110 anos do Marítimo: D. Nuno diz que desporto em equipa ajuda a perceber a vida da fé

Foto: Duarte Gomes

O bispo do Funchal presidiu esta segunda-feira, dia 21 de setembro, a uma Eucaristia na Capela do Complexo Desportivo do Clube Sport Marítimo. Esta celebração constituiu um dos momentos com que se assinalaram os 110 anos do clube. 

Na homilia, D. Nuno Brás refletiu sobre as leituras e a efeméride em causa que, considerou, nos “ajudam a ver e a perceber o contacto entre o cristianismo, a fé, e o desporto de uma forma muito clara”. Assim, começou por se deter no Evangelho, que nos falava da vocação e da conversão de um homem chamado Mateus, apóstolo, que era cobrador de impostos, que tinha má fama e proveito.  

Alguém que é olhado como “colaboracionista e como pecador, mas que é aquele que o Senhor escolhe” o que significa que “é sempre possível a conversão” e é “sempre possível, e eu sou exemplo disso, que um mau jogador de futebol possa jogar”.  

Estes exemplos sublinhou o prelado, mostram-nos que, com Deus, “nunca as contas estão saldadas, nunca as possibilidades estão fechadas” e há “sempre este convite a ser melhor em cada dia que passa”. 

Quanto à primeira leitura falava da nossa “relação com Deus, não tanto individualmente, mas em equipa”, porque “a nossa vida com Deus faz-se em equipa”. 

Comparando com o que dizia São Paulo, quando falava dos dons que cada um recebe de Cristo, podemos dizer que Deus “constituiu a uns como guarda redes, a outros como defesas e a outros como atacantes, em ordem à edificação do corpo de Cristo para que todos cheguemos à unidade da fé”. 

“Verdadeiramente o desporto, e o desporto em equipa, ajuda-nos a perceber não apenas como é a própria vida, em que todos colaboramos uns com os outros, mas ajuda-nos a perceber, de uma forma muito particular, a vida da fé”, frisou D. Nuno, para logo acrescentar que “a nossa relação com Deus não é indiferente ao nosso irmão” e que o facto de procurarmos viver melhor com Deus, não nos ajuda só a nós, mas também àquele que está ao nosso lado. 

Assim sendo, “caminhar para Deus significa sempre caminhar em equipa, significa entreajudarmo-nos e perceber que é sempre possível melhorar, que Deus não desiste de ninguém e que é sempre possível, com entreajuda, chegarmos à unidade com Deus” e a ser suportes uns dos outros. 

D. Nuno Brás terminou a sua reflexão pedindo ao Senhor que “o Marítimo seja um clube onde todos têm lugar, um clube que ajuda todos a serem mais seres humanos, mais homens e mulheres, um clube que ajuda cada um a desenvolver as suas potencialidades, mas também a graça de que, sendo assim, ajudando uns e todos a serem melhores, que este clube seja capaz também de ajudar todos a viverem mais unidos a Deus, a perceberem que Deus não desiste de ninguém e que é sempre possível trabalhar em equipa e que entreajudando-nos uns aos outros somos melhores seres humanos e melhores cristãos”. 

Nesta Eucaristia, concelebrada por vários outros sacerdotes diocesanos, participaram os dirigentes do clube, nomeadamente o seu presidente, mas também representantes das principais instituições civis e militares da Região.