As mãos de São José

Sagrada Família | Foto: G.A.

O menino Jesus ao centro dá a mão direita a Maria e a esquerda a São José. Olha carinhosamente para a sua mãe antes de se dirigir para o colo do pai. Nesta imagem da Sagrada Família, em baixo-relevo, que me acompanha há muitos anos, um elemento capta a minha atenção. São José, com a mão direita levantada sobre as cabeças de Maria e de Jesus, parece protegê-los e abençoá-los.

Mãos que ensinam Jesus a andar, que aproximam o filho contra o seu rosto e que lhe dão de comer. Mãos que revelam a ternura de Deus. Mãos de pai que se tornam casa de abrigo nas tempestades da vida e que ensinam a  confiar em Deus, renunciando à tentação de querer controlar tudo.

Mãos que recebem Maria e que, de noite, tomam o menino e sua mãe na fuga para o Egito e mais tarde para os conduzir a Nazaré. Com prontidão e total disponibilidade, São José é pai na obediência. Aguarda com paciência a vontade de Deus para a cumprir fielmente e sem hesitação. 

Mãos que a acolhem a vida como ela é, mesmo com os seus imprevistos. São José, homem de fé, não procura atalhos mas assume a responsabilidade e reconcilia-se com a própria história.

Mãos que encontram soluções para os problemas concretos, que prepararam um estábulo para o nascimento de Jesus, por não encontrarem lugar na hospedaria. São José não se detém diante dos problemas mas é capaz de os transformar em oportunidades. O Papa Francisco chama a esta virtude “coragem criativa”.

Mãos de artesão que se entregam ao trabalho na carpintaria onde honestamente providencia o sustento diário para a sua família e para o exercício da caridade. 

Mãos abertas para libertar e não para dominar, nem tomar posse do outro. São José, pai que ama no respeito pela liberdade do filho, é um exemplo para todos os pais. “Não se torna pai, apenas porque se colocou no mundo um filho, mas porque se cuida responsavelmente dele”, recordou o Papa na carta “Patris Corde”.

As mãos de São José continuam a abençoar. Elas são extensões do seu coração de pai cheio de ternura, acolhimento e coragem. São José oferece o melhor de si para defender, proteger e cuidar de Jesus e Maria. Ainda hoje, a sua intercessão e benção continuam a chegar ao mundo e à Igreja, nossa mãe e prolongamento do Corpo de Cristo.