Palavra do ano

Pão caseiro | Foto: Giselo Andrade

Entrámos no novo ano. Para trás fica o difícil ano de 2020, marcado pelos efeitos da pandemia, mas também pela capacidade de adaptação e resiliência das pessoas e instituições que constituem a nossa sociedade, desde a escola, o trabalho, a família e ainda a igreja.

Diante de uma ameaça comum, o mundo soube partilhar conhecimentos e recursos para uma rápida solução. O caminho do diálogo recordou-nos que aquilo que nos une é mais forte do que aquilo que nos separa.

No início do mês de dezembro, a iniciativa “Palavra do Ano” divulgou as 10 palavras candidatas à palavra do ano de 2020, numa iniciativa que pretende “contribuir para traçar um retrato dos acontecimentos que marcam a vida coletiva”. Entre as palavras mais votadas encontra-se “saudade”, “covid-19” e “pandemia”. Ainda que o resultado só seja apresentado no dia 4 de janeiro, é significativo que a palavra “saudade” apareça num ano marcado pela pandemia.

“Palavra genuinamente portuguesa, ‘saudade’ é um sentimento muito presente como consequência do distanciamento físico e, também, da rutura em relação às rotinas mais simples e banais”, escreveu a Porto Editora, promotora da iniciativa. 

As restrições motivadas pela pandemia, que limitaram os contactos e a forma de estar e viver, ocasionaram aquele sentimento tão característico do povo português. Quanta saudade neste ano: saudade do encontro com os familiares e amigos, em convívios, festas de aniversário e outras celebrações; saudade da liberdade dos gestos e movimentos, de respirar profundamente, de abraçar e cumprimentar; saudade de participar em eventos culturais, desportivos e religiosos; saudade de partilhar sorrisos e espaços.

Outro sinal dos tempos foi a pergunta que os portugueses mais fizeram à internet no ano passado:  “como fazer pão?”. É verdade que “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”, contudo, o mudar dos tempos também se faz acompanhar daqueles que são os traços mais profundos da nossa identidade.