Continuar a festa da Páscoa

D.R.

“Não é demais andarmos 40 dias a preparar a Páscoa e, depois, num só dia tudo fica celebrado?” — perguntava-me, há dias, um amigo. 

Claro que, mesmo que assim fosse, que tudo ficasse celebrado num só dia, valia a pena. Vivemos a Quaresma com os olhos na Páscoa, porque a ressurreição de Jesus é o lugar de onde parte toda a vida cristã. E tudo o que fazemos e somos como cristãos destina-se a viver cada vez mais e melhor a Páscoa de Jesus. Toda a nossa vida tem um ritmo e um rosto pascal.

Quer dizer: não basta celebrar a cruz de Jesus, é preciso que ela esteja erguida no nosso coração. E não basta celebrar a Páscoa de Jesus, é preciso que ela seja toda a nossa vida (a vida de cada cristão e a vida de todas as comunidades), ao ponto de podermos fazer verdadeiramente nossas as palavras de S. Paulo: “já não sou eu que vivo; é Cristo que vive em mim” (Gal 2,20).

Esta centralidade da Páscoa é de tal forma que continua a ser celebrada ao longo de todo o Tempo Pascal: 50 dias de alegria em honra de Cristo ressuscitado! O júbilo que vivemos não se deixa esgotar num único dia. É prolongado por todos estes dias de festa.

De um modo particular, na nossa Ilha, são os dias do Espírito Santo. Quer dizer: o Espírito de Jesus ressuscitado sai das paredes da Igreja (é levado pelos cristãos) para poder inundar a Ilha inteira e contagiar toda a gente. Mesmo em tempos de pandemia!