Dia do Clero: Núncio Apostólico pediu aos padres que sintonizem o seu coração com o coração de Cristo

Foto: Duarte Gomes

O Núncio Apostólico em Portugal presidiu esta sexta-feira, dia 11 de junho, na Sé do Funchal à Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, num dia em que se assinalou também o Dia do Clero.

Uma oportunidade para D. Ivo Scapolo agradecer pela possibilidade de poder presidir, na qualidade de representante do Papa Francisco, a esta solene celebração da Eucaristia que “nos convida a compreender com todos os cristãos a largura e o comprimento, a altura e a profundidade do amor de Cristo, que ultrapassa todo o conhecimento”.

E fazemo-lo, acrescentou, “celebrando o mistério eucarístico que, como muito bem expressa o programa da diocese neste ano pastoral deve constituir o elemento central da vida de fé de cada batizado e de cada comunidade cristã”.

De resto, frisou o arcebispo, a liturgia Eucarística é “a maneira mais eficaz de nos ajudar a entender e a pôr em prática o imenso amor de Cristo, simbolizado eficazmente na imagem do Sagrado Coração de Jesus”.

“Cada vez que celebramos o memorial do sacrifício de Jesus na cruz, temos ocasião de entender melhor como foi grande e concreto o amor de Jesus que, pela nossa salvação, aceitou livremente entregar a sua carne e derramar o seu sangue”, explicou o representante do Papa em Portugal, para logo referir que “cada Santa Missa é, portanto, ocasião para sintonizar os nossos corações com o coração de Cristo”.

Infelizmente, lamentou D. Ivo Scapolo, “muitas vezes os nossos corações não vibram na mesma frequência que o coração de Cristo”. Em vez disso batem desafinados “por causa do pecado, da mediocridade e da mentalidade do mundo”.

É por isso que “cada celebração eucarística, se vivida com fé e recolhimento, deveria transformar-se num momento de graça no qual Jesus nos indica o amor concreto e generoso como o que dominou a sua vida e deve ser ponto de referência da nossa vida”. E “cada comunidade cristã desta diocese chegando a ter um só coração e uma só alma chega a ser como uma maravilhosa orquestra onde cada um, segundo os dons e carismas que recebeu, contribui para executar uma maravilhosa sinfonia constituída por tantos actos de fé, esperança e caridade, reiterando assim o mistério do amor de Deus”.

O arcebispo explicou ainda que celebrando o Dia do Clero, mas lembrando também os 500 anos da escolha de São Tiago Menor como padroeiro da Diocese e da Cidade do Funchal, “ajuda-nos a viver de maneira ainda mais intensa esta experiência de sintonizar os nossos corações com o Sagrado Coração de Jesus”.

A figura, as palavras e a vida de São Tiago, salientou D. Ivo, “constituem um exemplo concreto do que deveria ser também a nossa vida”. Um “luminoso exemplo de fé em Jesus e de quem dedicou o resto da sua vida, chegando a ser o primeiro bispo de Jerusalém”, uma “pessoa muito respeitada pela sua bondade, simplicidade, sabedoria” que foi “paciente a ajudar sobretudo judeus cristãos a assimilar o espírito do Evangelho” e em “testemunhar que Jesus era o salvador”, mesmo que isso o tenha condenado à morte.

“Sem dúvida que o Coração de São Tiago vibrava em uníssono com o Sagrado Coração de Jesus”, disse o Núncio, lembrando ainda que no momento do martírio Tiago disse as mesmas palavras de perdão de Jesus: ‘perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”.

Além disso, na sua Carta que faz parte do Novo Testamento, São Tiago “recorda-nos, indica-nos de forma concreta e detalhada o que significa estar em sintonia com a nota dominante que Jesus no deu: o mandamento do amor, vivido de maneira muito concreta e muito coerente”, explicando que a fé, se não tiver obras, está morta.

“É motivo de admiração, alegria e profundo significado que hoje se cumpram exatamente 500 anos, desde aquele 11 de Junho de 1521, no qual escolheram informalmente o apóstolo São Tiago como Padroeiro”, lembrou D. Ivo Scapolo para logo considerar que é “um sinal forte com o qual Deus convida os membros desta comunidade diocesana a colocar-se em plena sintonia com o Sagrado Coração de Jesus, assim como o fez São Tiago e como irá continuar a dar esta comunidade, como o fez nos séculos passados, testemunho de fé, esperança e caridade”.

D. Ivo enfatizou ainda que “temos de pedir a Deus que esta diocese possa continuar a dar muitas e santas vocações à vida sacerdotal e consagrada”, lembrando que por ser um local de turismo a Diocese do Funchal tem aqui “uma ocasião excecional para continuar a dar, graças à sua vocação para a globalidade, um testemunho semelhante àquele que, nos séculos passados, foi dando nos diferentes continentes”.

O Núncio Apostólico terminou a sua reflexão pedindo que “por intercessão da Virgem Maria, Mãe de Deus e Mãe da Igreja, cujo coração Imaculado Coração celebramos amanhã, esta comunidade diocesana tenha a possibilidade de continuar a ser um maravilhoso instrumento nas mãos de Deus, para estender o seu reino. Um reino de paz, de justiça e de amor, na expetativa da chegada gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo”.

Agradecimentos e ofertas

No início desta Eucaristia, concelebrada por D. Nuno Brás, pelos bispos eméritos e por uma boa parte do clero madeirense, o prelado voltou a manifestar a sua alegria por esta visita de D. Ivo e a saudar através do Núncio o Santo Padre.

Depois de dar graças a Deus pela feliz coincidência de datas e de acontecimentos, nomeadamente no que aos 500 anos do voto a São Tiago diz respeito D. Nuno Brás fez saber que “queremos verdadeiramente caminhar na comunhão, progredir nesta comunhão que é Deus e vem de Deus e nos dá esta alegria, esta felicidade verdadeira de partilharmos da sua vida”.

Além disso, frisou D. Nuno, “queremos pedir ao Senhor que nos dê santos e cada vez mais sacerdotes para o serviço do povo de Deus.”

Já os agradecimentos finais ficaram a cargo do vigário geral da diocese. O cónego Fiel de Sousa reforçou as palavras iniciais de D. Nuno, reafirmando que “os corações de todos os católicos desta diocese jamais deixaram de pulsar cada vez mais com maior entusiasmo, unidade e oração pelo Santo padre” e que a Diocese do Funchal, apesar de pequena “continua a ser sal e luz do mundo” e a estar em união com toda a Igreja.

Para que o Núncio Apostólico em Portugal se “lembre sempre desta que foi a sua primeira visita à Diocese do Funchal, se lembre destes padres e deste bispo”, foi-lhe oferecida uma “pequena mas preciosa imagem do Menino Jesus” do século XVII, devidamente restaurada, que como disse D. Nuno, “marca tanto o Natal, marca tanto esta nossa ilha e a sua fé”.

Já D. Ivo agradeceu o presente e a forma como foi recebido por todos. Agradeceu ainda a oportunidade de conhecer os bispos eméritos, que também trabalharam por esta comunidade diocesana. Uma comunidade que vive numa ilha cheia de belezas naturais e edificadas, como é o caso da Catedral, mas cuja maior riqueza é o seu “património espiritual e religioso” pelo qual os sacerdotes têm obrigação de zelar e de o transmitir às novas gerações.