Obras Impressas nos Séculos XVI-XVIII: Catálogo revela vontade de colocar património ao serviço de todos

Foto: Duarte Gomes

Foi apresentado esta sexta-feira, dia 26 de março, na Cúria Diocesana o Catálogo das Obras Impressas nos Séculos XVI-XVIII, que compõem o fundo de reservados da Biblioteca da Cúria Diocesana do Funchal, da autoria de Sofia Bettencourt da Silva. 

Numa cerimónia restrita por causa da pandemia, o bispo do Funchal começou por agradecer a D. António Carrilho, um dos presentes, lembrando que a ele se deve a publicação desta importante obra, a cuja autora também agradeceu. 

D. Nuno Brás falou depois da importância do livro e desta obra em particular, “um livro de livros”, lembrando que “estes catálogos são essenciais para conhecermos a localização das obras, para conhecermos o seu conteúdo e para podermos ter acesso a elas”.

É esse acervo que “queremos colocar ao serviço de todos para que o possam consultar”, frisou o bispo do Funchal que aproveitou ainda para agradecer “toda a colaboração da Secretaria Regional [do Turismo e Cultura] na produção e na publicação desta obra”. 

“Esta obra ajuda-nos a tomar consciência do pensamento, muito dele desconhecido, que agora está mais disponível para ser consultado, embora este trabalho esteja longe de estar concluído”, disse ainda D. Nuno Brás, que manifestou o desejo que “depois desta obra outras venham e outros aprofundamentos se sigam”. 

Com a publicação deste catálogo fica completo um conjunto de obras de referência publicadas com o intuito de assinalar os 500 anos da Diocese do Funchal. Um facto a que D. Nuno Brás se referiu a concluir a sua intervenção, desejando precisamente que “esta obra seja conhecida de todos, que esta obra seja continuada e possa verdadeiramente ser um marco naquilo que é o conhecimento da cultura madeirense não apenas de agora, mas sobretudo da cultura daqueles que nos antecederam”.  

Preencher lacuna

Quanto à autora, a primeira a usar da palavra, fê-lo para lembrar precisamente que esta obra inclui-se nas comemorações dos 500 anos da Diocese do Funchal, cuja celebração “conferiu a oportunidade de compreender o seu papel ao longo dos séculos na vida não só de Portugal, mas também do mundo”. Foi também “uma ocasião ímpar para estudar o vasto e rico património cultural da nossa Diocese, faltando neste estudo refletir sobre as bibliotecas religiosas e o seu papel no desenvolvimento social e humano dos novos territórios descobertos.” De resto, “só agora no séc. XXI o mapeamento destas bibliotecas religiosas leva a uma compreensão do passado cultural português.”  

Apercebendo-se desta lacuna, refere a autora, “D. António Carrilho, então bispo do Funchal, criou as condições possíveis para o tratamento do fundo antigo da Biblioteca da Cúria Diocesana”. Foi “graças ao seu esforço em corrigir esta omissão que podemos estar hoje aqui”, frisou Sofia Bettencourt da Silva. 

A autora falou depois do acervo bibliográfico em concreto. Assim referiu, por exemplo, que o mesmo é composto em parte “pelo acervo histórico original da Biblioteca do Seminário do Funchal”, que ele é formado por livros impressos nos séculos XVI-XVIII e que são precisamente do século XVIII o maior número das obras que dele fazem parte. 

Adiantou ainda que a maioria das obras que formam este fundo, 70%, foram “impressas em prelos estrangeiros e os outros 30% em prelos nacionais”. São “obras publicadas em diversas cidades europeias como Amesterdão, Antuérpia, Veneza, Lyon, Madrid, Sevilha”. Já as obras de tipografia portuguesa, disse a autora, “saíram da cidade de Lisboa, Coimbra, Évora e Porto”. 

O acervo, na sua maioria em latim, contém algumas obras raras. Quanto às temáticas abordadas temos a teologia, o direito, o direito canónico, filosofia, história, história de Portugal, a genealogia da casa real Portuguesa e biografias dos primeiros reis de Portugal”.  

A autora terminou agradecendo a todos quantos tornaram possível este trabalho, nomeadamente ao bispo emérito D. António Carrilho, ao Cónego Duarte Pita Ferreira, aos padres Orlando Morna, Estêvão Fernandes e Carlos Almada, a título póstumo ao cónego Francisco Xavier Ribeiro e à Dr.ª Lígia Teixeira a primeira bibliotecária da Biblioteca da Cúria Diocesana. 

Colaboração para continuar

Já o secretário regional do Turismo e Cultura salientou “o valor” da obra agora apresentada, sublinhando que a mesma traduz o “trabalho e empenho da autora”, que deixa assim um contributo fundamental a toda a sociedade. É que, explicou Eduardo Jesus, “o conhecimento é importante, mas o acesso ao conhecimento é que o valoriza”. Ou seja, “se o conhecimento está guardado, se não está ao serviço da sociedade, então ele não presta a sua função elementar”.  

Ora este catálogo promove, no entender o governante, exatamente “este acesso e promove o acesso a uma informação que não é comum, que não é normal nos dias que nós vivemos continuadamente e por mais essa razão aqui fica o meu agradecimento e o meu reconhecimento”. 

Eduardo Jesus aproveitou ainda esta ocasião para falar sobre a relação de colaboração entre a Diocese e o Governo Regional, a qual é entendida de “extrema importância”. Essa colaboração, lembrou, “acontece a vários níveis” e resulta de um sentido de “obrigação que assiste ao poder governativo”. 

“Temos sido parceiros em várias iniciativas ligadas à cultura, à promoção do conhecimento e julgo que muito mais poderemos fazer”, explicou a propósito o governante, que garantiu estar em permanentes conversações com o bispo diocesano, daí resultando “um conjunto de ideias onde essa colaboração e essa parceria podem ser aprofundadas”, nomeadamente no que concerne a “deixar o conhecimento ao alcance de qualquer um de uma forma facilitada e, acima de tudo, preservando-o da melhor forma, porque isso é que é o fundamental”.  

Terminou precisamente reforçando “o interesse, a vontade e o empenho do Governo Regional em estar próximo, em estar presente, em colaborar e ser um agente ativo da divulgação cultural e assim enriquecermos a nossa população, nesta estreita ligação de grande respeito”. 

De referir a terminar que o catálogo agora apresentado está disponível para download em https://www.catalogo-dfunchal.net/ e que, segundo declarações de D. Nuno Brás aos jornalistas, decorrem presentemente negociações entre a Diocese e o Arquivo Regional da Madeira tendo em vista o restauro e a digitalização das obras que dele constam.