São José e o Dia do Pai

D.R.

O sol penetra a jorros pela janela. Que maravilha! Depois dos dias frios e conturbados que vivenciamos, parece querer reconfortar-nos, aquecendo o nosso coração. E tudo se torna mais leve, menos sombrio. Entretanto recebo uma mensagem no telemóvel que referia: “Não desanimes! Deus é muito maior do que os teus problemas”. Recebo também o pedido de uma pessoa no sentido de escrever um artigo sobre o Dia do Pai, dia de S. José, neste ano em que a igreja celebra o ano de S. José 150 anos após ter sido declarado como padroeiro universal da Igreja pelo Papa Pio IX a 8 de Dezembro de 1870. O Papa Francisco convocou este ano de S. José através da Carta Apostólica “Patris Corde  “Coração de Pai”, com o objetivo de crescer no amor deste grande santo, implorar a sua intercessão, imitar as suas virtudes e determinação.  A grandeza de S. José consiste no fato de que foi o marido de Maria e o pai adotivo de Jesus. Assim sendo, com ele “entrou ao serviço de toda a economia da Encarnação”. 

Pelo seu papel na história da salvação, São José é um pai que sempre foi amado pelo povo cristão. Em todos os livros de oração existe uma dedicada a São José. Recordo Santa Teresa de Ávila que o teve como advogado e intercessor, confiando-se muito a São José e recebendo todas as graças que lhe pediu. 

José viu Jesus progredir dia após dia “em sabedoria em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens”. Ensinou-o a andar, abraçou-o, alimentou-o, educou-o, tratou dele como quase todos os pais fazem nas diferentes circunstâncias. Jesus viu a ternura de Deus em José.

Através da angústia de José, passa a vontade de Deus, a sua história, o seu projeto de vida. José ensina-nos que ter fé em Deus, faz-nos acreditar que Ele pode agir mesmo através dos nossos medos, das nossas fraquezas; que no meio das tempestades da vida, não devemos ter medo de entregar a Deus o leme do nosso barco.

Em todas as circunstâncias da vida José sabia pronunciar o seu “fiat”. Vimo-lo a ser obediente através do seu primeiro sonho em que o anjo lhe disse para não ter medo de aceitar Maria, sua esposa, que dará à luz um filho, a quem será dado o nome de Jesus, que salvará o povo dos seus pecados. José obedeceu. No segundo sonho o anjo disse a José: “Levanta-te, leva a criança e a mãe contigo e foge para o Egito. Assim fez José. No terceiro sonho o anjo ordenou que levasse consigo a criança e sua mãe para a terra de Israel. Sem hesitar, mais uma vez José obedeceu. Na quarta vez foi advertido em sonhos para se retirar para a região da Galileia, para uma aldeia chamada Nazaré. Em todas as circunstâncias da sua vida José soube pronunciar o seu “fiat”.

E porque se aproxima o Dia do Pai, gostaria de saudar todos os pais do tempo presente, em que não é igualmente fácil, sendo que os pais hoje em dia estão também muito presentes na vida dos filhos, com uma grande capacidade de compreensão, de diálogo, com uma autoridade que não é imposta mas discretamente obtida. Os pais relaxam e brincam com as crianças em vez de permanecerem distantes o que constitui uma mudança positiva. 

Em tempo de confinamento, com as mudanças sociais, familiares e culturais a acontecerem, com o difícil acesso à educação das crianças via online ou presencial quando possível, acompanhado muitas vezes pelo teletrabalho, lay off, desemprego, não é um papel de todo fácil.

Os pais têm um papel protetor e são importantes para os seus filhos enquanto modelo, sendo igualmente importantes para manter a autoridade, a disciplina, para ajudar as suas crianças a desenvolver o autocontrolo e a empatia em relação aos outros membros da sociedade. O psicólogo J. Lacan em 1981, referiu que o pai não é reconhecido pelo seu papel enquanto criador da vida e das crianças mas pela palavra da autoridade, pelo nome que envolve toda a genealogia e a tradição.

O papel do pai na educação das crianças demonstra-nos que em quase todas as interações com elas, o pai, com o seu peculiar estilo de educar os filhos, não só é complementar ao papel da mãe, mas é seguramente importante pelo seu próprio direito de otimizar a educação das crianças. Um pai ausente (devido à imigração, ou atividade profissional), mesmo que a ausência não seja muito longa, dá uma qualidade particular à relação e à dinâmica familiar. Não é um pai que faleceu, mas também não é um pai presente, no diálogo e na confrontação. Será um pai imaginário que não permite uma imagem parental enquanto modelo consistente de referência. Os pais dos nossos dias têm uma maior perceção da sua responsabilidade pelo bem-estar dos filhos mais do que os pais das gerações anteriores. (Lam, 1997; Pleck, 1997). Tanto os pais como as mães são importantes para ajudar as suas crianças a crescer de um modo equilibrado. Apesar das profundas transformações sofridas, as famílias continuam a ser a centralidade da coesão da integração social. As mulheres podem ser boas mães, mas as crianças precisam de níveis de investimento parental que não podem ser satisfeitos apenas por uma boa mãe.

Termino regressando à Carta Apostólica “Patris Corde”. Em certo sentido, estamos todos na condição de São José: sombra do único Pai celestial, que “faz o sol nascer sobre o mal e o bem e comanda a chuva sobre os justos e os injustos”. São José Meu Pai e Senhor intercedei, em particular neste teu dia por todos os pais.