República Democrática do Congo: Filhas da Misericórdia pedem ajuda para sua missão

D.R.

Ilha de bondade

Nos arredores de Kinshasa, a cerca de 70 quilómetros da capital da República Democrática do Congo, numa zona muito empobrecida, fica a casa das Filhas da Misericórdia. Estas irmãs franciscanas, que se dedicam ao cuidado de crianças e mães em risco, estão neste país africano apenas desde Setembro de 2019. Desde então, são várias já as jovens que se sentem atraídas pela bondade destas mulheres consagradas e que sonham seguir também os seus passos…

O nome não podia ser mais apropriado. A Casa da Misericórdia das irmãs franciscanas está sempre de portas abertas. É uma casa aberta à comunidade, principalmente aos mais necessitados, crianças órfãs, raparigas e jovens em risco, mães em dificuldades. Por ali todos são bem-vindos e todos sentem-se acolhidos. Em Maluku, na arquidiocese de Kinshasa, na República Democrática do Congo, as Filhas da Misericórdia estão a fazer uma pequena revolução. O amor tem uma infinita capacidade transformadora e estas mulheres consagradas estão a demonstrá-lo a cada dia que passa. A Casa da Misericórdia é muito recente. As irmãs só se estabeleceram na República Democrática do Congo em Setembro de 2019 e só em Abril de 2020 é que se mudaram para Maluku. Foi há precisamente um ano. A nova casa fica situada numa região muito pobre num dos mais pobres países do mundo. A Irmã Alejandrina Ayala explica que a zona de Maluku é uma “grande savana, com uma terra fértil mas que precisa de ser trabalhada”. Toda a área, acrescenta ainda esta religiosa responsável pela comunidade, “é considerada de extrema pobreza”. A casa das irmãs fica a cerca de 4 quilómetros de distância da população mais próxima. É uma ilha de bondade no meio quase de nada. A Irmã Alejandrina descreve esse nada. “Não há estradas, caminhos, água ou luz…” As dificuldades de quem vive assim em tão grande despojamento não parecem assustar algumas jovens que souberam do trabalho destas irmãs franciscanas e querem imitá-las. 

Simplicidade de vida

Duas irmãs africanas já professaram os seus votos perpétuos, uma outra fez os seus votos temporários e outras cinco estão apenas agora a começar. Todas se deixaram deslumbrar com o trabalho e a simplicidade de vida das religiosas. O trabalho não falta. As irmãs são responsáveis pelo acolhimento de crianças órfãs e de crianças de rua, procuram ajudar também as mulheres que vivem nesta região, especialmente as mães solteiras, capacitando-as para os desafios da vida, e tentam ainda desenvolver projectos para a sustentabilidade do trabalho agrícola. Os desafios são imensos e o futuro apresenta-se promissor com tantas jovens a quererem imitar os passos das Filhas da Misericórdia, congregação que nasceu na Croácia em 1920 e que hoje está presente em 14 países na Europa, África e América Latina. O problema é o dia-a-dia. As irmãs trabalham gratuitamente – o amor não tem preço – e todas as despesas da comunidade são suportadas apenas com a generosidade das populações locais. É uma contabilidade sempre criativa e difícil de fazer e que se tornou agora ainda mais exigente com a implacável crise que o coronavírus levou até aos quatro cantos do mundo. E que também chegou ali, a Maluku, uma zona isolada no meio da grande savana. As irmãs pedem ajuda à Fundação AIS para poderem continuar com a casa de portas abertas, servindo estas populações, servindo os mais pobres, os que vivem nas periferias. Os que praticamente nada possuem… “Estamos muito gratas a Deus por nos dar esta oportunidade de servi-Lo nos mais pobres”, diz a Irmã Alejandrina Ayala. Para isso, para continuar com esta missão, as religiosas franciscanas pedem a solidariedade dos benfeitores da Fundação AIS. Uma ajuda que agradecem de coração garantindo a todos, todos os dias, as suas orações.

Paulo Aido