D. Nuno evoca São Pedro e São Paulo, para pedir Igreja “fiel à doutrina dos que foram o fundamento da sua fé” 

Seguir a fé de Pedro, disse D. Nuno, é “encontrar este Jesus que é Deus hoje no meio de nós e de reconhecer que Ele é o Cristo, filho de Deus vivo”. 

Foto: Duarte Gomes

Foi de forma simples e singela, mas com muita fé, que a comunidade da Paróquia da Lombada recebeu pela primeira vez esta segunda-feira, dia 29 de junho, o bispo do Funchal.  

D. Nuno Brás, que presidiu à Missa Campal da solenidade de São Pedro e São Paulo, aproveitou para pedir uma Igreja “fiel à doutrina dos que foram o fundamento da sua fé”.  

E o que é isto da fé? O bispo diocesano explicou, usando algumas comparações. Assim, disse que a fé é, por exemplo, a confiança de uma criança a quem o pai pede que salte para os seus braços e que fá-lo sem hesitar, porque sabe que o pai a vai segurar.  

“A fé é precisamente este salto que nós damos para nos entregarmos nas mãos de Deus”, disse D. Nuno na sua homilia, para logo sublinhar que “não é um salto no escuro, não é um salto sem razões, mas uma entrega que nós fazemos a Deus, porque Ele vem ao nosso encontro e se mostra como Pai”.  

Esta realidade da fé, frisou o prelado, é “uma realidade essencial para nós seres humanos, e para nós Cristãos”. Uma realidade dita, mas também mostrada, como se acabara de escutar no Evangelho, quando Jesus questiona os seus discípulos, sobre quem dizem que Ele é. Uns responderam Elias, outros o profeta. Mas Pedro responde “Tu és o messias, filho de Deus Vivo”, ou seja, “Tu és Deus no meio de nós”. Foi, de resto, por ter percebido isso que Pedro deixou toda a sua vida para seguir Jesus. 

“Pedro foi capaz de dizer por palavras a fé que já vivia”, acrescentou, D. Nuno Brás para logo referir que “quando nós pedimos a Deus para nos ajudar a ser fiéis à fé de Pedro estamos a pedir que também connosco aconteça o mesmo que aconteceu a Pedro”. Quer dizer, “que também nós sejamos capazes de olhar para Jesus, não como um homem do passado, que disse umas coisas muito bonitas, mais ou menos impraticáveis, mas como Aquele que é hoje Deus no meio de nós”.  

Seguir a fé de Pedro é por isso, e antes de mais nada, “encontrar este Jesus que é Deus hoje no meio de nós e de reconhecer que Ele é o Cristo, filho de Deus vivo”, salientou. 

Outra comparação usada pelo bispo do Funchal para explicar o que é a fé, foi a da fotografia de infância. “Quando nos apresentam uma fotografia de como éramos em criança, a primeira coisa que pensamos é como é que é possível que aquele seja eu. Mas somos. Somos os mesmos. Estava ali tudo, naquela criança pequenina, que se desenvolveu, cresceu”. À semelhança da criança, a fé também se desenvolve, pese embora ela seja a mesma fé de Pedro e de Paulo”.  

“Caros irmãos não tenhamos medo da fé, isto é, de encontrar Jesus e de nos entregarmos nas suas mãos, de entregar nas suas mãos a nossa vida, nem de viver na fé de Pedro porque ela nos mostra esta verdade de Deus no meio de nós, nos mostra como hoje essa fé se desenvolveu mantendo-se sempre a mesma”, explicou ainda D. Nuno que exortou  os fiéis a “dar graças a Deus porque nos deu a fé de Pedro” e a pedir ao Senhor “esta graça de nos mantermos sempre fiéis à fé que os apóstolos nos ensinaram”. 

No início desta Missa da Solenidade de São Pedro, concelebrada por D. Nuno pelo Pe. Helder Gonçalves, pároco da Lombada, e Pe. Carlos Almada e em que marcaram presença os presidentes da Câmara de Santa Cruz e o da Junta, coube a um jovem saudar e agradecer a presença do bispo nesta celebração, que tanto diz às gentes da Lombada. 

No final, através de uma criança, a Comissão de Festas entregou a D. Nuno Brás uma pequena recordação desta sua primeira visita e um convite para que em 2021, marque presença na grande Romagem de São Pedro, que este ano não se realizou devido às restrições impostas pela pandemia.  

Ainda assim a ornamentar o palco da celebração encontravam-se algumas miniaturas alusivas à dita romagem, nomeadamente a capela de ovos, o peixe feito com feijão, etc., representando também de alguma maneira os vários sítios da paróquia e, claro, os seus paroquianos, mesmo os que estão emigrados e que foram também lembrados nesta Eucaristia, e a sua fé em São Pedro.