Carvalhal: D. Nuno exorta fiéis a abrir as portas a Deus nesta Quaresma e a mostrar a todos o seu amor 

Foto: Duarte Gomes

O bispo do Funchal esteve este domingo, dia 21 de fevereiro, na paróquia do Carvalhal, nos Canhas. Esta foi a primeira vez que o prelado visitou aquela comunidade, onde presidiu à Missa Dominical das 9 horas, a convite do pároco. 

D. Nuno Brás foi recebido com um tapete de flores e as palavras de uma paroquiana que falou em nome dos demais para dar conta da “grande alegria” da comunidade por esta visita, especialmente em tempo de Quaresma, que é também “tempo de reconciliação com Deus”. Uma visita que, consideram, é também “uma manifestação do amor de Deus” por esta comunidade, nestes tempos difíceis que a humanidade atravessa.

E foi precisamente de amor que o prelado falou também na sua homilia. Partindo de uma frase que disse ter ouvido este sábado, proferida por uma atriz durante uma entrevista, segundo a qual o pecado não existe, o que existe é o amor ou a falta dele, D. Nuno Brás explicou à assembleia que de facto, “o pecado é a falta de amor”. E o amor, acrescentou, “não é uma ideia, não é um sentimento, mas uma pessoa e essa pessoa é Deus”. 

Tempo de abrir portas a Deus

Depois ter lembrado, logo no início da celebração, que os cristãos devem caminhar neste tempo da Quaresma com metas bem definidas e de forma mais intensa, o prelado explicou que, “a realidade primeira é que Deus é amor” e que “tudo quanto existe” – o mar, as plantas, etc. – falam-nos desse Deus que é amor. 

Assim sendo, e se “eu existo porque Deus me ama e quer manifestar em mim o seu amor”, a missão de todo e qualquer ser humano deve ser a de “mostrar este amor de Deus”.  

De resto, explicou era disso que nos falavam as leituras deste domingo. De um Deus que “toma a iniciativa e vem ao encontro do homem”, de quem quer “estar próximo”, e com quem “quer estabelecer uma aliança”.  

E Deus veio ao nosso encontro “como ser humano, como verdadeiro homem, para que nós pudéssemos olhar nos seus olhos, escutar a sua voz, para que pudéssemos estar com Ele, o pudéssemos entender”. Este Deus, acrescentou, quer viver connosco de tal forma que, como se dizia no Evangelho, “até quer viver nas tentações” e ajudar-nos a resistir.  

Para isso, enfatizou D. Nuno Brás, é preciso que deixemos a porta do coração aberta, sendo a Quaresma o momento certo para “abrimos a porta a Deus e O deixarmos entrar na nossa vida, O deixarmos ser próximo, O deixarmos dar-nos força resistirmos às tentações, e entrar na nossa vida de tal forma que percebemos o que é o amor e, também por isso mesmo, o nosso pecado, a nossa falta de amor”. 

Foi este, de resto, o grande convite que o prelado deixou aos fiéis não só daquela comunidade paroquial, mas de toda a diocese: que vivam verdadeiramente a Quaresma, “percebendo que Deus nos Ama que Ele está próximo de nós” e que com a sua ajuda podemos viver mais com Ele e ser, “também nós, proximidade de Deus”. 

“Peçamos ao Senhor que Ele nos transforme em presença Sua, presença do Seu amor e que Ele limpe aquilo que em nós não é puro, aquilo que em nós é pecado e nos ajude a ser Sua presença e a mostrar que Ele é um Deus próximo de cada um”, concluiu. 

Comunidade que vive e testemunha a fé

No final da celebração, mesmo antes da bênção, coube ao Pe. Humberto Mendonça agradecer a presença de D. Nuno Brás, “como pai e pastor”, entre aquela comunidade que “ainda vive e testemunha a sua fé”. Aliás, conforme o sacerdote esclareceu, “havia muito mais gente que queria estar cá hoje”, mas a pandemia não o permitiu. 

“A presença do nosso pastor no meio de nós é um desafio muito grande, para que aprofundemos esta fé e esta alegria de viver com Jesus Cristo, em comunhão uns com os outros e em comunhão com o nosso bispo, ele que é um enviado do Senhor a esta comunidade, a esta diocese a que pertencemos”, disse o Pe. Humberto, que garantiu ainda ao prelado que “pode contar connosco, com a nossa oração, com a nossa amizade e a com a nossa obediência filial”. 

Terminou pedindo a Nossa Senhora de Fátima, padroeira do Carvalhal e também a Santo André Avelino, “a graça de o proteger sempre e de lhe dar forças para conduzir o povo de Deus nesta diocese que parece que é pequena, mas não é tão pequena assim e tem muitos desafios a que o nosso pastor tem de responder. 

D. Nuno agradeceu as palavras e “o vosso testemunho de fé como cristãos” e aproveitou ainda para lembrar que a diocese está a celebrar os 500 anos do voto a São Tiago e que a sua proposta para esta Quaresma passa também pela leitura da sua Carta e respetiva meditação. 

De referir que no próximo domingo, D. Nuno Brás vai deslocar-se desta feita aos Canhas, a outra paróquia a cargo do Pe. Humberto Mendonça, para aí presidir à Missa das 11 horas.