Pe. Mario Tavares: Bispo presidiu a Eucaristia pelo sacerdote que procurou ajudar a todos

Foto: Duarte Gomes

O bispo do Funchal presidiu este sábado, dia 4 de julho, a uma Missa em Ação de Graças pela vida e ministério do Padre Mário Tavares, na Paroquia de São Tiago, no Jardim da Serra.

Uma celebração que aconteceu precisamente um ano depois de D. Nuno Brás ali ter estado pela primeira vez e no dia em que se assinalava o 24.º aniversário da elevação do Jardim da Serra a Freguesia. 

Coincidências que o Pe. Rui Silva, pároco do Jardim da Serra fez questão de sublinhar logo no início da celebração, aproveitando também o momento para manifestar a “grande alegria com que o recebemos, neste dia de singular importância para nós”.

Na homilia, o bispo diocesano refletiu sobre o segredo da intimidade de que nos falava o Evangelho. Um segredo que, disse, “não é qualquer um por si próprio que o desvenda”, por muito dotado que seja a nível de raciocínio, de técnicas ou de sabedoria. 

Na realidade, “só Jesus nos pode dar a conhecer verdadeiramente Deus. Só Jesus nos pode dar a conhecer verdadeiramente o segredo e intimidade de Deus”. De resto, foi para isso que Ele veio até nós, lembrou, para logo acrescentar que o convite é esse: entrar na intimidade de Deus, entrar na sua casa, sentarmo-nos à mesa com Ele.

“Podemos saber que uma pessoa existe, então hoje com a internet e a televisão sabemos que ela existe. Mas só sabemos dela aquilo que aparece. Mas se nós encontrarmos essa pessoa, se essa pessoa vier ter connosco, aí começamos a conhecer alguma coisa mais. Agora, se eu entrar na casa dessa pessoa, se eu passar a ser da casa, aí conheço-a e conheço bem”, explicou o prelado que lembrou que “a Eucaristia que nós celebramos é este estar à mesa de Deus. Deus convida-nos para a sua refeição para que nós possamos viver como seus filhos, não como estrangeiros, mas como gente da casa, gente da família de Deus. E isso que nós cristão somos, da família de Deus”.

“E que bom que é, acrescentou, sermos da família de Deus, podermos estar com o pai à Sua mesa, podermos falar com Ele, escutar aquilo que o pai tem para nos dizer, podermos conhecer os seus segredos”. Porém, isso não chega. Embora aquele que vive com Deus, que sabe que é da sua família, “esteja bastante mais descansado, isso não implica que fiquemos de braços cruzados”. Antes pelo contrário. Temos a missão de “espalhar Deus, de mostrar Deus sempre e em toda a parte”, de ajudar outros a “entrar neste segredo de Deus, neste amor de Deus e a tentar fazer com que todos os outros vejam tudo com os olhos de Deus”.

Embora não tenha conhecido bem o Pe. Mário Tavares, D. Nuno Brás disse acreditar que “foi isto que ele sempre procurou fazer: ajudar a todos a olhar a sua vida com os olhos de Deus, a trabalhar com os olhos de Deus, a viver com os olhos de Deus”. Foi por isso, acrescentou, que “ele procurou ajudar o próximo, procurou ajudar a todos, procurou trabalhar para que todos fossem capazes de entrar nesta amizade de Deus, nesta intimidade de Deus”.

E por isso, sublinhou a terminar D. Nuno Brás, que “damos graças a Deus. Damos graças a Deus por nos ter dado este sinal do Seu amor e da Sua presença e pedimos a Deus, que nos ajude também a nós a vivermos assim como filhos sentados à mesa do pai, que escutam a vontade do Deus e que a procuram pôr em prática em cada dia da nossa vida”.

No final da celebração, houve um momento de poesia, durante o qual foram ditos, por membros da comunidade paroquial, alguns poemas da autoria de José Gomes Ferreira, Sebastião da Gama e Geraldo Vandré. Escritos que expressam mensagens muito próximas e, nalguns casos até coincidentes, com o modo de pensar e com a ação que o Pe. Mário Tavares teve ao longo da sua vida, quer como capelão militar, como professor, como deputado, como empreendedor social, quer como sacerdote. 

De resto, foram momentos dessa longa vida e ação, que Manuel Neto, primeiro presidente da Junta de Freguesia do Jardim da Serra e grande amigo do Pe. Mário Tavares lembrou.

Depois de agradecer ao prelado pela presença, Manuel Neto lembrou o homem que foi “um amigo, um sacerdote entre o povo, a presença de Deus entre nós”, sublinhando ser muito “difícil falar da obra que o Pe. Tavares fez no Jardim da Serra”. Aliás, para melhor perceber esse percurso, está a ser preparado um documentário, pela Eduardo Costa produções, sobre a vida e obra do sacerdote. Um projeto iniciado ainda em vida do Pe. Mário Tavares, mas para cuja finalização faltam verbas. Daí Manuel Neto ter sugerido a constituição de uma equipa para, “em comunidade”, encontrar as melhores formas de conseguir esse financiamento.

Em andamento, com a ajuda da Câmara e da Junta de Freguesia, ambas representadas nesta Eucaristia, está também em constituição a Biblioteca e Centro de Documentação Pe. Mário Tavares Figueira, com Manuel Neto a dar conta de que “já há livros e documentos que nos foram cedidos para esse efeito”.