Um segredo em voz alta

D.R.

«Um segredo – um segredo em voz alta: essas crises mundiais são crises de Santos» Caminho, S. Josemaria Escrivá de Balaguer, ponto 301 

Quando pensamos em santidade, habitualmente vêm-nos à mente imagens de homens ou mulheres que viveram no mundo, mas fora do mundo: São João Batista que vivia no deserto e comia mel silvestre e gafanhotos, S. Francisco, o poverello de Assisi, que viveu a pobreza e a caridade até às últimas consequências e que falava com o irmão lobo e a irmã lua, ou a Madre Teresa de Calcutá, que dedicou toda a sua vida aos mais pobres dos pobres de Calcutá.

Assim, nós, homens e mulheres “normais” do século XXI, podemos achar que a «santidade» não é para todos. A maioria de nós não estará disposta a comer gafanhotos, nem a dedicar a sua vida a viver entre os moribundos de Calcutá.

Mas e se ser «Santo» significar conhecer a vida de Jesus Cristo lendo os Evangelhos e escolhê-Lo como nosso Personal Trainer para a vida? E se ser «Santo» significar estar conscientes de que Alguém nos ama e acompanha ao longo de toda a nossa vida, se nós deixarmos. E se ser «Santo» significar aceitar os desafios, mais ou menos exigentes, que esse Alguém, cuja amizade aceitamos, nos vai colocando a cada dia?

Ao olharmos para o mundo, ao assistirmos aos noticiários tão semelhantes a filmes de terror, podemos pensar como a Mafaldinha do saudoso cartoonista Quino: “Parem o mundo, que eu quero sair!!!”. Outra opção é “pôr os óculos da fé” que só conseguiremos colocar caso deixemos que os Evangelhos se façam vida em nós, permitindo que o Amigo nos proponha o rumo a seguir. Então, perceberemos porque é que ao mesmo tempo que vemos tanta corrupção no mundo, tantos crimes hediondos que estão a ser cometidos agora mesmo, também agora mesmo há tantas e tantos que dão a sua vida para salvar vidas, acompanhar idosos, ensinar crianças, dar de comer a quem tem fome, ou levar esperança a quem já a perdeu.

De facto, estas crises mundiais são crises de «Santos». São causadas por todos nós que em vez de olharmos para Cima e para o lado, só sabemos olhar para o nosso umbigo. São causadas por todos nós que rejeitamos a Grandeza que Deus nos propõe, que é a Grandeza da humildade e do Amor. Estamos ainda no período Pascal: que tal responder Sim ao Amor que Deus derrama sobre cada um de nós? Que tal ir atrás d’Ele?

Vamos sempre a tempo de escolher o caminho da Santidade. Esse caminho que implica deixar que Cristo seja o nosso principal influencer e que façamos render os nossos dons para os pôr ao serviço de Deus e do próximo, sem medo de nos entregarmos por inteiro.

São Josemaria Escrivá de Balaguer desafiava qualquer um que se cruzasse no seu caminho a santificar todos os caminhos da terra, até ao lugar mais recôndito, levando o fogo do Amor de Cristo e a Cristo. Podemos santificar todo o nosso dia. Basta oferecer a Deus tudo o que fazemos, tentando que a nossa oferta seja o mais bonita possível, e recomeçar a cada dia sem medo dos tropeços que virão.

O prémio final da Santidade é o melhor de todos, é o único pelo qual vale realmente a pena lutar: a Vida Eterna!

Sofia Quintana (Professora)