Missa do Parto em Santa Cruz: D. Nuno diz que Deus está apaixonado por nós e por isso não desiste de nos salvar 

Foto: Duarte Gomes

O relógio marca seis da manhã em ponto. Em Santa Cruz, a igreja está devidamente composta, tanto quanto esta pandemia deixa, para mais uma Missa do Parto.

Desta vez vai-se rezar pela Catequese e por mais um punhado de intenções, conforme anuncia o cónego Vitor Gomes, pároco de Santa Cruz, logo no início da celebração. De resto, a única diferença desta Eucaristia para as seis Missas celebradas anteriormente são precisamente as intenções pelas quais se reza e o facto desta celebração ser presidida pelo bispo do Funchal.

Na sua homilia, o prelado voltou a refletir sobre as leituras do dia, as quais serviram, uma vez mais, de caminho para deixar à assembleia algumas ideias chave que tem procurado passar nestas celebrações. A primeira delas é a de que Deus não desiste de nós e quer-nos salvar.

E porque é que Deus o quer fazer, interrogou-se D. Nuno Brás, quando o mais simples seria deixar-nos entregues à nossa sorte.  A resposta não se fez esperar, com o prelado a explicar que “Deus não desiste porque nos ama”.

A primeira leitura, constatou, “dizia isso mesmo: que Deus se apaixonou por nós” que Ele “ama-nos verdadeiramente e por isso não desiste de ninguém, por isso nos procura e por isso vem ao nosso encontro”.

E Ele vem até nós nas mais diversas alturas da nossa vida. “Quando estamos a sofrer, Deus vem até nós para nos confortar e mostrar que o nosso sofrimento pode ser um sofrimento que conduz à vida; no meio da alegria, Deus vem até nós para partilhar o nosso contentamento, vem até nós para fazer festa connosco; quando estamos a viver a morte Deus vem até nós para nos dar a vida; quando estamos no meio do pecado Deus diz-nos que o pecado não tem a última palavra; no meio da ignorância, Deus vem dar-nos a luz do conhecimento vem mostrar-nos como havemos de ser e de viver”.

Com a mesma certeza ficamos quando escutamos o Evangelho, que relata a visita de Nossa Senhora a Isabel, que traz no seu seio João Baptista que exultou de alegria ao ouvir a Virgem. Tal como este menino, também nós devemos exultar de alegria com a chegada de Jesus, mas devemos fazê-lo de forma genuína e porque “uma vez mais percebemos este Deus próximo que quer viver a nossa vida, quer viver o nosso sofrimento, torná-lo vida, quer viver o nosso contentamento e partilhar a nossa alegria”.

A Eucaristia, explicou ainda D. Nuno Brás, é a forma mais pura e mais genuína de acolher o Senhor que vem ao nosso encontro. Por isso mesmo, alertou, temos de estar atentos às disposições com que comungamos e temos de preparar o nosso coração para o fazer, porque “Deus vai habitar nele”.

“Como um apaixonado procura a sua amada, como um apaixonado não pensa em mais nada a não ser em conquistar o amor da sua amada, Deus vem ao teu encontro para conquistar o teu coração. Por isso, alegra-te, faz festa, porque verdadeiramente o Senhor está próximo, muito mais próximo do que aquilo que possas pensar”.

Antes da bênção final, e do tradicional “Virgem do Parto, ó Maria” cantado pelo coro ao som de vários instrumentos de corda e das já habituais campainhas, o pároco de Santa Cruz agradeceu a presença do bispo no meio daquela comunidade. Desejou ainda que “continuemos com este espírito de preparação para o Natal, com alegria e deixando que realmente Jesus possa nascer no nosso coração”. Já D. Nuno Brás aproveitou o momento para desejar àquela comunidade paroquial um Santo Natal.