Aleluia!

Retábulo do altar-mor da Sé do Funchal | Foto: P. Giselo Andrade

Na quinta-feira santa, o retábulo do altar-mor da Sé do Funchal iluminou-se para a celebração da Missa crismal e renovação das promessas sacerdotais. Diante dos olhos estavam doze quadros, qual compêndio de catequese sobre a vida de Jesus, de Maria e da Igreja.

Ao iniciar o Tríduo Pascal, essas obras foram um convite à oração. No topo, chamou-me a atenção os quatro painéis sobre a Paixão de Cristo. 

O primeiro apresenta a agonia de Jesus no Horto das Oliveiras. Os três apóstolos, Pedro, Tiago e João estão a dormir enquanto Jesus, em oração, recebe um cálice das mãos de um anjo: “Pai, se quiseres afasta de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, mas a tua”. (Lc 22, 42). 

O quadro seguinte retrata Jesus a caminho do calvário, com a cruz às costas. Simão de Cirene ajuda Jesus a levar a cruz, acompanhado pela multidão. O Senhor, que está a ser puxado por uma corda, encontra-se exausto. 

O terceiro episódio apresenta a descida de Jesus da Cruz. José de Arimateia ajuda a retirar o corpo de Jesus. Nicodemos também colabora, segurando nos pés. O discípulo amado, com a cabeça junto ao peito aberto de Jesus, recebe o corpo do Senhor. A mãe, vestida de preto, vê o seu coração trespassado de dor. Realiza-se a profecia de Simeão: “uma espada trespassará a tua alma” (Lc 2, 35).

No quarto painel, contemplamos a ressurreição de Cristo. Coberto com uma capa vermelha, Jesus, à frente da entrada do sepulcro, está de pé. Com a mão direita faz o sinal da benção e na mão esquerda segura o estandarte da cruz. No episódio surgem três guardas. Dois a dormir e um a observar o ressuscitado. Recordei-me da passagem do livro do Apocalipse: “Estive morto; mas, como vês, estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da Morte e do Abismo!” (1, 18).

No primeiro dia da semana, no domingo, Maria Madalena e a outra Maria vão ao sepulcro e testemunham a ressurreição de Jesus: “Não temais. Ide anunciar aos meus irmãos que partam para a Galileia. Lá me verão” (Mt 28, 10). Pedro e João correram até ao sepulcro e viram os panos de linho no chão e o lenço enrolado à parte. O discípulo que Jesus amava “viu e começou a crer” (Jo 20, 8).