Eucaristia presidida por D. Nuno Brás assinalou 25 anos de sacerdócio do Pe. José Luís Rodrigues 

Foto: Duarte Gomes

O bispo do Funchal presidiu, na tarde do dia 10 de abril, a uma Eucaristia na igreja de São Roque, pelos 25 anos de sacerdócio do Pe. José Luís Rodrigues que se assinalam neste domingo. Na impossibilidade de estar presente no dia certo, D. Nuno Brás não quis deixar de associar-se a este momento importante, e de deixar ao Pe. José Luís “um abraço de gratidão e de amizade”. 

Na homilia desta celebração, D. Nuno Brás alertou para a importância de “acreditar sem ver” nos “efeitos da ressurreição” que, garantiu, são reais e não apenas “alguma coisa que eu inventei ou que eu sonhei”. 

A primeira leitura, disse o prelado, ajudava-nos a perceber quais são esses efeitos. “A multidão dos que tinham abraçado a fé, quer dizer, daqueles que acreditavam na ressurreição de Jesus, tinha um só coração e uma só alma, viviam unidos uns aos outros. Este é o primeiro efeito da ressurreição em nós: unidos uns aos outros”, explicou o prelado que continuou “ninguém chamava seu ao que lhe pertencia, mas tudo entre eles era comum, quer dizer, partilhavam o que tinham, partilhavam a vida, preocupavam-se uns com os outros”. 

Neste contexto, a grande questão que hoje se coloca é se verdadeiramente “somos testemunhas uns para os outros da ressurreição de Jesus”. É que, frisou D. Nuno, “precisamos do testemunho uns dos outros” para percebermos que “a ressurreição de Jesus é verdade, não é um sonho” e que ela “transforma a nossa vida em cada dia que passa”. 

“Felizes os que acreditam sem terem visto: este é verdadeiramente o nosso modo de viver, é verdadeiramente o modo como nos deixamos transformar por Jesus ressuscitado, é verdadeiramente o modo como olhamos para os outros e para as suas necessidades, é verdadeiramente o modo como cuidamos uns dos outros, é verdadeiramente o modo como somos comunidade que dá testemunho da ressurreição”, constatou o prelado, para logo acrescentar que “se calhar, olhando assim para cada um de nós, temos de reconhecer que há muito caminho ainda a percorrer”. Mas, prosseguiu, “não vamos desanimar, precisamente porque puxamos uns pelos outros e ajudamo-nos uns aos outros neste caminho”.   

De resto, “a nossa vida, a vida de cada um de nós, a vida da nossa comunidade é testemunho de que o Senhor ressuscitou verdadeiramente” e se assim não o for “são só vaidades”, disse o prelado, que a concluir exortou a assembleia a “pedir ao Senhor que nos ajude a sermos testemunhas uns para os outros da sua ressurreição e que Ele transforme o nosso modo de viver e de ser, de agir, de tal forma que olhando para nós sejam capazes de perceber que Ele ressuscitou verdadeiramente”. 

“Não queremos que nos louvem ou que nos digam que és muito bom, queremos apenas que olhando para nós sejam capazes de encontrar Jesus Ressuscitado”, disse ainda D. Nuno Brás para logo lembrar que é importante “pedirmos ao Senhor que nunca nos deixe desanimar neste caminho da vida cristã e que o Seu espírito vivendo em nós e transformando o nosso coração grite ao mundo inteiro que o Senhor ressuscitou verdadeiramente”.  

No final da celebração, o Pe. José Luís Rodrigues também usou da palavra. Começou por dizer que “a liturgia de hoje não podia ser melhor para celebrar esta etapa da minha vida”. Ela falava, lembrou, “do apóstolo cético, o padroeiro daqueles que têm dúvidas”, que nos dá conta “de que Deus é um Deus frio, com chagas e que para encontrá-lo é preciso descer aos caminhos do mundo e tocar as feridas desta humanidade que todos os dias está carregada de chagas”. 

“Nesta etapa de minha vida quero que Deus me livre de uma fé que seja só um sentimento como se fosse uma ilusão, como falou o senhor bispo, um ópio, fechando os olhos perante o sofrimento humano, perante as chagas da realidade da vida”, disse ainda o Pe. José Luís Rodrigues que entende que a fé deve ser “qualquer coisa que nos inquieta, que nos perturba, que mexe connosco e que nos põe a ir ao encontro das feridas da humanidade”.  

Quanto à ressurreição, que “não foi um final feliz”, o sacerdote diz que foi “um momento, um convite, um desafio para não nos separarmos da vida e das suas feridas”. E mesmo que “não consigamos sarar todas elas, devemos estar sempre presentes, tocando como São Tomé e acreditar na força transformadora do amor que Jesus mostrou e que quando Ele está presente a transformação acontece”.  

O Pároco de São Roque, disse ainda que “é esta a mensagem que eu tomo do Evangelho de São Tomé para esta etapa da minha vida, em que eu quero que se renove em mim esta paixão e que eu nunca deixe de tocar as feridas deste lugar, em particular onde estou neste momento, das pessoas que acompanho, das pessoas que me seguem, das pessoas que querem fazer esta caminhada da transformação através do amor”. 

A D. Nuno Brás, que se quis associar a esta etapa da sua vida o Pe. José Luís Rodrigues agradeceu. Um agradecimento reciproco como ficou claro nas palavras finais de D. Nuno Brás que agradeceu ao Pe. José Luís, e aos paroquianos de São Roque, por “serem suporte, apoio, para a minha vida de fé”. 

D. Nuno terminou lembrando que este é o Domingo da Divina Misericórdia que mostra “o amor de Deus por nós”, um amor que “nos empurra, nos acorda, para levarmos o seu amor a este mundo que tanto precisa dele”.