D. Nuno Brás diz que discurso de Marcelo propõe um Portugal mais solidário e mais acolhedor

Foto: Duarte Gomes

O bispo do Funchal reagiu ao discurso do presidente da República, no 10 de Junho, sublinhando que o mesmo foi essencialmente “voltado para o futuro”, numa “dimensão de quem propõe um Portugal mais solidário e mais acolhedor uns dos outros e daqueles que nos visitam”.

Em declarações ao Posto Emissor do Funchal, D. Nuno Brás classificou o discurso de “excelente”, tanto mais que “indica esta perspetiva de reconstrução, ou seja, de que nós devemos aproveitar toda esta situação de pandemia, não para esquecer aquilo que somos, somos portugueses e que bom que somos, mas para dar à nossa sociedade, ao nosso viver em sociedade um cariz mais social um cariz mais de cuidado pelo outro e de acolhimento pelo outro”.

Neste sentido, o prelado frisa mesmo que foi “com muito agrado que vi todas as referências que o senhor Presidente da República fez aos imigrantes, que precisamos dos emigrantes, porque os portugueses sozinhos não conseguem resolver tantas questões e tantos desafios que nos são colocados”.

Recorde-se que na sua intervenção, Marcelo Rebelo de Sousa apelou a que se reconstrua “o tecido social ferido pela pandemia” e não se desperdice fundos europeus transformando-os numa “chuva de benesses para alguns”.

O chefe de Estado elogiou os emigrantes de Portugal e pediu para os acolhermos do mesmo modo que queremos que acolham os nossos lá fora.

“Somos uma pátria de emigrantes e, por isso, estranho será se não pensarmos e não sentirmos que não podemos querer para os nossos emigrantes aquilo que negamos aos emigrantes dos outros que agora acolhemos”.

O Presidente destacou que são os emigrantes que “dão natalidade que não temos e serviços básicos que necessitamos, sobretudo durante a pandemia”, frisando que é dia para agradecer aos irmãos de nacionalidade que por este globo criam Portugais”.

Já em relação à intervenção de  Carmo Caldeira, presidente da comissão para as comemorações do Dia de Portugal, e à preocupação por si demonstrada de que a medicina, “empolgada pela ciência, seduzida pela tecnologia e atordoada pela burocracia, apague a sua face humana”, D. Nuno Brás considerou que “haverá sempre o desafio técnico da medicina”, mas é importante que “não se perca o lado humano”.

Um alerta que corresponde ao grande apelo da Igreja à medicina e a toda a sociedade e que vai no sentido de que “nos saibamos comportar como seres humanos, com a dignidade de seres humanos que Deus nos deu” e “sermos capazes de perceber que para além do aqui e agora, dos problemas do aqui e agora temos depois um horizonte de vida e de vida eterna”.

Num contexto de pandemia, a médica lembrou que nem sempre a ciência tem respostas, disse que as pandemias desequilibram as sociedades. A pandemia COVID-19, além das vítimas mortais, a quem presto a minha homenagem, suspendeu as nossas vidas, os nossos afetos, interrompeu os nossos sonhos, o futuro dos jovens, acentuou o isolamento dos anciãos. As desigualdades provocadas pela pandemia obrigam-nos a um maior zelo, reflexão e mobilização na preparação de políticas estruturais para o futuro”.

Carmo Caldeira lembrou ainda a marca deixada pelos madeirenses no mundo, a importância de estender a Portugalidade através do digital.