D. Nuno Brás diz que Misericórdia da Calheta é “instituição de referência”

O bispo disse ainda que continua a haver espaço para “uma evolução das misericórdias”, nomeadamente no que toca à espiritualidade.

D.R.

O bispo do Funchal foi um dos intervenientes na Mesa Redonda “Missão e Ação”, uma das iniciativas com que, no passado dia 7 de outubro, se assinalaram os 485 Anos da Santa Casa da Misericórdia da Calheta.

Na oportunidade D. Nuno Brás começou por deixar uma saudação à misericórdia por este aniversário, lembrando que “485 anos não são 485 dias” e que “no meio de todas a vicissitudes da história”, a instituição está “viva e presente” e é “um ponto de referência no Município e na ilha” e um motivo de orgulho para todos nós, incluíndo a Diocese do Funchal.

À semelhança do que já tem acontecido noutras ocasiões, o prelado explicou que as Misericórdias são “uma iniciativa de leigos”, cristãos batizados, que “se deixaram interpelar pela realidade e pelo Evangelho”, ainda hoje. 

De resto, acrescentou, são estas duas características que fazem com que, ainda hoje, 500 anos depois, “as misericórdias desenvolvam o seu papel em tantas formas e em tantas áreas diversas”, incluindo um papel existencial que hoje dizemos que compete ao Estado, mas que as misericórdias continuam, nalguns municípios, a desempenhar.

Uma outra característica importante, frisou o prelado, é “o facto das confrarias conjugarem vontade, capacidades, pessoas”, o mesmo é dizer a vontade de um grupo de pessoas, de uma ‘confraria’, um “conjunto de irmãos uns com os outros”, porque “os cristãos não se entendem uns sem os outros”. 

E se é certo que na Igreja não há insubstituíveis, basta ver que morre um Papa e logo outro é eleito, também é sabido, disse D. Nuno, que “somos todos indispensáveis” porque “aquilo que cada um de nós tem para dar, mais ninguém o pode dar”. E juntos podemos resolver as diferentes situações, sempre com organização e profissionalismo, como o fazem as misericórdias e sem esquecer a espiritualidade, vivida no seu todo. E aqui, defendeu D. Nuno Brás, “há espaço para uma evolução das misericórdias”, até porque a componente espiritual não pode ficar limitada a uma Missa ou às visitas do assistente espiritual, ou pela oração, tanto mais que a oração convida a agir e a fazer bem ao próximo.

De referir que esta mesa redonda contou ainda com intervenções de Gregório Gouveia, irmão da SCMC e autor do Livro “Hospitais da Misericórdia da Calheta”, da provedora da SCMC Cecília Cachucho e ainda com a presença de Augusta Aguiar, secretária Regional da Inclusão e Assuntos Sociais.