Abril: Liberdade, o que é isso?

D.R.

Este é o mês adequado para pensar a Liberdade. Mas, por uma vez, vamos deixar a política de lado: sem falar em comemorações de datas, sem louvores a nada nem a ninguém, nem pesar pelo caminho que seguimos ou sequer o estado a que chegamos.

É que Liberdade é uma palavra bonita, faz-nos pensar em algo que nos liberta de uma qualquer prisão incómoda, asfixiante, que nos permite alargar horizontes porque ser livre é ser pessoa. E ser pessoa resume-se, realmente, em querer o Bem e rejeitar o mal, ser feliz! 

Mas, é esta a “liberdade” real que estamos a viver? Não, não é. “A minha liberdade acaba quando começa a liberdade do outro” é a frase sinistra, talvez bem intencionada, que hoje envenena as consciências e que justifica tudo. Assim, uma suposta liberdade de outro é algema da minha liberdade, e nem posso cortar a algema e avançar… não posso ser demasiado livre porque a liberdade de outro me impede. Mas isto faz algum sentido? 

Não, eu faço o bem e rejeito o mal, exercendo a minha liberdade e nada nem ninguém pode condicionar a profunda liberdade do ser humano. Mas, o que é pedido, agora, é a triste mentalidade de escravo. Tudo é permitido, e tudo é mesmo tudo, nem sequer é necessário pensar já que estamos obrigados a aceitar aquilo que uma estranha liberdade de outro – mesmo que se trate de rejeitar o bem e aceitar o mal – venha a ditar.  

Basta ater-nos no principal – também porque é aquilo que está na ordem do dia – a defesa da Vida humana: em nome de uma suposta “liberdade” de alguns, estamos, na verdade, perante a resignada aceitação do maior mal que é a destruição do maior bem. 

Quando o maior bem que é a Vida (sem ela nada existe) é tão completamente desrespeitado, quando abdicamos da liberdade de defender a Vida para não colidir com a suposta liberdade de quem defende a sua destruição (por misericórdia, claro…) já não podemos falar de Liberdade. Afinal a “lista de liberdades” que hoje inconscientemente aplaudimos – com os seus nomes próprios: prostituição, aborto, eutanásia, manipulações genéticas, barrigas de aluguer, etc, etc, etc. – exige uma infindável lista de negações da Liberdade, por mais capas de misericórdia que coloquemos à aceitação do maior mal.

Que tempos estranhos de confusão e sonolência! Apetece fazer uma proposta ousada, revolucionária: substituir a tal frase cool, tão em voga, a minha liberdade/ a liberdade do outro, por outra um bocado retro mas muito mais expressiva: “Pensem! Olhem que a cabeça não serve só para usar o chapéu”. Saudades dos conselhos da minha avó!

Basta de tormento! Afinal, não serão muitos, mas ainda se encontram bastantes jovens e menos jovens com este mesmo desejo, quase um lema a seguir: “Pensar. Atrever-se a pensar. Atrever-se a saber.” E acrescento, a agir em conformidade…se possível.

Maria Romano