Santo António: Bispo desafia crismados a construírem vida subordinada a Deus

Foto: Duarte Gomes

O bispo do Funchal presidiu este sábado, dia 25 de julho, em Santo António a uma Eucaristia durante a qual confirmou na fé 33 jovens, 32 dos quais daquela comunidade paroquial e uma jovem de S. Pedro.

Todos eles fizeram, conforme explicou o cónego Carlos Nunes, pároco de Santo António, o percurso de 10 anos de catequese e  “acompanhados pelas famílias, párocos e catequistas foram conhecendo cada vez melhor Jesus Cristo e o seu Evangelho”, pelo que os considerava aptos a receber o Sacramento da Confirmação, ainda que tivesse reconhecido que, devido à pandemia, não fizeram a “preparação desejada”.

Na homilia da celebração, o bispo diocesano refletiu sobre as leituras as quais, disse, nos convidam “a nos interrogarmos acerca daquilo que é importante na nossa vida”. Quando somos crianças, lembrou o prelado, regra geral, queremos seguir a profissão do nosso pai. Quando crescemos, “vamos olhando a vida de outra forma, não já a partir dos nossos pais, mas de nós mesmos” e vamos construindo essa vida com as capacidades que nos são dadas. Uma construção “feita com coisas que valem muito e com outras que valem menos e algumas que não valem rigorosamente nada”.

É sobre esta ordem que nós hoje somos interrogados, ou seja, sobre o que é que é importante na nossa vida, a que desejos está a nossa vontade subordinada e que caminhos temos de fazer para lá chegar, seja no plano pessoal, familiar ou profissional.

Quer isto dizer que podemos ser aquilo que quisermos: um futebolista, um político, um chefe de família, um cantor, mas sempre a partir de Deus connosco. Esse é o segredo: “organizar tudo a partir de Deus, como o homem que encontra uma pérola de grande valor e vende tudo o que tem para comprar aquela.

“Aquilo que Jesus Cristo nos diz hoje é que, para um cristão, tudo isso pode ter lugar a partir da realidade central que é a nossa vida com Deus, a nossa relação com Deus”, explicou D. Nuno Brás para logo acrescentar que é por essa relação “vale a pena lutar, vale a pena trabalhar, vale a pena existir”. Mas isso implica ser cristão a tempo inteiro e não “apenas uma hora por semana”, conforme frisou o prelado. De resto, “quando nós experimentamos viver com Deus, não queremos mais nada. Tudo o resto está subordinado a isto”, elucidou.

Aos crismandos D. Nuno disse que estas interrogações se colocam de forma ainda mais premente, porque eles têm de perceber qual é o lugar de Deus na sua vida e perceber que “quando alguém encontra Deus verdadeiramente tudo o resto faz sentido, mas faz sentido a partir de Deus” e isto “faz-nos ser verdadeiramente felizes”.

Daí o desafio para que nos “deixemos encontrar por Deus, que Ele nos cative, que Ele entre na nossa vida e que a nossa vida seja vivida com Ele”.

No final da celebração um jovem, em nome de todos os crismados, agradeceu “a Deus por nos ter chamado até aqui e nos permitir viver este momento”, e também ao bispo diocesano que, pela imposição das suas mãos, “nos transmitiu a força do Espírito Santo que nos permitirá viver a nossa vida sempre com os olhos em Deus, mesmo que as dificuldades venham a surgir”.

No dia em que foram conhecidas as nomeações pastorais para próximo ano, D. Nuno Brás aproveitou esta oportunidade para agradecer ao cónego Carlos “de todo o coração, e em nome da diocese, pelo trabalho e pela cruz que ao longo dos 25 anos em que esteve a trabalhar nos serviços centrais da Diocese trouxe sobre os seus ombros”.

“Que o Senhor o abençoe e continue a ajudá-lo, porque nós bem precisamos de padres assim: generosos, sérios, que se entregam completamente ao serviço do reino de Deus”, frisou o prelado.

A seu pedido, o Cónego Carlos Nunes foi dispensado dos cargos diocesanos que exercia, nomeadamente de Ecónomo Diocesano (can. 494) e de Vigário Episcopal para o Património, por forma a se dedicar ainda mais à paróquia de Santo António.