Virgem do Parto

Nossa Senhora do Ó | Museu de Lamego.

Os dias começam mais cedo. O som dos instrumentos e os cantares populares despertam os que dormem e convocam à participação. Os caminhos da freguesia juntam-se numa corrente de alegria. Antes do nascer do sol, as igrejas enchem-se de luz e de música. 

Os nove dias antes do Natal, as Missas do Parto, são especiais. Há uma música que nos acompanha durante todo o dia: no trabalho, na rua, em casa e por todo o lado. Um ambiente diferente, contagiante, capaz de revelar o melhor que há em nós.  

Começar o dia em oração, na escuta da palavra de Deus, produz frutos de alegria, paz e bondade. Não há espaço para contendas nem discussões. É tempo de fazer festa.

Os mais velhos introduzem as novas gerações no ritual próprio das Missas do Parto. Também eles o aprenderam dos seus pais e avós. Apesar de algumas variações entre as paróquias, o essencial mantém-se intacto ao longo dos anos.

Os cânticos não são difíceis de aprender. A simplicidade das melodias e as letras em versos de linguagem popular, facilitam a participação de todos. Muitos deles falam de Nossa Senhora, a sua beleza, os seus dons divinos e a sua maternidade. “A Virgem no presépio inspira quadras de lirismo popular pelos sentimentos despertados no povo ao contemplar a penúria, o frio, o desconforto e o bucolismo que rodeiam o nascimento de Jesus”.

Na obra “Cânticos Religiosos do Natal Madeirense”, João Arnaldo Rufino da Silva afirma que alguns cânticos que hoje cantamos “terão as suas raízes numa vivência cultural de mais de quatro séculos”. 

Habitualmente a Missa do Parto termina com o cântico “Virgem do Parto” que pode ser acompanhado por diversos instrumentos populares como o bombo, as castanholas, os chocalhos, o rajão, a harmónica e até acordeão. Nos próximos dias, este será o refrão mais cantado: Virgem do Parto, ó Maria / Senhora da Conceição / Dai-nos as festas felizes/ A paz e a salvação.