Sonho de alerta em semana de bênçãos

O sonho de São Bosco com as duas colunas que sustentam a barca da Igreja

Ouvem-se com frequência convites aos jovens que sonhem e se animem. Nesta semana de bênçãos, temos um dia de visitação de duas mães e o dia dos irmãos (31), o dia da criança (1) e a festa do Corpo e Sangue de Jesus (3). Não será tarde evocar o sonho de um santo educador de crianças e jovens. A maior parte dos leitores conhecerá o sonho de S. João Bosco na noite de 30 de maio de 1862. Rezou com os seus rapazes e sonhou. Contou o sonho e pediram que o interpretasse. Aqueles tempos não eram muito animadores para os temas do sonho que hoje continuam atuais na Igreja. Envolvem verdades sublimes da fé cristã católica narradas na Bíblia, Antigo e Novo Testamento, da tradição cristã, mas associam-se a grandes borrascas de fazer estremecer a Igreja como hoje nalguns países. O sonho de João Bosco centrou-se nas “colunas” da Eucaristia e de Nossa Senhora, a Imaculada Virgem Maria, Mãe de Jesus, Filho de Deus. Colunas que impedem a Igreja de se afundar em mares revoltos de tempestades e guerras. 

A Madre Teresa em 3.02.1994 disse que a maior ameaça para a paz é “o aborto, porque o aborto é declarar guerra à criança inocente que morre nas mãos de sua própria mãe”. Preocupam a Igreja as crianças abusadas, vendidas e deixadas morrer à fome. O Evangelho evoca maravilhas de duas crianças na Visitação de Nossa Senhora (31 de maio): Maria, grávida do Menino Jesus, visita Santa Isabel, grávida de João Batista. Duas crianças de coração a bater antes de serem dadas à luz! Não digam que a Bíblia não aborda o encanto dos nascituros; basta o que aí fica e a palavra de Jeremias: “antes de teu nascimento, eu já te havia consagrado” (Jr 1,5). A Carta a Diogneto (séc. II) testemunha que os cristãos se casavam como todos, mas não se descartavam dos recém-nascidos (V,6). Paira o alarme sobre a Igreja na América em que alguns pretendem ser católicos, promover o aborto e continuar a comungar o Corpo de Cristo. Somam duas profanações: da vida humana infantil e da Eucaristia do Corpo de Cristo, celebrada neste dia.

Outra profanação sacramental está em querer benzer (dizer que é bem), o que não se pode benzer: a união sexual de dois homens ou de duas mulheres, parodiando o matrimónio cristão de que nascem as crianças. Este ato irreverente é muito grave e já levou um cardeal a chamar-lhe blasfémias e “contradições cínicas da santidade de Deus” sobre o símbolo da união de Cristo com a sua Igreja (cf. https://www.catholicworldreportcom/2021/05/27/cardinal-muller-calls-on-pope-francis-to-intervene-with-the-church-in-germany/ (30.05.21).Profanam assim o sacramento, símbolo da união nupcial de Cristo com a Igreja, geradora de filhos de Deus e irmãos adotivos de Jesus.

 As profanações do matrimónio cristão, da vida e da Eucaristia ameaçam a unidade da Igreja católica nos Estados Unidos; e na Alemanha, pondo-a à beira da divisão. A ideologia, demagogia e cientismo do género não estará a ameaçar a seriedade da ciência e a desonrar a academia? Nem tão pouco a aberração blasfema honra a teologia e a fé cristã. O Card. Mueller pede uma clarificação teológica para ajudar a reduzir confusões tendenciosas e a sair de erros pretensiosos contra a tradição milenar do matrimónio cristão.

As palavras de S. João Bosco naquela noite de 1862, precisamente, véspera da festa da Visitação, 31 de maio, podem dar, contudo, alguma esperança: “A Igreja já passou por grandes tribulações. As que já passaram, não têm comparação com aquelas que estão para vir” (in O boletim “Ao Largo” 22.09.2004). Mais que blasfémias de uniões inférteis irreverentes, no seu dia, as crianças precisam de carinhos e bênçãos para elas e para seus pais e mães, pois estes, no sacramento católico de pai e mãe, tornaram-se procriadores abençoados por Deus. Também não ajuda saber que alguns comungam o Corpo de Cristo, “carne da Virgem Mãe, por obra do Espírito Santo” e não se arrependem nem emendam de impedir o nascimento de criancinhas. Esquecem a bênção de Deus ao homem e à mulher: “sede férteis e multiplicai-vos” (Gen. 1,28). E este “dia dos irmãos(ãs)”, criado em 2014 é ainda festa de família  para que nela pais e irmãos vivam o abençoado amor de uns pelos outros; e não, como Caim, o assassino de Abel: “acaso sou o guarda do meu irmão?” Os nascituros são predestinados por Deus como seus filhos de bênção familiar desde a conceção e batismo. Ao rezar o terço no dia 31 de maio com o Papa no jardim do Vaticano, também me associei a pedir que Nossa Senhora abençoe e “desate tantos destes nós” de violência nas famílias humanas e na família eclesial; e de divisões que duram há 500 anos! (G. Mueller).

Funchal, Corpo de Cristo de 2021