D. Nuno lembra aos crismados da Quinta Grande e do Campanário que “só Deus sacia a nossa fome”

Foto: Duarte Gomes

O bispo do Funchal esteve este sábado, dia 1 de agosto, de visita às comunidades paroquiais da Quinta Grande e do Campanário onde confirmou na fé 43 jovens.

Coube ao Pe. Adelino Macedo Costa, pároco de ambas as paróquias, apresentar os dois grupos de jovens, 20 na Quinta Grande e 23 no Campanário, como aptos a receber o Sacramento da Confirmação, apesar das dificuldades que foi prepará-los em tempo de pandemia e consciente de que “eles vão precisar muito do nosso apoio”, das nossas orações e “do nosso testemunho de vida cristã”.

Na homilia de ambas as celebrações, D. Nuno Brás falou de fome, não daquela fome de comida ou de bens materiais, carros, casas, terras – até porque quem os tem quer sempre mais – mas da fome de Deus. Aquela fome que, disse, “é essencial” e só pode ser saciada pelo mesmo Deus e pelo Seu amor, que se manifesta de várias formas, mesmo nas alturas mais difíceis da nossa vida em que achamos que Ele nos abandonou.

E para os jovens melhor entenderem como esse amor se manifesta, D. Nuno Brás citou Santo Agostinho quando este diz que “Tu andavas à minha procura e eu andava cego. Tu andavas à minha procura no amor da minha mãe, Tu andavas à minha procura na amizade dos meus amigos, Tu andavas à minha procura na beleza das coisas da natureza, e eu não Te via”, ou ainda que “Tu criaste-nos para ti Senhor e o Nosso coração anda inquieto enquanto não repousa em ti”, ou seja, enquanto não encontra a verdadeira felicidade.

‘E quem poderá separar-nos do amor de Cristo?’ À pergunta colocada por S. Paulo, na segunda leitura, o prelado respondeu que nada nem ninguém se for essa, verdadeiramente, a nossa vontade e se estivermos cientes de que “Cristo nos ama onde quer que seja, como quer que seja, mesmo quando tenho uma doença incurável, mesmo quando ninguém gosta de ti, ou eu não gosto de mim”.

“Enquanto nós, mais novos ou mais velhos, não compreendermos isto não há felicidade que nos chegue”, explicou ainda o bispo diocesano, para logo acrescentar que “podemos ter muito dinheiro, viver em paz uns com os outros, mas não há felicidade que nos chegue enquanto não entendermos que, verdadeiramente, só Deus sacia a nossa fome e tudo o resto são remendos”.

De resto, “é sobre isto que nós podemos assentar a nossa vida, é sobre isto que a podemos construir, porque é isto que sacia verdadeiramente a nossa fome”. E daí o apelo aos crismados para que “construam a vossa vida a partir disto, porque se o fizerem serão homens e mulheres grandes, de certeza absoluta” e o desejo de que “o Espírito Santo vos ajude a viver assim e a permitir que este Deus venha ao vosso encontro e sacie a vossa fome”.