Poliedro

D.R.

Talvez por causa da importância da visão (esse sentido tão enganador, mas a que entregamos toda a confiança!), os seres humanos têm muitas vezes o tique de julgar que são o centro do mundo. Não apenas vemos a partir de nós como julgamos a partir de nós: pensamos que todos vivem como nós, sentem como nós, pensam como nós, respondem e reagem como nós. E achamos que as nossas ideias, o nosso modo de viver e de agir é aquele que todos devem seguir, porque sendo o melhor para nós, achamos que é o melhor para todos. Nada mais enganoso.

Na Encíclica Fratelli tutti, o Papa Francisco convida-nos a ser de outra forma: a perceber que todos têm algo importante a dizer, e que é importante escutar todos e todas as perspectivas. É aquilo a que o Papa gosta de chamar o “poliedro”. “É um estilo de vida — diz o Santo Padre — que tende a formar aquele poliedro que tem muitas faces, muitos lados, mas todos compõem uma unidade rica de matizes”. E ainda: “O poliedro representa uma sociedade onde as diferenças convivem integrando-se, enriquecendo-se e iluminando-se reciprocamente, embora isso envolva discussões e desconfianças” (215).

Quer dizer: o Papa Francisco convida-nos todos a sermos capazes de escutar os outros, as suas opiniões e modos de viver, e desafia-nos a ser capazes de contribuir para a construção da sociedade e a aceitar o contributo de todos. Mesmo que isso implique o risco de discussões e desconfianças.