Apresentado livro do Pe. Simões “Virtudes Humano-Cristãs para Um Mundo Melhor”

Foto: Jornal da Madeira

No dia 23 de outubro, foi apresentado no Museu Casa da Luz o livro ‘Virtudes Humano-Cristãs para Um Mundo Melhor. Subsídio para a História da Igreja em Portugal”, da autoria do Coronel Capelão António Simões.

Esta obra assinala os 50 anos do 4º Curso de Capelães Militares realizado na Academia Militar de Lisboa de 21 de setembro a 4 de outubro de 1970.

O lançamento do livro realizou-se no dia litúrgico de São João de Capistrano, patrono dos capelães militares.

A obra está dividida em duas partes. Na primeira parte o autor apresenta cinquenta virtudes para um mundo melhor e na segunda parte trata sobre o 4º curso de capelães militares.

A apresentação do livro ficou a cargo do jornalista Manuel Gama. Publicamos de seguida o texto realizado nessa ocasião:

Caros amigos!

Por quarta vez consecutiva, estou a corresponder à gentileza do convite do nosso Coronel Capelão, Pe. Simões, para fazer a apresentação solene desta sua quarta obra, relacionada com a sua missão de Capelão Militar, ao serviço das Forças Militares e de Segurança.

Não bastou coadjuvar na elaboração final da Obra e a prefaciá-la, como já tinha acontecido com os seus três primeiros livros, mas insistiu o Pe. Simões em que também deveria ser eu, apesar da minha vetusta idade, a fazer a sua apresentação pública. 

Por esta distinção invulgar, que rareia em determinados círculos da sociedade, por este reconhecimento inequívoco a uma vida de jornalismo de expressão cristã, ultrapassando mesmo as Bodas de Diamante, sentindo imensa satisfação e orgulho em ainda poder ser útil à comunidade, sentindo-me uma pedra ainda não rejeitada por todos os construtores, expresso o meu profundo agradecimento com um simples “muito obrigado”, ao Pe. Simões. 

Caros amigos!

Este é já um quarto livro que o Pe. Simões faz chegar aos leitores.

Não obstante encontrar-se aposentado, o Pe. Simões demonstra, uma vez mais, que a sua missão de evangelizador continua ativa. Se antes foi em diversificadas Missões de Serviço junto dos combatentes, junto das populações indígenas, junto dos quartéis e de comunidades paroquiais, utilizando todos os meios ao seu alcance, de há quatro anos a esta parte, está também a utilizar a “Palavra Escrita”, aquela que não é levada pelo vento, mas que permanece. “Verba volant, scripta manent”.

A Palavras de Deus chega até nós, também pelos Escritos do Antigo e Novo Testamento. Ao finalizar o seu Evangelho, João afirma categoricamente: “Há muitas outras coisas que Jesus fez” e terá dito. Se elas fossem escritas, uma por uma, penso que o mundo não teria espaço para os livros que se deveriam escrever” (Jº 21,25).. Escrevrr, portanto, também foi um meio eficaz pelos Discípulos, para nos transmitirem a mensagem divina.

 “A Palavra de Deus não está encarcerada, acorrentada”, já dizia Paulo de Tarso ao seu predileto discípulo Timóteo, em carta escrita da prisão, em Roma. (2.ª Tim 2, 9). Ele estava preso, mas a Palavra não. Ele está aposentado, mas o Evangelho, não. A aposentação não retira a poesia ao poeta, nem a escritura ao escritor. A idade não elimina a missão, não apaga a experiência nem as vivências duma vida ao serviço da causa comum, nem dispensa de anunciar o Evangelho. 

Por esta razão, vem o nosso Coronel Capelão Pe. Simões colocar nas mãos da Igreja e da Sociedade em geral, pela quarta-vez vez consecutiva, as vivências próprias e de seus colegas no ministério apostólico militar.

Recordemos, ainda que sumariamente, os seus livros anteriores, também por mim apresentados nesta mesma sala, em idêntico dia 23 de outubro, à mesmíssima hora: Em 2017, “O Capelão Militar”; em 2018, “O Padre Capelão”; em 2019, “As obras de Misericórdia na Pastoral Militar”. Hoje, aqui e agora: “Virtudes Humano-Cristãs Para um Mundo Melhor”.

Esta quarta obra do nosso Capelão, Pe. Simões, pretende dois objetivos: Recordar e enaltecer a missão apostólica dos Capelães Militares, de quem jamais alguém se tenha recordado anteriormente, e transmitir aos leitores as qualidades e virtudes de que os mesmos deveriam estar dotados, como aliás todos os seres humanos, para desempenharem cabalmente a sua missão. 

O primeiro objetivo encontra-se na segunda parte do livro, e constitui o momento escolhido para também divulgar o segundo. São os cinquenta anos, (As Bodas de Ouro) do 4.º Curso de Capelães militares, realizado na Academia Militar de Lisboa, de 21 de setembro a 04 de outubro de 1970.

O autor apresenta um resumo biográfico dos 29 sacerdotes que participaram neste IV Curso de Capelães, as Comissões de Serviço praticadas na Guerra do Ultramar, a Acta do respetivo Curso, os seus orientadores e ainda uma breve biografia do seu patrono, Don Gonçalo da Silveira ou Venerável padre Gonçalo de Oliveira.

A situação atual desses 29 sacerdotes é a seguinte: Ativos; 8, (27,60%); Doente: 1, (3,40%); Falecidos: 9, (31%); Pediram a dispensa do exercício do Ministério sacerdotal: 11, (38%).

A título de curiosidade, recordamos o número de sacerdotes que, fizeram o Curso de Capelães militares, nestes primeiros quatro cursos; 1. Curso; 58; 2.º curso 43; 3.º curso: 59, 4.º Curso: 29. Total: 189.

Na hora de celebrar os 50 anos do Curso, (Bodas de Ouro) a situação desses189 capelães eram as seguintes: 

Vivos: 1.º Curso, 16, (27,60%); 2.º Curso, 19, (44,20 %) 3.º Curso, 18: (30,50%) 4.º Curso 9, (31,00%.

Falecidos: 1.º Curso: 19, (32,75%); 2.º Curso: 14, (32,55%; 3. Curso: 16, (27,13%); 4.º Curso: 9, (31%).

Renunciaram ao Ministério Sacerdotal: 1.º Curso: 23 (39,65); 2.º Curso: 10, (23,25); 3.º Curso: 25, (42,37%); 4.º Curso; 11, (38,00%). Total de sacerdotes, Capelães Militares, que renunciaram ao Ministério Sacerdotal após terem prestado este serviço à Nação Portuguesa: 69, (36,50%). Não deixa de ser sintomático!

“50 Virtudes Humano-Cristãs Para um Mundo Melhor”

O livro começa precisamente por enumerar as virtudes Humano-Cristãs que ornavam as suas personalidades e estiveram na origem dos sucessos obtidos nas suas Comissões de Serviços e ações apostólicas.

O Autor dedica este elenco de 50 virtudes aos 29 sacerdotes que participaram neste IV Curso. São apenas 50, como se fora pouco, em referência e homenagem direta aos 50 anos do mesmo Curso.

Aliás este estudo sobre as Virtudes Humano-Cristãs, tem vindo a ser publicado num matutino funchalense.

É curioso o facto de serem analisadas apenas virtudes cujos nomes terminam em (ade” ou “dade”, como “afábili(dade)”, “ágili(dade), “assidui(dade), “Cari(dade), a maior de todas.

Embora possa perecer longa a sua enumeração, eis as virtudes cuja explanação constam deste Manual ou Tratado de Espiritualidade cristã, do Pe. Simões, por ordem alfabética, conforme são ali apresentadas: 

Afabilidade, Agilidade, Amabilidade, Amizade, Assiduidade, Autenticidade, Benignidade, Bondade, Caridade, Cordialidade, Credibilidade, Dignidade, Docilidade, Equidade, Espontaneidade, Eticidade, Familiaridade, Fidelidade, Fraternidade, Generosidade, Honestidade, Hospitalidade, Humildade, Idoneidade, Igualdade, Indissolubilidade, Integridade, Intimidade, Jovialidade, Lealdade, Liberdade, Moralidade, Personalidade, Piedade, Regularidade, Religiosidade, Responsabilidade, Santidade, Sensibilidade, Serenidade, Seriedade, Simplicidade, Sobriedade, Solidariedade, Suavidade, Tenacidade, Veracidade, Verdade, Verticalidade, e Caridade, a maior virtude do ser humano e cristão.

Muitas destas cinquenta virtudes pertencem à mesma essência do ser humano. Não é preciso ser-se cristão, para ser-se afável, ágil, assíduo, autêntico, bondoso, veraz, cordial, credível, digno, dócil, responsável, imparcial, solidário. O Homem perfeito, aquele que saiu diretamente do sopro do Criador, certamente já teria sido um nobre exemplo de humanismo, um crisol de todas as virtudes humanas.

Aliás o Génesis refere, por diversas vezes que tudo o que saía das mãos de Deus, era Bom, segundo a visão do mesmo Criador. Também o Homem. Terá sido um “HOMEM”, (com maiúsculas) até porque saído do sopro de vida do Criador, feito à Sua imagem e semelhança. 

Com a vinda de Cristo e a Redenção, as mesmas e outras virtudes, como as teologais, a fé, a esperança e a caridade, adquirem também uma dupla razão de ser: manter a essência do HOMEM, e formatar e classificar o CRISTÂO. Daí a grande importância deste livro.

Em mais de sessenta anos de profissionalismo comunicacional, jamais vimos algo semelhante. O leitor encontra aqui uma exposição alargada e profunda de cada uma das cinquenta virtudes, a sua origem etimológica, o que delas dizem a Bíblia Sagrada, os pensadores, sábios e filósofos, e ainda a Igreja, através dos séculos, sobretudo os últimos papas, nomeadamente o atual Papa Francisco.

A “Caridade” é considerada em duas oportunidades: a primeira, como virtude humana, e a segunda como Virtude teologal, cristã, a maior de todas as virtudes, segundo o pensamento paulino, pois considera que um ser humano deve amar aos outros, em sinal e prova do superior amor a Deus.

Consideramos que este livro deve fazer parte das nossas mochilas, pois trata-se de um fiel e útil companheiro, para ajudar a ultrapassar os caminhos difíceis da jornada da vida, em direção ao mais Além.

Sabemos perfeitamente das dificuldades na ascese pessoal da assimilação das virtudes na prática quotidiana. Sabemos que o facto de que a perfeição seja inalcançável neste mundo, não pode justificar qualquer tipo de desânimo, mesmo quando a caminhada é feita em ziguezague acidentado. O que não podemos aceitar, de forma alguma, é o pretexto da ignorância, ou das desculpas irresponsáveis.

Caminhar, seguir em frente, como fazem os soldados, é o exercício que se requer a todo aquele que pretende ser Humano e, além disso, Bom Cristão.

Por isso ousamos repetir o conteúdo da contracapa, aliás transcrito do mesmo prefácio que é de minha autoria. 

“Não se trata de mais um livro, mas antes, de um livro “MAIS”.

O leitor encontra aqui uma exposição alargada e profunda de cada uma das virtudes, a sua origem etimológica, o que delas dizem a Bíblia Sagrada, os pensadores, sábios e filósofos, e ainda a Igreja, através dos séculos, sobretudo os últimos papas, nomeadamente o atual Papa Francisco.

Faça-se ajudar, por favor, destas “Virtudes Humano-Cristãos” para fazer do mundo em que vivemos, “um Mundo Melhor”.

Do texto do livro, respigamos a última ideia do autor, plasmada nas conclusões: 

“As 50 Virtudes aqui analisadas, que constituem a essência dum ser humano aperfeiçoado, têm sido escritas por mim ao longo dos últimos anos e publicadas pelo JM. Juntamo-la nesta Obra, por julgarmos que, assim como devem ser vividas pelos sacerdotes e capelães, também devem fazer parte da vivência quotidiana da sociedade hodierna. Para que todos possamos contribuir para um Mundo mais humano e mais cristão, dirigido e orientado por esse HOMEM criado pelo sopro do Criador, e pelo CRISTÃO, objeto da Redenção operada pelo Verbo eterno, Jesus Cristo.

Darei por bem empregado o tempo dedicado a esta obra, se pelo menos alguém resultar ajudado por ela no caminhar quotidiano. 

Podemos dizer que este livro pode servir de catequese para crianças, jovens e adultos. Mas não basta saber que elas existem, o fundamental é praticá-las na nossa vida, em casa, no trabalho e na vida social.”

E, para terminar, dirigimo-nos ao nosso Capelão: 

Pe. Simões: Recorde-se das palavras de Paulo de Tarso: “A Palavra não está encarcerada, acorrentada” (II Tim, 2, 9); A Palavra não envelhece, não entra no estado de aposentação. 

O mesmo Paulo proclamava a todo o orbe: “Ai de mim se não anunciar o Evangelho do Senhor”. (1 Cor, 9,16).

Investigar, escrever, é uma forma de continuar a anunciar o Evangelho, de continuar a exercer a sua vocação de missionário, pese muito embora encontrar-se entre os octogenários, pese embora o seu estado de aposentado. Em frente! É o caminho.

Tenho dito.

Manuel Gama