Portal informativo do Vaticano destaca acervo de relíquias do Castelo de Ourém em Fátima

O perito português Carlos Evaristo com o Santo Cálice custodiado em Valência, Espanha | D.R.
A Regalis Lipsanotheca no Castelo de Ourém, em Fátima – Portugal, “possui o maior acervo de relíquias do mundo, fora do Vaticano, e já contou com as bênçãos de Madre Teresa de Calcutá e da Irmã Lúcia”, afirma o brasileiro Fábio Tucci Farah, um dos curadores do museu inaugurado no ano 2000 e reinaugurado em 2018 por parte do Ministério da Cultura do país. O fundador do espaço, Carlo Evaristo, um dos maiores especialistas do mundo no assunto, revela que estão em plena fase de restauro e conservação de relicários doados pelo governo de Portugal, inclusive de corpos de mártires.

As origens do apostolado e da Regalis Lipsanotheca

O perito em relíquias conta que esse movimento para criar um acervo começou ainda no final da década de 80, no Canadá, quando foi fundado o primeiro apostolado com o apoio de amigos, mentores e benfeitores. Nos Anos 90, então, nasceu a Cruzada Internacional pelas Relíquias Sagradas (a ICHR – International Crusade for Holy Relics) que “promove a santificação pessoal dos devotos, a propagação das normas da Igreja quanto ao culto, o uso e a veneração das relíquias, além do registro de coleções para a salvaguarda das mesmas”, conta Carlo Evaristo ao Vatican News. Hoje, essa associação de fiéis conta com mais de 5 mil membros, protetores eclesiásticos e capelães em todo o mundo e a Cruzada está “canonicamente erigida em várias dioceses”.

A Regalis Lipsanotheca, em Portugal, além de receber centenas de relíquias todos os anos, é uma base que abriga um centro de estudos, um laboratório, uma biblioteca, um acervo documental e, principalmente, um repositório sagrado de relíquias e relicários a fim de trabalhar “no restauro, na autenticação, na reautenticação e na conservação dos mesmos através do estudo científico e da pesquisa histórica”. Dalí são publicados artigos, escritos livros e fornecida ajuda para a produção de catálogos para exposição de relíquias. Hoje há normas que a Igreja colocou em vigor para as relíquias, por exemplo, explica Carlo, que foram propostas pela Regalis Lipsanotheca ao Vaticano em 1991. Um exemplo é a decisão de não se autenticar mais relíquias anteriores ao Século IV “com emissão do documento chamado Autentica”, porque elas “são ‘de tradição’ e, por isso, não podemos dizer com toda a certeza que são o que reportam ser, embora seja muito provável que sejam, e os estudos científicos a sustentem”.

“Hoje trabalhamos pela valorização das relíquias, pois é um sacramental esquecido, e insistimos no seu uso correto, não fanático ou supersticioso, no culto litúrgico e devocional, promovendo isso através de conferências, palestras e estudos publicados. Combatemos também abusos, abandono, a venda e a falsificação e estamos colaborando com vários santuários com relíquias, tais como o de Santiago de Compostela e o de Braga, e ainda com o Gabinete dos Patronos dos Museus do Vaticano para a angariação de fundos ao apoio à conservação deste patrimônio sagrado.”

A importância de valorizar as relíquias

O perito português explica ainda que fazem “parte de Comissões Diocesanas de Relíquias” (inclusive com um projeto para criar um acervo do género na Arquidiocese de São Paulo) e ainda ajudam “várias lipsanotecas, museus, universidades, santuários e postuladores” nesse contexto: também “patrocinamos intervenções através das nossas fundações e fornecemos relíquias autênticas da nossa coleção – de dezenas de milhares – para os postuladores, tais como as de São Nuno de Santa Maria e da Beata Maria Cristina de Saboia que não tinham relíquias para distribuição”, revela ele. A Regalis Lipsanotheca, co-fundada por John Haffert e Pe. Carlo Cecchin, tem patrocício de várias Casas Reais, como a Portuguesa, a Brasileira, a Francesa e a Italiana.

“É importante a Igreja hoje revalorizar as relíquias, não só como tesouros espirituais e sacramentais que são como parte dos corpos dos santos que estão no céu, mas também para sabermos que tipo é na realidade: se de primeira, segunda ou terceira classe, se são relíquias daquilo que reportam ser ou relíquias místicas, sobrenaturais ou representativas, tais como imagens milagrosas, algumas das quais surgiram na Idade Média depois com os Presépios e Vias Sacras ao vivo.”

Esse trabalho de análise das relíquias é feito por “uma equipe multidisciplinar de peritos do apostolado que inclui historiadores, arqueólogos, antropólogos e especialistas em vários ramos, incluindo aquele em DNA”, fazendo com que a Regalis Lipsanotheca seja hoje “o principal centro e depósito de relíquias para estudo, conservação, reautenticação e exposição devocional”, finaliza Carlo Evaristo, ao recordar:

“As relíquias são um tesouro espiritual e cultural que estão nas raízes do cristianismo e, por isso, devem de ser consideradas património mundial.”

Andressa Collet – Vatican News