A história de Joy

D.R.

Joy nasceu na Cidade do Benim, na Nigéria. Aos 23 anos, enganada por uma amiga, lança-se numa viagem até Itália, com a promessa de um trabalho. “Assim poderás mandar dinheiro para a tua família e continuar os estudos”, disseram-lhe. 

Rapidamente a viagem se tornou uma verdadeira tragédia. Atravessou o deserto por duas semanas sem comida nem bebida, sofreu violências atrozes no centro de detenção de migrantes na Líbia, onde esteve quatro meses, e andou à deriva num barco pelo mar Mediterrâneo.

Ao chegar a Itália foi apanhada numa rede de prostituição. Afinal tinha sido enganada, mas agora, tarde de mais! Com determinação, conseguiu fugir. “Uma noite, ajoelhei-me e rezei: Jesus, faz-me conhecer as pessoas que verdadeiramente me possam ajudar”, partilhou. Conheceu uma instituição católica que a acolheu e assim voltou a ver o brilho do sol. Para Joy, foi a fé em Deus que a salvou do desespero nos momentos mais difíceis.  

O livro, “Eu sou Joy”, da jornalista e escritora italiana Mariapia Bonanate, será publicado em Itália no final deste mês.  O Papa Francisco escreveu o prefácio. “Aceitei de bom grado o convite para escrever este breve prefácio, com a intenção específica de entregar aos leitores o testemunho de Joy como “património da humanidade”, referiu Francisco. 

A história de cada pessoa, por mais dramática que seja, é sempre de incalculável valor.

Para o Papa, a história de Joy é uma história “omnipresente nas nossas sociedades globalizadas”. 

A narrativa cheia de relatos auto-biográficos consegue assim chegar mais facilmente ao nosso coração, tantas vezes anestesiado com números, estatísticas e opiniões. O Papa afirma que depois de termos conhecido os “lugares de dor” de Joy “será impossível permanecer indiferente quando ouvirmos falar dos barcos à deriva, ignorados e até rejeitados das nossas costas”.

Escreveu Joy: “Somente o amor, que alimenta a paz, o diálogo, o acolhimento e o respeito recíproco, pode garantir a sobrevivência do nosso planeta”.