Conferência do bispo do Funchal sobre São Tiago Menor marcou arranque de semana de formação

A diocese do Funchal deu início ontem, dia 15 de março, a uma semana de formação sobre o Padroeiro da Diocese do Funchal e sobre o Ano Pastoral da Eucaristia. 

A iniciativa, que se prolonga até ao próximo dia 19 arrancou com a primeira parte de uma conferência sobre “Quem foi o Apóstolo São Tiago Menor”, a cargo do Bispo do Funchal.

Nesta primeira abordagem, D. Nuno Brás começou por referir que São Tiago, apresentado pela Igreja como “apóstolo, membro dos Doze, irmão do Senhor e primeiro bispo de Jerusalém”, tem sido objeto de estudo nos últimos anos, estudos esses que levantam uma série de questões, até em relação à própria Igreja.

Optando por não entrar em pormenores no que toca a esses estudos, D. Nuno Brás prosseguiu lembrando que no Novo Testamento aparecem vários ‘Tiagos’, sobre os quais nos fala São Jerónimo, incluindo aquele que em 11 de junho de 1521 foi, por sorteio, eleito padroeiro da Diocese do Funchal. 

Foi sobre a vida desta personagem misteriosa do Novo Testamento, que o bispo do Funchal falou, começando por recuar às suas origens e da sua família – terá nascido na Nazaré e era filho de Alfeu e Maria – e por se referir às quatro hipóteses que são apontadas relativamente ao grau de parentesco existente entre São Tiago Menor e Jesus. 

A primeira é a de que seriam irmãos biológicos, a segunda meios-irmãos, a terceira meios-irmãos por via de um casamento anterior de José e finalmente que estamos a falar de uma família alargada e que nesse caso faria deles “primos”.

Apesar do grau de parentesco em relação a Jesus não ser consensual, sabe-se que Tiago pertenceu de facto a uma família alargada que vivia na Nazaré, que se dedicava às atividades da época e que “olhava para Jesus com um certo distanciamento e que eventualmente se terá convertido antes da vida pública de Jesus”. Ou seja, que passa de uma “família que não crê, a uma família que acredita”.

Este Tiago seria mais velho do que Jesus, uns “12, 13 ou 14 anos” e, como já se disse, fez parte do grupo dos Doze que, por sua vez, é “apresentado por Jesus como uma família escatológica, que relativiza a família de sangue”.

É este Tiago que faz parte dos “notáveis”, que permanece em Jerusalém, quando a maioria dos apóstolos partem cumprindo a missão de ‘enviados’ e que se torna o seu primeiro bispo, entre os anos 43 a 62 d.C., após a prisão de Pedro. 

D. Nuno termina esta primeira parte da sua conferência, que prossegue hoje, a partir das 21 horas, frisando que estamos “perante um personagem à volta de quem se pode dizer e falar muito, um personagem muito rico nas suas várias facetas”. 

São essas facetas de “um homem que marcou imensamente a vida da Igreja nos primeiros séculos”, que continuaremos a conhecer também nesta segunda parte da conferência.

Relativamente ao restante programa da semana recordamos que é o seguinte: 

Dia 17 de março, às 21h – A celebração eucarística: liturgia e espiritualidade. Dom José Cordeiro, bispo de Bragança-Miranda.

Dia 18 de março, às 21h – Conferência: Apresentação da Carta de São Tiago. Cónego Toni Vítor de Sousa.

Dia 19 de março, às 21h – Conferência: A Eucaristia e a Igreja. Cónego Vítor dos Reis Gomes.

Recorde-se que os vídeos são transmitidos no Facebook e YouTube da Diocese do Funchal.