Bispo do Funchal escreve carta aos sacerdotes com indicações para enfrentar  “tempo de incertezas”

Foto: Duarte Gomes

O bispo do Funchal escreveu, este sábado, dia 23 de janeiro, uma carta endereçada aos sacerdotes da Diocese para, como o próprio diz, lhes deixar “algumas indicações práticas”, perante “o tempo de incertezas” que vivemos e em que, mais do que nunca “é importante caminhar e ajudar os irmãos a caminhar com o Senhor Jesus”. 

Na carta, D. Nuno Brás, que tem estado em sucessivos confinamentos profiláticos, precisamente por “ter estado em contacto com pessoas que testaram positivo à Covid-19″, começa por fazer saber que “fica adiada a celebração do Dia Diocesano da Família”, agendado para dia 31 deste mês. 

Quantos aos retiros dos sacerdotes, o prelado começa por adiantar que o retiro do clero previsto para Março, no Porto Santo, “não se irá realizar”, visto que “a casa não tem possibilidade de acolher os participantes”, mas também devido “à necessidade de prever algum surto de Covid-19 entre os idosos”. Mantêm-se, no entanto, os retiros de julho e de setembro.  

Já a peregrinação das relíquias de São Tiago Menor, prevista para o mês de abril, “foi adiada para outubro, devido à situação da pandemia”. Em princípio, refere D. Nuno Brás, essa peregrinação será de 16 de outubro a 6 de novembro. A este respeito adianta ainda que “em breve será publicado o programa completo das comemorações dos 500 anos do voto a São Tiago.  

No que concerne ao Dia do Consagrado, D. Nuno Brás explica que será “convidada apenas um/uma representante por cada comunidade religiosa presente na diocese, para a Eucaristia de 2 de fevereiro às 16:30 horas, na Sé”. 

“Na celebração da Festa da Apresentação do Senhor (2 de Fevereiro) deve ser usada a segunda forma de entrada na Missa (Entrada Solene), substituindo assim a Procissão de velas”, informa. 

Quanto à Quaresma, o prelado pede que se “observe o que foi determinado pela Congregação para o Culto Divino acerca das cinzas e sua imposição”. Nessa altura, caso a situação continue como agora, o bispo do Funchal determina que as Vias-sacras e Procissões dos Passos da Quaresma sejam “celebradas apenas dentro das igrejas no respeito das normas sanitárias”. Quando muito, acrescenta, “poder-se-ão fazer com um carro que percorra as ruas, mas sem que nenhum fiel acompanhe a procissão”, isto se, reforça, “for possível garantir o respeito pelas regras sanitárias”. 

Apesar das restrições o prelado pede para que “cuidemos para que aos nossos fiéis não falte a possibilidade da celebração do sacramento da reconciliação durante a Quaresma”. 

D. Nuno Brás, pede ainda que “todas as outras reuniões e encontros se realizem apenas por via zoom” e que, quando isso não seja possível, as mesmas sejam adiadas ou canceladas. 

O prelado pede ainda a cada sacerdote que “cuide em não correr riscos desnecessários de infeção ou mesmo de confinamento profilático, de modo a garantir a celebração da Eucaristia e os serviços indispensáveis” e lembra que estes devem recordar aos fiéis, sempre que tal seja necessário, “como estar e comungar em segurança: uso de álcool-gel, uso de máscara, distâncias a manter e percursos a usar”.  

Quanto à sua experiência de confinamento, o bispo do Funchal partilha com os sacerdotes da diocese que “tem sido um tempo duro”, mas que lhe tem permitido “ler e escrever um pouco mais e, sobretudo, rezar por todos e pela nossa diocese”. 

D. Nuno termina a missiva com esperança no “dia em que a vacina chegue para todos e possamos sair desta situação”. Até lá, pede que “confiemos no Senhor que nunca nos abandona, e na intercessão de Sua Mãe, a Virgem Maria e Senhora do Monte, bem como de S. Tiago Menor”.