Ousadia da Esperança

D.R.

Oitocentos e vinte voluntários responderam instantaneamente ao programa de voluntariado promovido pela Universidade de Lisboa, para apoio às atividades do novo pavilhão do hospital de campanha que vai funcionar no Estádio Universitário de Lisboa com capacidade para acolher, na próxima semana, mais 150 pacientes Covid-19. 

O vice-reitor da Universidade ficou surpreendido pela quantidade de voluntários que se ofereceram para apoiar os doentes e fala de um sucesso inesperado. “A nossa ideia foi pedir ajuda aos voluntários com mais de 18 anos que já tivessem tido Covid, que aceitassem ser testados em teste serológico para garantir a existência de anticorpos e tivessem capacidade de fazerem dois turnos de quatro horas por semana. Tivemos um sucesso inesperado, para dizer a verdade”. 

Aos voluntários, não lhes foi pedido bens materiais –  provavelmente também não os teriam – mas disponibilidade, tempo e entrega. 

Estes e todos os outros jovens voluntários, que gratuitamente se disponibilizam para estender a mão àqueles que se encontram em situação de fragilidade ou doença por causa da pandemia, são sinal de esperança. Souberam transformar o mal, em bem. Uma lição de sabedoria. 

No inicio do mês de janeiro, o Papa Francisco tinha partilhado com a presidência da Conferência Episcopal Portuguesa “que se deve cuidar com toda a atenção da relação entre jovens e idosos, por estar em questão a ligação intrínseca entre a herança que os idosos transmitem e as raízes para as quais os mais jovens devem olhar.

A resposta dos voluntários convida a ultrapassar a tentação do individualismo, oportunismo e do chico-espertismo, infelizmente manifesto pelas situações de vacinação indevida que seduziu presidentes, diretores, administradores, autarcas e até padres. “Onde aumentou o pecado, superabundou a graça” (Romanos 5, 20). 

Os voluntários ensinam-nos a responder com generosidade às situações concretas e a não desviar o olhar diante daqueles que necessitam de cuidado e atenção. 

“A esperança é ousada, sabe olhar para além das comodidades pessoais, das pequenas seguranças e compensações que reduzem o horizonte, para se abrir aos grandes ideais que tornam a vida mais bela e digna”, escreveu o Papa Francisco.