“O padre deve ser alguém muito atento aos sinais dos tempos”

O Pe. Carlos Manuel Freitas celebrou as bodas de prata sacerdotais

Neste domingo, a Igreja celebra o “Domingo do Bom Pastor” e o Dia Mundial de Oração pelas Vocações”. 

O padre Carlos Manuel Gouveia Freitas, pároco da Ribeira da Janela, Seixal e São Vicente, partilhou com o Jornal da Madeira o seu testemunho de vida por ocasião do 25º aniversário da sua ordenação sacerdotal celebrado no passado dia 11 de abril. 

1 – Como nasceu a sua vocação? 

Pe. Carlos Manuel – Os sinais vocacionais foram despertados no fim da adolescência/início da fase juvenil. Para tal contribuíram vários fatores, como o ambiente familiar, a oração diária, eucaristia semanal e confissão frequente, bem como o estímulo das catequistas e do pároco de então. Posso afirmar com clarividência que a família e a paróquia foram o colo materno da Igreja que me acolheu, acompanhou e estimulou no chamamento e discernimento vocacional. No meu caso concreto, muito devo à família e paróquia os meus primeiros passos na descoberta da vocação rumo ao sacerdócio. 

2 – O que significa para si estar a celebrar as bodas de prata sacerdotais?

Pe. Carlos Manuel – Celebrar as Bodas de Prata é antes de mais dar graças a Deus e bendizê-lo por servir-se da minha pequenez, para que, dia-a-dia, eu procure ser dom e serviço feito tarefa e entrega constante. As datas jubilares revestem-se de uma dupla faceta: memória e esperança. Memória agradecida pelo dom do sacerdócio ministerial, revivendo emocionado o dia alegre da ordenação sacerdotal e esperança no desafio a arriscar, investir e ousar a descobrir ativos que façam rentabilizar os talentos para investir ao serviço do Reino. 

3 – O que é ser padre? 

Pe. Carlos Manuel – Num mundo multicultural, pluralista e secularizado o padre deve ser alguém muito atento aos sinais dos tempos. Perante as muitas e graves dificuldades do tempo presente: desemprego, o fenómeno da exclusão de grupos sociais vulneráveis em vez da solidariedade, a falta de uma cultura verdadeiramente democrática, o padre é chamado a ser criador de uma cultura de aliança e de perdão, de reflexão e conversão. O mundo em mudança pede uma leitura permanente por parte do exercício do nosso ministério.

4 – Como é que as comunidades cristãs onde é pároco estão a viver este tempo de pandemia?

Pe. Carlos Manuel – As comunidades cristãs, nestes tempos incertos e inconstantes, e apesar dos afastamentos das nossas vidas, mantêm determinantemente a sua matriz cristã. No mar da instabilidade, sinto que os cristãos das três comunidades encontram na fé um porto seguro, um farol luminoso e uma âncora sólida. Estou certo que este tempo de pandemia, marcado pelas regras sanitárias, contribuiu para recriar a espiritualidade, valorizando-a na vida quotidiana das nossas famílias e comunidades. Constato que muitas famílias souberam recriar uma solidão fecunda, auxiliando-se dos meios digitais, rezando juntas e privilegiando simultaneamente os momentos de oração individual.

Pedras Vivas 25 de abril de 2021 (A4)

Pedras Vivas 25 de abril de 2021 (A3)