Há “Mulheres” assim

Isabel Sánchez Serrano autora do livro "Mulheres Bússola, uma Floresta de Desafios" | D.R.

Isabel Sánchez Serrano, espanhola e licenciada em direito, é a autora deste livro, no qual conta a experiência de 75 mulheres com as quais trabalhou nos cinco continentes, liderando projectos sociais. O livro aborda temas como trabalho, liderança, o papel das mulheres, cuidado com as pessoas, paz, solidariedade e a sustentabilidade do planeta.

Defensora dum feminismo inclusivo e enriquecedor, defende a importância de a mulher ver os homens como aliados, cooperantes, sem antagonismos, na busca de um equilíbrio social, criando ambientes humanizadores num clima de harmonia.

A dialética do confronto, não só entre homens e mulheres, mas também entre raças, classes sociais ou escolhas ideológicas, gera sempre um mau estar, devendo por isso a mulher fomentar e incentivar a conciliação e a colaboração na família, no trabalho e na sociedade.

Neste livro, a autora reflete também sobre o valor das mulheres “bússola”, porque a sua vida e o seu exemplo podem orientar muitas pessoas que vivendo perplexas e indefinidas, não sabem em que acreditar nem por que lutar.

Para que não percamos o norte e possamos ser uma bússola para os outros, Isabel Sanchez no final do livro salienta a importância de crescermos, para superar as nossas vidas e as dos outros e para isso deixa-nos alguns pontos como referências:

0 – Entender-nos – “Homem e mulher, mulher e homem estão condenados a contribuir juntos para o avanço do saber, cuidar e proteger a dignidade da pessoa, lutando pelo respeito por cada ser humano e seus direitos; cuidar e desenvolver o habitat em que se desenvolve a vida, manter a harmonia e o equilíbrio entre as espécies do planeta; erradicar escravidões e a criar espaços de expansão da liberdade; fundar comunidades de amor e de vida”.

1 – Encontrar o Norte – “Não se trata de empreender grandes metas, mas de algo muito mais simples: aprender a ver de outro modo a mesma realidade em que estamos inseridos e ensinar a olhar de um modo humanizante. A boa notícia é que existe um laboratório de humanização muito acessível e eficaz: a família”.

2 – Educar – “Manter nos jovens horizontes amplos, pode ser o melhor antídoto contra a mediocridade, a corrupção e a apologia de condutas meramente adaptativas, que levam a limitar a existência, no melhor dos casos, a estar morto na corrente da vida”

3 – Paz – “Em todos estes âmbitos – pessoal, familiar, cívico, internacional – tenho encontrado mulheres capazes de construir oásis de paz, mesmo no meio das circunstâncias mais adversas. Todas revelaram uma capacidade extraordinária de resistir à adversidade, tornando a vida possível até em situações extremas e conservando um persistente sentido de futuro”.

4 – Trabalho – “Muitos temos aprendido de S. Josemaria que o trabalho mais digno nasce do amor, manifesta o amor e se orienta para ele. Por isso, embora servindo-se das particularidades das diversas profissões, o homem pode transcendê-las e permanecer livre, acima delas”.

5 – Cuidado – “Os robôs podem vir a complementar e assistir no cuidado dos humanos para com os humanos, mas nunca os podem suplantar, porque carecem dos produtos premium específicos das pessoas: a conversa, a liberdade e o amor”.

6 – Liderança – “Por vezes consideramos a liderança como algo muito maior do que nós próprios, quando a verdade é que corre muito mais seiva de verdadeira liderança em pequenas situações quotidianas: nas casas, nas escolas, nos mais diversos trabalhos, no nosso bairro ou no ambiente mais familiar; pois a liderança tem, indiscutivelmente, mais a ver com as ações que realizamos do que com a posição que ocupamos”.

7 – Solidariedade – “Isto é o mais valioso que temos na Terra (…), a capacidade de descobrir as necessidades dos outros, fazê-las nossas e tratar de as remediar”.

8 – Sustentabilidade – “Estou convencida de que os nossos problemas não se resolvem exclusivamente com tecnologia; são as pessoas que mudam o planeta”.

9 – Transcender – “Por muito adultos que sejamos e nos sintamos, a vida depara-nos com cenários em que perdemos totalmente o controlo das coisas e até o autocontrolo. Parece que ansiamos por um pai que nos console, que nos guie, que nos serene e nos restaure. Para entender o nosso coração temos de nos ver numa perspetiva, não só espacial, mas também temporal e, até para lá do tempo. Essa é a perspetiva de Deus. No Seu olhar, o nosso coração, como o planeta Terra, é brilhante e único, em contínua expansão em direção ao bem.”

10 – Atrever-se a mais – “Este pode ser o momento de escolher que ponte construir, que muro derrubar, que talento fazer crescer, que processo iniciar, que direcção escolher. Não percas o norte e serás bússola para outros”.

Ao desfolhar as páginas deste livro, ocorreu-me um pensamento de S. Josemaria: “Não tenhas espírito provinciano. – Dilata o teu coração, até que seja universal, `católico´. Não voes como ave de capoeira, quando podes subir como as águias (Caminho, ponto 7).