D. Nuno Brás desafiou paroquianos da Ribeira da Janela a louvar o Senhor e a viver todos os dias com Ele

Foto: Duarte Gomes

O bispo do Funchal esteve este domingo, dia 2 de agosto, na paróquia da Ribeira da Janela onde presidiu à festa do Santíssimo Sacramento. Esta foi a primeira vez que D. Nuno Brás celebrou com aquela comunidade, onde o mesmo já havia estado antes, mas para reuniões de arciprestado. 

Daí que os paroquianos tenham querido registar este momento, de “alegria a duplicar”, por esta visita se realizar num momento particularmente importante para o mundo, dada esta pandemia, mas também no dia em que acontecia “a principal festa da paróquia”.

Numa breve resenha histórica, lida por um paroquiano, a comunidade deu a conhecer ao seu pastor a sua vida sempre “dura, penosa, perigosa e trabalhosa”, aliviada de alguma forma pela presença da Igreja católica que, desde os primeiros povoadores, sempre “acompanhou, ajudou, orientou e dignificou o progresso desta comunidade”, que não tem hoje mais de “centena e meia de residentes, grande parte dos quais já na reta final da vida”. 

A fuga dos jovens, o morrer das tradições e o declínio da agricultura, que está hoje em “agonia de morte”, foram aspetos lembrados nesta breve intervenção, em que se recordaram ainda os emigrantes e se agradeceu esta visita do bispo diocesano, desejando que “todos juntos possamos vencer os medos, as incertezas e tudo o que é negativo”.

Na sua homilia, D. Nuno Brás refletiu sobre as leituras deste domingo e muito particularmente sobre a atitude do apóstolo São Paulo, “que larga tudo para seguir o Senhor” e que, mesmo sendo perseguido continua a dar Dele testemunho”. 

Na segunda leitura, S. Paulo dá-nos a conhecer “aquela realidade em cima da qual nós cristãos construímos toda a nossa vida”. É verdade que S. Paulo, tal como nós, se interrogou muitas vezes sobre se Deus quereria mesmo que ele corresse aqueles perigos todos, que sofresse por ser cristão e sobre se Deus o amava. Mas ele próprio responde a estas questões e fá-lo de forma clara quando diz que nada nos pode separar do amor de Cristo, nem “o perigo, a angústia, a fome, a nudez, ou a espada” porque “a tudo isto somos vencedores, graças àquele que nos amou”.

“Esta é aquela realidade primeira, aquela pedra segura e firme, em que nós podemos construir a nossa vida: Deus ama-nos”, frisou o bispo diocesano para logo acrescentar que “Deus não gosta do pecado que fazes, das patifarias que fazes, não gosta das mentiras que pregas, mas gosta de ti, ama-te!” E aos que se questionam sobre se Deus nos ama também no sofrimento, respondeu que “Ele ama-nos sobretudo no sofrimento”.

E se Deus está sempre ao nosso lado, “então podemos vencer e ultrapassar”, mesmo as situações mais difíceis e “podemos ver mais longe”. Aliás, “creio que posso dizer, por aquilo que ouvi há bocado, que esse é também o testemunho dos habitantes da Ribeira da Janela”, que apesar de uma vida de luta “nunca desistiram, nunca fizeram as malas e foram para o Funchal”. E não o fizeram, precisamente porque “tinham a certeza que Deus os amava” e estava ao seu lado. E como é que sabemos isso? Porque “Deus dá-nos um sinal e o sinal era o que se escutava no Evangelho: Jesus dá de comer à multidão faminta, que não sabia o que fazer”.

Hoje, disse, “Jesus continua a vir ao nosso encontro para nos matar a fome”. De resto, esta festa do Santíssimo Sacramento é isso mesmo: mostrar que Deus continua presente no meio de nós a alimentar a nossa vida, a alimentar a nossa fé, a alimentar o nosso entusiasmo”. 

Daí o apelo deixado aos paroquianos da Ribeira da Janela, a quem agradeceu por “esta oportunidade de louvar o Senhor”, para que peçam precisamente ao Senhor que os ajude a “viver com Ele, a deixar que O aceitemos na nossa vida e que Ele transforme o nosso modo de viver” abrindo-lhe as portas do nosso coração para que Ele entre e entre também “na minha casa e continue a viver nesta terra da Ribeira da Janela”.

No final da celebração, em que marcaram presença representantes das principais instituições, a começar pelo presidente da autarquia, o Pe. Carlos Manuel, pároco da Ribeira da Janela deixou alguns agradecimentos, nomeadamente a D. Nuno Brás, pela sua disponibilidade para presidir a esta festa, mas também a todos quantos colaboraram para que ela se realizasse, ainda que “em moldes mais simples”, devido à pandemia, mas sem faltar o tradicional e belo tapete de flores, uma característica destas festas conhecidas popularmente por ‘Domingo do Senhor’.