D. Nuno Brás convida a trocar a mera organização de eventos pelo acompanhamento de pessoas

O Bispo do Funchal apresentou o programa pastoral centrado na Eucaristia

Foto: Duarte Gomes

O Programa Pastoral da Diocese do Funchal, centrado na Eucaristia, foi apresentado este sábado, dia 26 de setembro, na Igreja do Colégio durante a Assembleia das Direções dos Secretariados, Movimentos e Obras Laicais.

A abertura dos trabalhos e a apresentação do documento, conjuntamente com o calendário de atividades, esteve a cargo do Bispo do Funchal, D. Nuno Brás. 

O prelado aproveitou a oportunidade para, entre outras considerações, frisar que “esta pandemia nos veio chamar a atenção e nos veio convidar também para uma outra atitude”. De acordo com o bispo do Funchal, “nós éramos essencialmente organizadores de eventos, maiores ou menores”, mas a pandemia “veio nos convidar a não colocarmos tanto o empenho na produção de eventos, mas no acompanhamento de pessoas, como fez Jesus com os discípulos de Emaús”.

E acompanhar, “dando testemunho, iluminando, mostrando que existe um outro horizonte de vida”. É também a esta atitude que o Papa Francisco se refere quando fala de uma Igreja em saída, ou como diz D. Nuno, “uma Igreja que não se fica nas suas relações, naquelas que já tinha, mas é capaz de fazer como Jesus, que se ‘mete’ com aqueles discípulos que não o reconheciam”.

E “uma Igreja em saída não é uma Igreja que faz procissões fora dos templos, mas sobretudo uma Igreja que vai ao encontro de alguém”, constatou o prelado para logo acrescentar que as procissões são importantes e bonitas, mas “convertem muito pouca gente” e que essa conversão só se consegue com “o encontro pessoal”, um encontro com alguém que admiramos e como quem gostaríamos de ser.

Uma Igreja em saída é também, explicou D. Nuno Brás, uma Igreja que “não se fica por aqueles grupinhos de amigos que pensam exatamente como nós, mas é uma igreja que se deixa interrogar e é capaz de apresentar respostas”, nomeadamente “como alimentar a vida que recebemos no batismo e como fazer com que ela não esmoreça”. E esse alimento é, antes de mais nada, a Eucaristia que, como se diz neste Programa Pastoral para 2020/2021, ‘Constrói-nos no Caminho da Fé’ e mostra-nos que Jesus, o ressuscitado, continua a ser ainda hoje Deus no meio de nós. Deus “nosso conterrâneo”, cuja presença se torna visível na Eucaristia, alimento da vida cristã sem o qual não podemos passar. 

Alimento que, explicou, nos transforma e à nossa vida e nos “transforma naquele que recebemos” e “sermos transformados no Senhor, identificarmo-nos mais com Ele em cada dia da nossa vida: nisso consiste o nosso caminho de cristãos e o caminho que Jesus faz connosco”.

Este será, pois, “um ano para saborear ainda mais a Eucaristia, um ano para perceber esta presença de Jesus no meio de nós, um ano para percebermos este Deus no meio de nós, que nos chama e que nos convida a segui-Lo”, disse D. Nuno Brás que, a concluir, frisou não ter dúvidas de que “vai ser um grande ano”.

Cristãos não podem baixar os braços

Sobre a elaboração deste programa num tempo em que o futuro é incerto e depende da evolução da pandemia, D. Nuno Brás frisou que “nós cristãos não podemos baixar os braços”. Essa foi, de resto, uma das razões que levaram a diocese a avançar na certeza, única, de que dele “faremos o que for possível”.

Das várias iniciativas que são propostas o bispo diocesano destacou algumas, a começar precisamente pela necessidade de se “fazer um levantamento das práticas eucarísticas de cada paróquia” e “propor a leitura de alguns documentos recentes do magistério sobre a Eucaristia”.

Além disso, considerou igualmente importante “um levantamento das confrarias do Santíssimo Sacramento existentes na diocese” e de lhes dar mais “folego”, de modo a que “não sejam simplesmente organizadoras de uma festa com o Quim Barreiros”. 

“Organizar um congresso diocesano de confrarias do Santíssimo Sacramento” e “promover a oração pessoal diante do Santíssimo Sacramento”, são também iniciativas a promover ao longo deste ano, em que D. Nuno Brás gostaria igualmente de ver intensificada a distribuição da Eucaristia aos doentes e idosos.

A celebração condigna dos 500 anos do Voto a São Tiago Menor e da sua escolha para padroeiro da diocese, que se assinala a 11 de junho, foi outros dos pontos sublinhados pelo prelado, que avançou ainda com a intenção da diocese de promover um seminário de formação sobre São Tiago Menor. 

Formação espera o prelado que possa ser dada também a todos quantos estão envolvidos na Eucaristia, desde leitores a cantores, passando pelos acólitos, ministros da comunhão, sacristães, floristas e fotógrafos. Finalmente espera-se o “cuidar e intensificar das instâncias de apoio aos mais necessitados”.

Passando os olhos pelo calendário pastoral, D. Nuno Brás destacou igualmente algumas iniciativas que já estão agendadas, caso do Dia Diocesano do Catequista, na manhã do 5 de outubro, nos Álamos, no dia 18 o Dia Mundial das Missões e a 21 a Memória do Beato Carlos de Áustria. Para dia 24 de outubro continua agendado o encerramento do processo diocesano para a beatificação da Madre Virgínia. Porém este encerramento poderá ter de ser adiado já que, segundo explicou D. Nuno, “tivemos há dias a surpresa da existência, na Congregação da Doutrina da Fé, de cerca de uma centena de cadernos escritos por ela que vão precisar de ser estudados”. 

Já em novembro o prelado destacou a realização, no dia 21, da Jornada Diocesana dos Leigos, no Colégio de Santa Teresinha e a 28 haverá o Conselho Pastoral Diocesano.

Em dezembro “vamos ver como é que conseguimos celebrar o Natal”, explicou D. Nuno, que sublinhou ainda a ordenação de pelo menos um diácono neste mês, mais precisamente no dia 27. 

Os cumprimentos de Natal, que habitualmente tinham lugar a 28 de dezembro, transitam para o dia 2 de janeiro, estando ainda por definir o local onde os mesmos irão decorrer. 

De 18 a 25 de janeiro terá lugar o Oitavário de Oração pela Unidade dos Cristãos, a 24 desse mês o Dia da Palavra de Deus e de 26 a 29 as Jornadas de Atualização do Clero e dos Leigos. Ainda em janeiro, no dia 31 vai ter lugar o Dia Diocesano da Família, que será nos Prazeres, com um formato semelhante ao deste ano com a distribuição de diplomas aos casais que celebram bodas.

Para manter são também as Catequeses Quaresmais na Igreja do Colégio, que vão decorrer às quintas a partir de 4 de Abril, a Jornada Diocesana da Pastoral Juvenil, a 10, a Semana de Oração pelas Vocações que arranca a 18 e o Dia Diocesano do Acólito que este ano terá lugar a 24 e não a 25 de Abril como vinha sendo hábito.

Maio arranca com o Dia de São Tiago Menor, a 1, o Conselho Pastoral Diocesano realiza-se a 22 e a 29 irá decorrer o Congresso das Confrarias do Santíssimo.

Em junho D. Nuno destaca a 11 o Dia do Clero, que é também Dia do Sagrado Coração de Jesus e Dia do Voto a São Tiago Menor. Finalmente, em julho, mais precisamente no dia 31 vão ter lugar ordenações sacerdotais. 

Apresentado o programa e o calendário diocesano os representantes de alguns dos Secretariados, Movimentos e Obras Laicais presentes nesta assembleia fizeram pequenas intervenções para darem a conhecer um pouco do seu trabalho e também das iniciativas que contam ainda vir a inscrever no calendário Diocesano e sobre as quais, oportunamente, o Jornal da Madeira fará apontamentos informativos.