Cristãos Laudato Si’

Exposição: "Todos juntos por mais cidadania ambiental" | Largo da Restauração

“O tempo está a acabar! Mude os seus hábitos”. Foi este cartaz que me chamou a atenção quando, após a celebração do Corpo de Deus na Sé do Funchal, passei pelo Largo da Restauração e vi uma exposição da Câmara do Funchal, integrada na comemoração do Dia Mundial do Ambiente, assinalado a 5 de junho. Uma data criada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1972. Uma frase na exposição obrigou-me a parar e pensar: “Em 2050 haverá mais plástico nos oceanos do que peixes”.

No final de maio, o Papa Francisco lançou a Plataforma de Ação Laudato Si’ que se vai estender por sete anos, em vista a uma ecologia integral em favor da natureza e do homem porque “o egoísmo, a indiferença e os estilos irresponsáveis estão a ameaçar o futuro dos jovens”. Neste caminho, são apresentados sete objetivos Laudato Si’: resposta ao clamor da terra, resposta ao clamor dos pobres, economia ecológica, adoção de estilos de vida sustentáveis, educação ecológica, espiritualidade ecológica, e envolvimento da comunidade e ação participativa. “Das mãos de Deus recebemos um jardim; aos nossos filhos não podemos deixar um deserto”, afirmou Francisco.  

Esta plataforma de ação foi projetada para envolver diversos setores: famílias; paróquias e dioceses; instituições educacionais; instituições de saúde; organizações e grupos; setor económico; e comunidades religiosas. Todos são chamados a adotar estilos de vida sustentáveis. 

Um exemplo de concretização das propostas da Laudato Si’ é o da Conferência Episcopal de Bangladesh, que ao longo deste ano já plantou mais de 700 mil árvores.

De acordo com um estudo sobre a aplicação da encíclica Laudato Si’ em Portugal, realizado pelos jornalistas António Marujo (7Margens) e Ricardo Perna (Família Cristã), “metade das dioceses portuguesas não incluem ainda os temas da Laudato Si’ no currículo de formação dos futuros padres na sua diocese nem nas catequeses, planos pastorais ou outros momentos formativos. E nenhuma das dioceses tem definidas metas ecológicas propostas pela encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco”.

Perante os resultados, o Pe. Joshtrom, coordenador do setor Ecologia e Criação do Vaticano, fez duas sugestões aos bispos portugueses: “dar mais protagonismo aos jovens” e ter “estratégias globais, porque fazer ações individuais não será suficiente”. E que isto possa ser organizado e promovido  por uma “equipa de ecologia da Conferência Episcopal”. 

Rumo aos 50 anos do Dia Mundial do Ambiente, que se realizará a 5 de junho de 2022, porque não envolver os cristãos, as paróquias e a diocese?