nossos. E é. Caramba, que sirva para que percebamos que ‘muito mais é o que nos une do que aquilo que nos separa’. Que seja uma aprendizagem para todos, todos os dias. O Noah, que se tornou o bebé de todos nós, voltou bem para casa. Já não estamos habituados a finais felizes, infelizmente. Mas este menino devolveu aos nossos corações a esperança”.