Núncio exorta cristãos da diocese a continuarem a ser sal da terra e luz do mundo

Ser sal da terra e luz do mundo é “trazer uma melhoria” a este mundo, por muito pequena que seja. Para isso, salientou D. Ivo Scapolo, “é preciso ser fiel e perseverante, não obstante que nos sintamos uma minoria”.

Foto: Duarte Gomes

O Núncio Apostólico em Portugal, D. Ivo Scapolo, presidiu ao fim da tarde de terça-feira, dia 8 de Junho, a uma Eucaristia na Igreja do Monte.

No início da celebração, o bispo do Funchal deu as boas-vindas a D. Ivo Scapolo, dando conta da “alegria” com que a comunidade da paróquia de Nossa Senhora do Monte o saudava e através dela toda a Diocese, frisando ainda que esta porção do povo de Deus “querer ser, cada vez mais Igreja de Cristo, Igreja em união com o sucessor de Pedro que Vossa Excelência Reverendíssima aqui torna presente”.

O prelado explicou ainda que “esta paróquia guarda duas invocações que são queridas e centrais na fé quotidiana dos madeirenses: a imagem de Nossa Senhora do Monte, que de há tanto tempo tem animado e aumentado a nossa fé e o túmulo do Beato Carlos de Áustria, testemunho de santidade na vida familiar na vida política, testemunho de devoção à Eucaristia e de construção da paz”.

Daí a escolha da paróquia de Nossa Senhora Monte, “um lugar tão importante para a fé dos madeirenses”, para acolher a primeira celebração oficial desta visita. Uma oportunidade para D. Nuno Brás pedir ao representante do Sumo Pontífice, que “manifeste ao nosso Papa Francisco a nossa união, a nossa união como sucessor de Pedro e como aquele que nos conduz e dá testemunho constante do Evangelho em toda a terra”.

Na sua homilia, o Núncio Apostólico em Portugal refletiu sobre o Evangelho que, disse, “nos ajuda a tomar consciência de um aspeto importante da nossa vida de cristãos que é o facto de, como nos diz Jesus, nós somos sal da terra e luz do mundo”.

Ao nos dizer isso, prosseguiu, Jesus fá-lo de “uma maneira que nos permite abrir o nosso horizonte, o nosso coração a todo mundo”. Ele poderia dizer que “somos sal na vossa casa, na vossa comunidade, luz entre a vossa gente, no vosso povo. Mas não, Ele diz sal da terra e luz do mundo, tinha uma versão universal”.

Com estas palavras Jesus convida os seus discípulos e convida-nos a nós hoje a “viver esta dimensão, este anúncio, este testemunho do Evangelho numa dimensão universal, isto é, abertos a todo o mundo”.

Sendo a Diocese do Funchal uma diocese aberta à globalização, conforme pôde ler nos documentos que D. Nuno Brás lhe enviou tendo em vista a preparação desta sua visita, D. Ivo Scapolo reconhece que “é próprio da vossa essência, da vossa experiência esta abertura universal”. Quer dizer, “pela sua história esta comunidade diocesana tem uma responsabilidade especial de continuar a viver numa dimensão que tem sido efetivamente como Jesus nos disse”.

“Esta comunidade, com a ajuda do Espírito Santo e das graças especiais que o Senhor lhe deu, tem sabido viver esta dimensão: transformar-se em sal da terra e luz do mundo”, frisou para logo acrescentar que este é “um testemunho que os sacerdotes, religiosas, leigos deram neste arquipélago e em particular nesta ilha”. Os mesmos que assumiram também como missão ao “anunciar o Evangelho na Ásia e na América”.

“É importante, ao tomar consciência desta dimensão universal, lembrar que esta grande obra de salvação tem de ser realizada em comunhão com todos os nossos irmãos que fazem parte da Igreja, desta grande família de Deus, que connosco estão em diferentes continentes a anunciar o Evangelho e a testemunhar Jesus Cristo morto e ressuscitado”, sublinhou ainda o Núncio, que lembrou o bonito que é, “quando alguém trabalha para um grande projeto, saber que não está só, que há irmãos que enfrentando situações muito difíceis, alguns deles morrendo até, estão tentando ser como Jesus nos disse: sal da terra e luz do mundo”.

E ser sal da terra e luz do mundo é “trazer uma melhoria” a este mundo, por muito pequena que seja. Para isso, salientou, “é preciso ser fiel e perseverante, não obstante que nos sintamos uma minoria”.

De resto, perante uma sociedade que propõe “outros modelos de vida e outros valores que não são os verdadeiros, temos de aceitar que somos uma minoria e temos de aceitar a necessidade de ir contra a corrente e dizer coisas e testemunhar comportamentos que às vezes nos podem causar problemas, discriminação e humilhação”.

E mesmo que nos acusem de ser antigos a verdade é que para “sermos fiéis a Jesus, ao seu Evangelho temos também de viver esta experiência de sermos uma minoria, uma minoria que sabe mudar a realidade que está ao seu redor”.

Daí o apelo para que o “Senhor nos ajude a renovar o nosso compromisso de trabalhar em comunhão com o Papa, com todos os nossos irmãos que no mundo anunciam o evangelho e a colaborar para esta obra de salvação” e para que “nos dê coragem, fidelidade, coerência para ser verdadeiramente sal da terra e luz do mundo, não obstante que muitas vezes o tenhamos de fazer numa situação de minoria”, porque “sabemos e confiamos que com a ajuda do Senhor e a força do Espírito Santo podemos realizar grandes coisas”.

No final da celebração, o Pe. Vitor Sousa, pároco do Monte, agradeceu a presença e testemunho de D. Ivo Scapolo, a quem pediu que levasse ao Papa a certeza de que “rezamos por ele e pela comunhão da nossa Igreja” da mesma forma que rezamos “por si e pelo D. Nuno”.

A paróquia entregou a D. Ivo um pequeno livro do Santuário de Nossa Senhora do Monte, uma medalha da nossa comunidade e também uma oração de consagração a Nossa Senhora do Monte e outra do Beato Carlos”.