Voluntariado: Pandemia não trava trabalho de leigos católicos

Campanha «Os teus likes não mudam nada, mas o teu tempo pode transformar o mundo»  desafia jovens adultos para a missão

Foto: Leigos para o Desenvolvimento

“A formação acontece em Évora, Coimbra, Braga, Porto e Lisboa e este ano vai também acontecer um modelo on-line, b-learning. A pandemia fez-nos adaptar aos tempos. As pessoas fazem a mesma formação, em núcleos diferentes, vão-se conhecendo ao longo do ano, têm momentos comuns a nível nacional e a formação on-line vai ter momentos presenciais”, explica à Agência ECCLESIA, Ana Dias, gestora de projetos na Organização Não Governamental para o Desenvolvimento, Leigos para o Desenvolvimento.

Com o tema ‘Os teus likes não mudam nada, mas o teu tempo pode transformar o mundo’, a organização procura chegar a jovens adultos que procurem trabalhar em áreas que tenham a ver com educação, formação, dinamização comunitária, empreendedorismo, empregabilidade, trabalho pastoral e a promoção de voluntariado.

“Nós consideramos que fazer ‘likes’ e apoiar causas é muito importante porque nem todas as pessoas se interessam. Isso já é um primeiro passo. A verdade é que, ficarmos por aí, para nós, parece pouco. Por isso convidamos os jovens adultos, a fazerem um percurso de formação que os prepara para este ano exigente de voluntariado, muito gratificante, mas exigente, para poderem facilitar o desenvolvimento dos sítios onde trabalham, caminhar com as pessoas lado a lado, ter uma experiência intercultural muito rica e caminhar ao lado do outro, dar voz às pessoas, e facilitar os processos de desenvolvimento, que não são comunitários mas dos próprios leigos que crescem muito com estas experiências no terreno”, explicita.

Com três locais de missão a acolher voluntários, Angola, São Tomé e Príncipe e Pragal, na Caparica, na diocese de Setúbal, Ana Dias confirma que com a pandemia os projetos em curso sofreram interrupções, tendo os voluntários em África regressado a Portugal, pois a organização não tinha “possibilidade de assegurar a assistência aos voluntários no terreno” e as que se encontravam no Pragal, estiveram “em confinamento”.

Foi criado plano de voluntariado de emergência que fora, estabelecidas parcerias com outras instituições: “Os voluntários de Angola e São Tomé e Príncipe foram prestar apoio, porque vimos que a situação em Portugal se agravava, a outras instituições, em Alcalar, em Portimão, com os jesuítas, e no Alentejo e em Sintra, com as irmãs Hospitaleiras. Foram continuar a sua missão e estar ao serviço das pessoas e em comunidade”, precisa.

A proposta de voluntariado que os Leigos para o Desenvolvimento formulam é “muito marcante”, “quase que existe um antes e depois na vida de qualquer pessoa”.

A formação ao longo de seis a nove meses procura capacitar quem parte para ser um “agente de transformação, facilitador de processos e trabalhar em parcerias com as pessoas que servem”.

Ana Dias afirma ainda que as pessoas que procuram os Leigos para o Desenvolvimento pode não ser crentes, mas como organização católica que são, as pessoas “têm de estar disponíveis e abertos à Igreja católica e princípios cristãos”.

“Uma parte da formação passa por um conhecimento da espiritualidade cristã e inaciana (espiritualidade de Santo Inácio, fundador dos Jesuítas), e trata-se de uma oportunidade de as pessoas se aproximarem da Igreja ou para o desenvolvimento da espiritualidade”, concretiza.

Ao longo dos meses, as pessoas que participam nas formações percorreram um caminho de “autoconhecimento, de relação com Deus, e abordam os princípios da Doutrina Social da Igreja”e os voluntários que partem integram “práticas comuns, como a missão dominical, estar em reuniões com membros da Igreja no seu trabalho”, havendo ainda uma parte importante de “oração individual e comunitária” como prática nas missões.

Os Leigos para o Desenvolvimento são uma organização católica com 34 anos de existência que, através de voluntários, procuram promover um desenvolvimento comunitário e trabalhar ao serviço das pessoas e da Igreja católica local nos países em vias de desenvolvimento.

As sessões de apresentação, todas às 21 horas, têm início esta terça-feira, em Évora, no Casarão; o Porto acolhe a sessão, no dia 28, no CREU-IL; no dia 29, as sessões acontecem em Coimbra, no CUMN, em Braga, no CAB e em Lisboa, no CUPAV; e no dia 2 de novembro a apresentação será on-line, numa plataforma digital.

HM/LS