O pequenino “Moisés”

D.R.

Um bebé de dois meses foi resgatado das águas do Mar Mediterrâneo, ao largo de Ceuta, numa corrida contra o tempo pela sobrevivência, qual pequenino “Moisés” (Ex 2, 1-10).

“Pegámos no bebé, ele estava congelado, com frio, não gesticulava. Não sabia se estava vivo ou morto”, revela o guarda espanhol Juan Francisco Valle ao jornal “El País”.  Entretanto, a Guarda Civil já confirmou que a criança está bem e em segurança.

Este agente, membro do Grupo Especial de Atividades Subaquáticas de Ceuta, passou praticamente dois dias na água, com a restante equipa, na tentativa de salvar os migrantes, sobretudo crianças, oriundos de Marrocos, numa das maiores crises humanitárias dos últimos tempos. Está treinado para “quase qualquer situação no mar”, mas nunca tinha encontrado “uma maré humana” destas dimensões, com “centenas de desesperados”. “Havia muitos pais e mães com seus filhos amarrados como podiam”, descreveu Juan Valle.

O porta-voz da Guarda Civil explicou a urgência da situação. “Tivemos muitos destes resgates no limite. Os agentes saltaram para o mar sem pensar, tirando a roupa ou com ela”. No caso daquele bebé, o guarda lançou-se imediatamente ao mar quando viu que o pai e a criança estavam a afogar-se na praia de Tarajal, “o pai não podia com o bebé, afogavam-se, o guarda salvou-o”. 

Desde o início da semana passada chegaram a Espanha cerca de nove mil migrantes, dos quais  mais de 2000 eram crianças sozinhas e sem documentos. 

As autoridades afirmaram que a entrada ilegal em Ceuta foi feita por via marítima, com recurso a embarcações insufláveis, e por via terrestre, trepando as altas cercas fronteiriças que separam esta cidade autónoma espanhola do território marroquino. 

Cerca de metade dos migrantes já voltaram a Marrocos e os menores foram instalados em centros de acolhimento, para depois serem distribuídos pelas várias localidades espanholas. Muitas crianças têm sete, oito e nove anos e choram, pedindo desesperadamente para voltar ao seu país, para perto das suas famílias, diz o jornal online infoLibre. “São meninas e meninos muito pequenos, que se viram envolvidos numa situação que não queriam”, adiantou uma responsável.

“Percebes que os meus pais não têm trabalho e o sistema educativo é muito fraco. O que posso dizer é que as pessoas nem sequer têm o suficiente para comer. Os meus pais vêem que eu posso ter um futuro aqui”, disse uma criança ao portal informativo “euronews”.