João Gonçalves: Futuro diácono diz-se ansioso apesar deste ser um passo natural na caminhada

Foto: Duarte Gomes

O bispo do Funchal, D. Nuno Brás, vai ordenar diácono o seminarista João Gonçalves, da paróquia de São Roque, no Funchal. Será no dia 27 de dezembro, às 16 horas, na Sé.

A tão poucos dias de mais este importante passo na vida deste jovem de 24 anos, quisemos saber como é que ele se sente e como se sentem também aqueles que lhe são mais próximos. 

Porque o João ainda se encontra no Seminário dos Olivais, em Lisboa, enviamos-lhe algumas questões a que amavelmente ele respondeu. Percebemos da sua escrita que está ansioso, mas também cada vez mais convicto de que “no Evangelho encontrei um sentido maior para aquilo que sou”.

Jornal da Madeira – Estás à beira de dar mais um passo importante na tua caminhada para o sacerdócio. Como é que te sentes?

João Gonçalves – Ao ver aproximar-se um dia tão importante na minha vida, não posso negar que não esteja um pouco ansioso; porém, passados sete anos de formação, a ordenação diaconal aparece como uma decisão natural de quem, há muito, se prepara para este dia. 

Jornal da Madeira – Concretamente, o que é que este passo representa para ti?

João Gonçalves – É difícil, mesmo nas vésperas da ordenação, perceber todo o alcance do mistério que irrompe na vida de um rapaz que, a certa altura, quer ser padre. As palavras são demasiado pouco para dizer o muito que me vai no coração. Adianto apenas isto: ser diácono, tal como ser padre, representa para mim uma forma de Deus amar o mundo incondicionalmente. Trata-se de um amor total, de outra forma não entenderia como é que alguém, com apenas 24 anos, hipotecaria a sua vida ao serviço de uma mensagem que, um homem que viveu há dois mil anos, mandou anunciar. No Evangelho encontrei um sentido maior para aquilo que sou, e, como dizia Balzac, não há felicidade maior do que viver para aquilo pelo qual estaria disposto a morrer. Hoje sei: a minha disposição é Cristo!

Jornal da Madeira – Como te estás a preparar, de forma mais concreta, para dia 27?

João Gonçalves – Muito da minha preparação para a ordenação tem sido revisitar a minha história, dando-me conta da importância de pessoas que moldaram o que sou hoje: a minha família, os meus amigos e os meus professores – estou-lhes profundamente grato! A esta viagem interior, juntam-se elementos exteriores que a proporcionam, como o retiro que tive a oportunidade de fazer este mês. Aquele tempo vivi-o como o grande silêncio que antecede um encontro de duas pessoas apaixonadas; no fundo, a ordenação é isso mesmo: o selo de um amor que transcende fragilidade da condição humana que também transporto.

Jornal da Madeira – Com que sentimento a tua família, e muito particularmente os teus pais, estão a viver contigo este momento?

João Gonçalves – A minha família está serena, ou pelo menos aparenta estar. Ainda não cheguei à Madeira, por isso apenas falamos de vez em quando; mas claro, vou notando algumas preocupações mais da ordem da logística, sobretudo por causa das limitações que nos impõem a pandemia. Meu irmão e minha irmã vão brincando comigo, dizendo que a partir daquele dia serei um senhor de respeito, mas sabe como é: coisa de canalha, como tão bem diz o nosso povo!

Mas há uma família, mais alargada, que também não podia deixar de falar: a Diocese. Nestes dias tenho sentido um enorme carinho por parte de várias pessoas da Igreja do Funchal. Cristãos (leigos e padres) que me têm enviado mensagens a garantir a sua oração por mim. Tem sido um tempo muito belo que mostra, pelos seus sinais, o bem que quero cada vez mais abraçar.