D. Nuno Brás desafia Jovens Cristãos da Madeira a voltarem à irreverência dos tempos da sua criação

Foto: Duarte Gomes

O bispo do Funchal desafiou “outra vez”, os Jovens Cristãos da Madeira a serem “irreverentes” e não jovens iguais aos outros, que fazem apenas o que os outros fazem. A serem originais e não fotocópias, como dizia o beato Carlo Acutis, e a perceberem que “a originalidade vem de Jesus Cristo”.

De resto, recordou, o movimento nasceu “quando todos os jovens andavam aí nas ruas com revoluções socialistas e sociais e o senhor D. Francisco Santana teve a ousadia de dizer que havia uma alternativa, de dizer que Jesus Cristo era muito melhor, muito mais revolucionário, correspondia muito mais à própria natureza humana e nos abria outros horizontes e o JC+M surgiu disso, dessa irreverência e o ir contra o já feito, o habitual, mostrando que Jesus Cristo era a irreverência que não se conforma com aquilo que todos dizem, pensam e fazem”.

“É isto que nos falta a nós. E falo não só para o JC+M, falo para toda a nossa diocese: falta-nos mostrar que Jesus Cristo é outra coisa, é qualquer coisa que não se reduz aos nossos pensamentos, à moda, ao habitual”, frisou D. Nuno Brás, que falava no final da Eucaristia a que presidiu domingo, dia 25 de outubro, na igreja do Caniço, com a qual se encerraram as comemorações dos 46 anos do movimento dos Jovens cristãos da Madeira (JC+M).

O prelado desejou ao movimento “outros 46 anos, mas outros 46 a viver assim nesta capacidade de juntar os jovens à volta de Jesus Cristo, como vida nova, verdadeiramente nova”.

Na homilia o prelado refletiu sobretudo no Evangelho que nos convidava a centrar em três realidades essenciais: o amor de Deus, o amor do próximo e o amor de nós próprios. Mas lembrou, “tudo isto só funciona se percebermos o que é o amor”, frisando que ele é “mais do que um sentimento humano”, egoísta.

O amor é antes a vontade que eu tenho de “querer fazer qualquer coisa pelo outro”, disse o prelado que convidou a assembleia a refletir na parábola do Samaritano, para melhor entender quem amou o homem que foi assaltado, se os que tiveram apenas sentimentos por ele, ou o que verdadeiramente o ajudou, cuidou dele.

Esta realidade leva-nos a pensar o que Deus fez por cada um de nós, Ele que nos amou e ama. A resposta é “ninguém tem maior amor do que Aquele que dá a vida pelos amigos”. Esse é “o amor maior”, aquele que encontramos na cruz de Jesus”. É à luz deste amor que tudo o resto pode ser entendido e sobretudo pode ser feito.

“É isto que muda, que nos muda e é isto que muda o mundo”, disse D. Nuno Brás que convidou a assembleia “pedir ao Senhor que nos ajude verdadeiramente a amá-lO, com todo o nosso coração, com todo o nosso entendimento, com tudo aquilo que nós somos e a amar ao próximo, assim, Nele e com Ele, porque isso é o verdadeiro amor e tudo o resto são contrafações”.

Vigília de oração e iniciativa musical

Estes 46 anos foram celebrados em dois dias. Assim, no sábado, 24 de outubro, teve lugar na Paróquia do Estreito de Câmara de Lobos, pelas 20 horas, uma Vigília de Oração com o tema: “Vive a Eucaristia”. E no domingo, 25 de outubro, antes da Eucaristia de ação de graças teve lugar a iniciativa: “Música é palavra”.

Dois momentos de catequese que Lídio Aguiar, da direção da JC+M destacou, e de que diz ter ficado a ideia de que os jovens cristãos da Madeira podem e devem “sonhar juntos”.

Tanto o dirigente como o cónego Rui Pontes, pároco do Caniço, agradeceram a disponibilidade do bispo do Funchal para presidir a esta celebração.

O “Jovens Cristãos da Madeira” (JC+M) é um Movimento da Diocese do Funchal que, de acordo com os princípios e orientação da Igreja, “pretende movimentar os jovens, apoiar as suas iniciativas, consciencializá-los do seu cristianismo, desenvolver as suas capacidades de imaginação e poder criativo”.