Cónego Vitor Gomes lembrou que a Eucaristia é central para vida cristã 

O Cónego Vitor Gomes, com o tema “A Eucaristia e a Igreja” foi o último dos oradores da semana de formação para os Sacerdotes, Consagrados e Leigos que a Diocese do Funchal promoveu de 15 a 19 de março.

Tratou-se de conferência que sublinhou vários aspetos históricos e doutrinais da Eucaristia, usando para tal uma linguagem acessível, e tocando pontos fundamentais para a compreensão do Mistério da Eucaristia, que forma e dá vida ao Mistério da Igreja.

O Deão do Cabido da Sé e pároco de Santa Cruz começou precisamente por explicar que “a Eucaristia está no centro da nossa fé” e que ela é “a vivência concreta da Igreja e por isso Cristo é, na sua Eucaristia, é o coração da igreja”.

Cada celebração Eucarística, acrescentou, “tem a finalidade de fazer de cada assembleia cristã presente povo da Igreja, que é o corpo de Cristo, no sentido que lhe dá São Paulo”.

Numa apresentação dividida em cinco pontos, o Cónego Vitor falou depois sobre “a Eucaristia como Mistério da Fé, sacramento do único sacrifício pascal de Jesus; sobre a Eucaristia como memorial da Páscoa; sobre a presença real de Jesus na Eucaristia, sobre o sacramento do corpo de Cristo; a Eucaristia constrói a Igreja e finalmente sobre a Eucaristia como fonte de vida e renovação do mundo ou aquilo a que chamamos propriamente a dimensão escatológica da Eucaristia”.

Sobre o primeiro ponto, entre muitos outros aspetos, explicou que a Eucaristia é sacrifício pelo seu conteúdo e sacramento pela sua forma. Isto é, “sinal deste sacrifício pascal de Jesus, porque o apresenta na Igreja de uma forma sacramental, seguindo o pedido de Jesus na última ceia”. Última ceia que alguns estudiosos apontam como a fonte das primeiras tradições cristãs sobre a Eucaristia, mas que outros assim não o entendem, considerando que que o relato é que deriva de uma prática eucarística já existente no século I.

Relativamente ao segundo ponto, o Deão do Cabido da Sé lembrou que a Missa é, de facto, memorial da paixão do Senhor, mas também da sua ressurreição, não se podendo dissociar estes dois aspetos. E aqui, acrescentou “memorial deve entender-se como marca de uma presença pela qual Jesus continua a entregar-se ao seus através do sacramento eucarístico”.

Quanto à presença real de Cristo na Eucaristia, o Cónego Vitor explicou que não podemos entender as palavras de Jesus na última ceia apenas num sentido metafórico.  Na verdade, “Jesus afirmou de forma clara que aquele pão era o seu corpo, que aquele cálice de vinho era o seu sangue” e é assim que devemos entender a sua presença na Eucaristia. Presença sacramental na hóstia consagrada, mas ao mesmo tempo presença espiritual, causa de transformação interior profunda.

A Eucaristia, disse ainda o pároco de Santa Cruz, relativamente ao penúltimo dos pontos por si elencados, é comunhão e também um “sinal para o mundo de Cristo vivo”.

Finalmente, sobre o último ponto o Cónego Vítor sublinhou que a Eucaristia, quando é “vivida segundo a fé e assemelhada como dom de Deus para a nossa vida é sempre imagem da Igreja que é mãe” e fonte de renovação. De resto, a Missa “fecunda o dia a dia e dá coragem para enfrentá-lo”.