D. Nuno exorta fiéis a não ficarem mudos como Zacarias, mas a serem capazes de falar a palavra da verdade

Foto: Duarte Gomes

Foi na Sé do Funchal esta quarta-feira, dia 23 de dezembro, que D. Nuno Brás deu por concluídas as Missas do Parto a que presidiu, neste ano atípico de 2020 e depois de ter passado pelas comunidades da Nazaré, das Eiras, de Santo Amaro, da Boa Nova, dos Álamos, de Ponta Delgada, de Santa Cruz e do Estreito de Câmara de Lobos.

Nesta celebração, em que se rezou por várias intenções, entre as quais pelos responsáveis e funcionários da Assembleia Legislativa da Madeira, do Governo Regional, da Justiça, da Saúde e das Forças de Segurança, o bispo diocesano exortou os cristãos a fazerem bom uso da palavra, sobretudo da “palavra que é o verbo feito carne”. 

Depois de aludir ao episódio de Zacarias, que duvidou do anjo e ficou mudo até ao nascimento do seu filho, João Baptista, o prelado frisou que “vivemos num tempo de palavras, em que toda a gente fala sobre tudo”. Porém, disse, é preciso que nos interroguemos sobre que palavras usamos, precisamente porque “podemos cair nestas palavras muda, palavras que não dizem nada, palavras que dizemos simplesmente por falar e para não corrermos o risco de não ouvir a palavra de Deus, e de nos deixarmos purificar, como ouro que se purifica no fogo ou a roupa que se purifica na lixívia”. 

“Nós vamos, de facto, nos deixando distrair por palavras, mas mudos como Zacarias, explicou D. Nuno Brás, para logo acrescentar que muitas vezes “usamos palavras de mentira”, usamos palavras “que toda a gente diz” e “falamos o que toda a gente fala, muito simplesmente porque queremos ser como toda a gente”. 

Perante esta realidade, prosseguiu, “o convite que nos é feito hoje, o convite que nos é feito sempre no Natal é para dizermos a palavra, o verbo, precisamente este Menino que é o verbo feito carne, a palavra de Deus feita Carne, feito homem”. Essa, frisou “é a palavra que nós cristãos havemos de dizer. Essa é a palavra que se espera de nós cristãos, em tudo aquilo que somos, em tudo aquilo que dizemos sejamos capazes de mostrar esta palavra que é o Deus feito carne, o Deus feito homem, o Deus que se faz um de nós: Jesus Cristo. Ele que é a palavra e a palavra de verdade”.

E uma coisa é a sinceridade e outra a verdade, explicou ainda o bispo diocesano. “Eu posso estar a ser muito sincero, mas estar a dizer algo que é mentira, simplesmente porque estou enganado”. E “de nós cristãos o Senhor, e o mundo inteiro, esperam esta palavra de Deus, esperam a palavra do verbo feito carne e essa é uma luz que ilumina, essa é uma palavra que purifica a aqueles que a acolhem, essa é uma é uma palavra que transforma o coração, é uma palavra que nos mostra Deus e nos mostra também quem somos”. 

Por essa razão, disse a terminar, “nós que falamos tanto, que passamos o dia a falar que porventura até temos por profissão falar, não podemos deixar de nos interrogar e de pedir à Virgem do Parto que nos ajude a dizer esta palavra que é Jesus Cristo. O mesmo é dizer, que nos ajude a fazer com que a palavra de Deus ilumine a nossa vida, com que a palavra de Deus ilumine o mundo que está à nossa volta, que a palavra Deus se faça verdadeiramente carne na nossa vida e na vida de todos”. 

Antes da bênção final o bispo diocesano ainda aproveitou para desejar a toda a assembleia e a todos quantos escutaram esta celebração através do Posto Emissor do Funchal, “um Santo Natal” e que “a palavra de Deus se faça carne na nossa vida”, que “sejamos capazes de a escutar, deixar que ela nos transforme e mostrá-la, pronunciá-la, dizê-la a todos”.