Porto da Cruz: D. Nuno lembra à comunidade que a melhor forma de conhecer a Deus é na Cruz 

Foto: Duarte Gomes

Este domingo, dia 21 de março, foi a vez da comunidade paroquial do Porto da Cruz, cuja padroeira é Nossa Senhora de Guadalupe, receber a visita do bispo do Funchal, que presidiu à missa das 11 horas. 

Na homilia desta celebração, o prelado refletiu sobre as leituras e sobre a necessidade de, neste tempo da Quaresma, também nós refletirmos sobre como é que podemos conhecer a Deus, lembrando que “a melhor forma de O conhecer é na cruz”. 

Primeiramente, explicou, “creio que conhecemos a Deus através das suas obras”. O mesmo é dizer a partir da beleza da natureza que nos rodeia e de nós próprios enquanto criação divina. 

Depois podemos conhecer a Deus “através dos profetas, quer dizer, através daqueles que nos falam de Deus. Através daqueles que têm a missão de falar em Seu nome”. 

A primeira forma de O conhecer está ligada à “primeira Aliança que Ele fez com Noé e a segunda à Aliança com Moisés, o profeta por excelência”, explicou D. Nuno, para logo sublinhar como é “bom e tão importante” haver alguém, seja um catequista, os nossos pais, um sacerdote que nos mostre Deus e que nos diga que “Ele é Bom e que nos ama e que nós devemos corresponder com amor ao amor que Deus nos tem”. 

Mas há ainda a “nova e definitiva Aliança, de que nos falava o profeta Jeremias”, lembrou o bispo diocesano, que logo explicou que “nesta nova aliança conhecemos a Deus porque Ele vem até nós e se nos dá a conhecer na primeira pessoa”, tirando-nos a necessidade de o imaginar. Ele é “aquele Jesus de Nazaré, verdadeiramente feito homem e é Nele que nós encontramos a Deus, que nós conhecemos a Deus e que nós nos podemos encontrar com Deus”. 

No entanto, e apesar de todas estas maneiras, “a melhor forma de conhecer Jesus é na cruz”, disse ainda o bispo do Funchal, sublinhando depois que a cruz é, de facto, o expoente máximo do amor que Ele tem por nós e é “amor até ao fim”. 

“É o máximo de amor que alguém possa dar a vida pelos seus amigos, é o máximo de amor que alguém possa dar a vida por mim, que Deus possa ter dado a vida por mim, que tenha aceitado viver a morte para que eu possa ter a Sua vida”, constatou o prelado, que lamentou por “todos aqueles que aqui não estão, que não o conhecem e que não tomam consciência disto e que não sintam esta alegria de conhecer a Deus em primeira pessoa, que não conheçam estes frutos da morte de Jesus”. 

Já nós, que conhecemos a Deus, temos responsabilidades. Esse conhecimento, disse D. Nuno, “faz-nos responsáveis uns pelos outros”. E leva-nos, concluiu, a “olhar para a Cruz e a entregarmo-nos àquele Senhor que ali está crucificado, a agradecer o Seu amor por nós e a pedir que saibamos, cada um de nós, viver e viver intensamente, viver com alegria” e a pedir que “também nós sejamos capazes de dar frutos abundantes para a salvação do mundo”. 

No final da celebração, coube ao pároco do Porto da Cruz, Pe. João Mendonça, dar conta da alegria da comunidade por receber o seu bispo, apesar da “surpresa da visita”. Uma visita que aconteceu em tempo de pandemia, o que segundo o sacerdote “mostra esta coragem do bispo de querer estar junto das suas comunidades”. Visita que, por isso mesmo, é também um “sinal de alegria, de paz e de esperança”. 

Em resposta a estas palavras, D. Nuno Brás agradeceu-as lembrando que, de vez em quando, “o bispo também faz assim destas surpresas, considerando depois que “é importante o bispo aparecer nas paróquias sem que a visita seja preparada”. Terminou desejando que a comunidade paroquial do Porto da Cruz “continue a fazer Quaresma e a preparar a Páscoa interiormente e exteriormente”, de olhos postos na cruz de Jesus e procurando “conhecer cada vez melhor este Senhor que dá a vida por nós”.