Semana de formação: Bispo de Bragança Miranda falou da Eucaristia ‘fonte e vértice da Igreja’

D. José Cordeiro, bispo de Bragança-Miranda, foi o orador da segunda conferência da Semana de Formação para os Sacerdotes, Consagrados e Leigos que a Diocese do Funchal promove até dia 19 de março.

Nesta sua intervenção, emitida a 17 de março, D. José Cordeiro falou sobre a “celebração eucarística: liturgia e espiritualidade”, dividindo o tema em dois pontos: a liturgia da celebração Eucarística e a Eucaristia e a Igreja, como sacramentos da comunhão.

Citando a constituição Sacrosanctum Concilium, o bispo transmontano lembrou que no documento emanado do Concílio Vaticano II, “a Eucaristia é apresentada como ‘fonte e vértice da vida da Igreja’ e evoca S. João, para comparar a liturgia a uma fonte.

“A liturgia é como que a fonte da aldeia, na qual todas as gerações vêm beber a água sempre viva e fresca. É também um ponto culminante, porque toda a atividade da Igreja tende para a comunhão de vida com Cristo, sendo na Liturgia que a Igreja manifesta e comunica aos fiéis a obra da Salvação, realizada por Cristo de uma vez para sempre”, realçou o bispo de Bragança-Miranda.

Lembrou ainda que o Papa Francisco impele a Igreja para uma cultura eucarística, onde se evidenciem as atitudes da “comunhão, do serviço, da misericórdia”, “capaz de inspirar os homens e as mulheres de boa vontade nos âmbitos da caridade, da solidariedade, da paz, da família, do cuidado da criação’”. 

“Jesus deixou-nos três mandamentos inseparáveis: Fazei isto em memória de Mim; Ide fazer discípulos em todas as nações e amai-vos uns aos outros, como Eu vos ameis”. O mesmo é dizer que “o mandato litúrgico, o mandato missionário e o mandato da caridade completam-se harmonicamente e a palavra Eucaristia impele à missão e à caridade. A Missa tem de levar sempre à missão e a missão à Missa. Este é o sentido de uma vida plena em Cristo”, explicou ainda o prelado. 

Celebrar a Eucaristia, termo grego que significa ação de graças, é “reconhecer a centralidade do Senhor quando parte e reparte o pão” e “um convite a nos unirmos a Ele para nos tornarmos também nós Eucaristia”, disse ainda o bispo de Bragança-Miranda para logo referir que “na liturgia sublinham-se mais os textos”, enquanto que na Eucaristia o pão e vinho ocupam um lugar de destaque.

Quanto à Eucaristia e a Igreja, como sacramentos da comunhão, D. José Cordeiro começou por explicar que “a Igreja não vive a partir de si mesma, mas a partir da Eucaristia que gera a comunhão”. 

É por isso, continuou, que “durante esta crise pandémica nós sentimos que a Liturgia foi posta a dura prova, porque ela só é plena na comunidade, presencialmente”. 

A celebração da Eucaristia disse ainda a terminar a sua intervenção que pode ser vista na íntegra no vídeo que acompanha esta publicação, “é o cume e a fonte de toda a economia sacramental”, sublinhou D. José Cordeiro, que considerou “a participação na Eucaristia dominical um dom da graça e ao mesmo tempo uma responsabilidade” desejando que este tempo de crise pandémica e confinamentos não nos torne “cristãos de Missa de sofá, porque precisamos de sair e precisamos de participar na comunidade para nos dizermos plenamente cristãos, plenamente católicos”.