25 anos de sacerdócio: Pe. Carlos Manuel renovou os seus votos e confiou o seu ministério a Maria  

Foto: Duarte Gomes

O Pe. Carlos Manuel presidiu no domingo, dia 11 de abril,  a uma Eucaristia na igreja de São Vicente com a qual assinalou os seus 25 anos de ordenação. A celebração contou com a presença do cónego Fiel de Sousa, Vigário Geral da Diocese do Funchal, em representação de D. Nuno Brás, que se encontrava em Fátima, dos presidentes da Assembleia Municipal, da Câmara e da Junta de Freguesia de São Vicente, bem como da mãe e do irmão e de uma comadre do sacerdote bem como de vários paroquianos que se quiseram associar a este importante momento na vida do Pe. Carlos Manuel que, além de São Vicente, é ainda pároco do Seixal e da Ribeira da Janela.

Na homilia deste Domingo da Misericórdia, o sacerdote jubilado refletiu sobre as leituras, em particular sobre o Evangelho, que nos relatava o momento em que Jesus se reencontrou com os discípulos na mesma sala onde tinham estado na ceia de Quinta-Feira Santa e lhes deu o poder de perdoar os pecados.

Este reencontro teve lugar no domingo, primeiro dia da semana, num convite claro a que nesse dia façamos festa e nos alegremos. O dia em que “a comunidade cristã reunida à volta de uma mesa, particularmente da mesa do altar, escutando a palavra do Senhor e partilhando o seu pão, renova a certeza desse amor maior que se faz e se fez entrega total e plena na Cruz”.

É por isso que, disse o Pe. Carlos Manuel, “ninguém está dispensado desta reunião festiva dos filhos de Deus, sendo que “a aventura da fé, não é uma aventura isolada”, de modo que não se pode compreender que cada um diga que tem a sua fé, desligada do corpo, da comunidade e à qual nos propomos sozinhos”.

Como Tomé, de quem também nos falava o Evangelho, “quando nos afastamos da comunidade, o desafio de acreditar torna-se mais difícil e mais exigente”, disse ainda o sacerdote jubilado que considerou que “aquele que se afasta da comunidade afasta-se da experiência comunitária de Jesus Cristo, de um lugar privilegiado onde Deus se revela e manifesta como rosto da misericórdia do Pai”.

O Evangelho, prosseguiu, “apresenta Tomé como dídimo, isto é como gémeo”, porque “Tomé não está sozinho”. Na verdade, “também nós duvidamos e vacilamos quando nos afastamos da comunidade ou quando ferimos a comunhão e unidade pelas divisões e discórdias que nos afastam dos outros”. De resto, frisou, “o melhor testemunho que nós Igreja podemos oferecer ao mundo é a comunhão e a unidade, como comunidade acolhedora, geradora de relações fraternas para que, iluminada pelo Espírito Santo se torne lugar da paz que só o ressuscitado e o seu infinito amor podem oferecer e garantir”.

Hoje como naquele tempo, lembrou o Pe. Carlos Manuel, “Jesus continua a revelar as marcas da sua paixão e do seu sofrimento nas chagas dolorosas dos que se cruzam connosco”. Por isso, “professar a fé em Jesus Cristo ressuscitado é estar atento aos sofrimentos dos irmãos e procurar responder com gestos concretos de proximidade e misericórdia”.

A partir do nosso batismo, lembrou o pároco de São Vicente, somos enviados ao jeito de Jesus Cristo para sermos este anúncio da misericórdia de Deus, proclamando com a vida aquilo que os nossos lábios professam, sobretudo ao domingo, no dia do encontro, no dia da assembleia, no dia na nossa assembleia festiva”.

Tendo tudo isto presente, o Pe. Carlos Manuel deu conta da sua “alegria e júbilo por recordar agradecido o feliz dia 11 de abril de 1996 em que recebi, pela imposição das mãos, o dom do sacerdócio ministerial”. Um dom pelo qual agradeceu, como agradeceu também o dom da vida e o dom da vocação sacerdotal ao “serviço de Deus e do povo de Deus, nesta amada terra e Diocese do Funchal”. Lembrou ainda que “Deus a todos chama” e que cada um é chamado por Deus de forma única”. A dimensão desta verdade, prosseguiu, “evidencia-se particularmente na vocação sacerdotal. Levar o amor de Deus a todos os homens através do sacramento é a razão de ser do sacerdote”.

“Celebrar as bodas de prata sacerdotais é sempre uma data festiva e ímpar. Por isso diante de Deus e de cada um de vós renovo a minha consagração como sacerdote e pastor desta comunidade cristã, parcela do povo santo de Deus. Renovo a unção das minhas mãos e a consagração do meu coração e de todo o meu ser para que continue, dia após dia, a tornar presente o mistério da santíssima Eucaristia”, disse ainda o Pe. Carlos Manuel.

O sacerdote, que no final da celebração agradeceu aos “amigos incondicionais” sem os quais este percurso não teria sido o mesmo, voltou a confiar o seu ministério sagrado a “Maria mãe dos sacerdotes, a São José, Patrono Universal da Igreja e à intercessão de São Vicente, patrono desta nossa amada comunidade paroquial”.

Virtude da calma e do amor à Igreja

No final desta Eucaristia, em que a comunidade não só dirigiu palavras de apreço ao sacerdote pela sua missão e pelo trabalho que tem feito como o presenteou com um cálice e uma patena, o Cónego Fiel “agradeceu em nome da diocese ao Senhor por estes 25 anos de sacerdócio do Pe. Carlos Manuel” e por “todo o trabalho que ele tem feito por esta diocese, em comunhão com o seu bispo e em comunhão com todos os sacerdotes deste presbitério que todos nós formamos”.

Referindo-se à homilia, o vigário geral lembrou que o sacerdote “falava de duas vocações: a vocação da vida, que nós é dada pela família e a vocação do sacerdócio”, às quais acrescentou uma terceira: a da missão.

Há 25 anos, explicou, “o Pe. Carlos Manuel abraçou a fé, que lhe transmitiram os seus pais e a comunidade do Porto da Cruz, mas abraçou também este dom maravilhoso do sacerdócio”. Por isso o Cónego Fiel fez questão de “agradecer ao Senhor a família, porque nós temos estas três famílias e a de sangue, que nos dá a vida é importante, os nossos pais, irmãos e familiares mais próximos, pois será sempre um apoio”.

Agradeceu depois a vocação do presbitério, pela qual o sacerdote passa também a fazer parte de uma outra família, lembrando neste momento não só o Pe. Carlos Manuel, mas também o Pe. José Luís Rodrigues que celebrou igualmente neste dia as suas bodas de prata, e com eles “todos os sacerdotes e todos aqueles que os ajudaram a crescer na fé”. A propósito de vocação, o cónego Fiel convidou ainda a assembleia a rezar pelos nossos seminários, para que “o Senhor nos envie mais sacerdotes”.

Finalmente destacou o dom da missão, lembrando que o sacerdote é ordenado para servir tendo aproveitado, a propósito, para agradecer “a todas as paróquias onde o senhor padre serviu incluindo estas três que ele serve agora e que são a Ribeira da Janela, o Seixal e aqui em São Vicente, mas também para agradecer à comunidade humana, civil representada pelas entidades presentes.

De entre as várias virtudes do Pe. Carlos Manuel, o vigário geral distinguiu duas, nomeadamente “a sua paciência e a sua calma” e também “este amor grande à Igreja e à liturgia”.

O vigário geral terminou com uma referência a São João Maria Vianney, o Cura d’Ars, que já havia sido mencionado pelo próprio jubilado, quando este dizia que o coração do sacerdote tinha de ser o coração de Cristo. Tendo isto em conta o cónego Fiel de Sousa terminou desejando que, tal que como aqueles que abraçaram a fé e “abraçar a fé é colocar todos no coração”, também o Pe. Carlos seja capaz de o fazer assim como nós. E que o nosso coração “seja um coração que reúne, que ama e que abraça todos nesta comunhão que nos levará a ser mais felizes  até ao dia em que nos vamos encontrar com o Pai e com todos no céu”.