Bispo do Funchal exortou advogados a serem espelho e presença do Deus justo e misericordioso     

O bispo do Funchal presidiu na quinta-feira, dia 27 de maio, a uma Eucaristia na Sé com que se assinalou o Dia do Advogado, profissionais a quem D. Nuno Brás exortou para que sejam “cada vez mais espelho e presença do Deus justo e misericordioso”. 

Num tempo em que, mais do que em qualquer outro, “se faz sentir a fome e a sede de justiça, que caracteriza a existência humana”, D. Nuno Brás lembrou que “procuramos de tal modo por justiça que não raras vezes a queremos exercer pelas nossas mãos, procuramos de tal modo por justiça que não raras vezes deixamos que ela seja protagonista dos palcos mediáticos ou das redes sociais, como se a justiça coincidisse com a opinião da maioria, procuramos de tal modo por justiça que não raras vezes condenamos apenas baseados em opiniões, procuramos de tal modo por justiça que a reduzimos a mera vingança individual ou coletiva”.

No meio desta procura, disse o prelado, “esquecemos a misericórdia”. Esquecemos “o rosto do ser humano concreto nas suas limitações, mas também na sua grandeza de ser imagem, semelhança de Deus justo e misericordioso”

D. Nuno Brás, que começou a sua homilia por lembrar que a justiça é uma característica de Deus, tal como a misericórdia, explicou que o ser humano é o único à face da terra que “pode procurar exercer seja a justiça seja a misericórdia”. Na verdade, frisou, “o exercício humano da justiça, mostra que nós, seres humanos, somos semelhantes a Deus, participamos nas realidades que caracterizam o próprio Deus e nisso emergimos e nos distinguimos da natureza e todos os demais seres vivos”.

Depois de lembrar que “com muita facilidade a justiça humana se pode deixar aprisionar pelo rancor, pelo ódio, pela crueldade, pela vingança” e que “com muita facilidade a justiça se desvirtua”, terminou apelando que, “ao celebrarmos Santo Ivo, patrono dos advogados, peçamos ao Senhor por todos quantos no seu quotidiano têm como missão o exercício da justiça e de todas as atividades relacionadas com esse exercício. Peçamos para eles a virtude da justiça e ao mesmo tempo o olhar de misericórdia, que o mesmo é dizer, a graça de serem cada vez mais espelho e presença do Deus justo e misericordioso”. 

De referir que nesta celebração estiveram presentes o Bastonário da Ordem dos Advogados, Luís Menezes Leitão, e a presidente do Conselho Regional, Paula Margarido, o Presidente da Assembleia Legislativa da Madeira, José Manuel Rodrigues e o Vice-Presidente do Governo Regional, Pedro Calado, entre demais representantes de entidades civis e militares e, claro, vários advogados. 

Antes desta Eucaristia, a Ordem dos Advogados homenageou, a título póstumo, o advogado madeirense França Pitão, com a entrega da Medalha de Honra e com a atribuição do nome do jurista ao auditório do Conselho Regional da Madeira da Ordem dos Advogados. Uma cerimónia em que o bispo do Funchal também marcou presença.